Giovanna Antonelli celebra 30 anos de TV

Referência na teledramaturgia desde sua estreia na TV, nos anos 1990, Giovanna Antonelli é hoje considerada uma das atrizes mais requisitadas de sua geração. Vinte anos se passaram, e a intérprete de Jade, de ‘O Clone’, um dos papéis mais importantes de sua carreira, retorna ao Vale a Pena Ver de Novo, na Globo. “É a novela que mais foi exibida neste planeta”, brinca a atriz que recorda com imenso carinho de sua personagem. Dada à intensidade das gravações de ‘Quanto Mais Vida Melhor’, próxima novela das sete que estreia este mês, mais uma vez ela surge com um personagem intenso e com uma história sobre vida e morte que fará muitos refletirem. “Hoje prezo qualidade não a quantidade”. Confira a entrevista exclusiva concedida à Revista Regional, com ensaio fotográfico especial.

Gio Antonelli em ensaio exclusivo para a Regional (foto: Vinicius Mochizuki)

REVISTA REGIONAL: Trinta anos se passaram desde sua estreia na TV e foram inúmeros personagens intensos. Existe um momento na carreira do ator em que ele se sente mais confiante, pronto para querer se jogar sem se preocupar tanto sobre o que irão dizer? A experiência permite essa sensação?

GIOVANNA ANTONELLI: Com certeza! A minha base e toda a experiência que fui adquirindo em inúmeros papéis de diversos tamanhos e em outras áreas da atuação também foram me dando essa validação e me trazendo uma segurança que me permite arriscar sempre. Sem medo!

Camaleônica, você já emprestou seu corpo e sua alma para viver essas personagens, afinal foram inúmeras transformações ao longo desses anos. Como é receber essas mudanças que as personagens trazem? Eu digo não só fisicamente, mas em algum momento você mudou o seu ponto de vista a partir de uma personagem?

Todo tipo de trama que assistimos, seja no cinema, na TV ou no teatro, sempre traz algum tipo de reflexão. Ou algum entendimento. A TV com certeza tem essa comunicação direta com o público e eu também, não só como espectadora, vivo isso. Fazer tipos ilimitados me instiga e homenageia nossa grande mistura humana. Aliás, histórias de vida das pessoas são riquíssimas e gosto de me transformar e dar vida aos personagens mudando o tempo todo.

Uma pergunta que não pode faltar: depois de 20 anos, ‘O Clone’ volta a ser exibida pela quarta vez na TV, com a Jade, sua primeira protagonista. Quando você revisita esse passado, qual a primeira coisa que vem à mente e porque você acha que o público gosta tanto de rever essa trama?

Imediatamente pensei: Caraca é a novela que mais foi exibida neste planeta! (risos). Prova de que boas histórias nunca envelhecem. Sem dúvidas, um trabalho que exigiu muito esforço, muita dedicação e muito comprometimento de toda equipe e, ao mesmo tempo, uma grande experiência de vida profissional e pessoal! Glória Perez (autora da novela) é sensacional, capaz de envolver o público com inovação e sensibilidade, trazendo sempre um importante papel social.

‘Quanto Mais Vida Melhor’, seu novo trabalho na TV, traz um assunto interessante a ser discutido que é sobre viver. E nós vivemos em um mundo contemporâneo, onde queremos tudo ao mesmo tempo e imediato. Como você lida com a passagem do tempo e qual o significado da vida para você?

Gostaria de poder parar o tempo em vários momentos. Amo a vida, sinto muita gratidão todos os dias. Ansiedade diminui com a maturidade, quando é uma busca interna, e essa sempre foi a minha. Hoje prezo qualidade não a quantidade. E como estou viva, todos os dias alimento sonhos, me imponho metas e estou sempre me reinventando, me colocando em movimento!

Como foi para você voltar ao trabalho após quase dois anos de distanciamento por conta da pandemia? De que maneira encarou essa realidade? O medo de se contaminar passou pela sua cabeça?

Estamos gravando essa novela há um ano e três meses, ou seja, durante a pandemia estávamos aqui, todos os dias, com todo cuidado (com algumas pausas), com protocolo bem rígido, dando o nosso melhor, controlando todas as inseguranças e medos, para levarmos uma história lúdica, fantástica e leve para o público. Encarei como uma missão. Uma missão que meu ofício me proporciona e que me move a cada ano: entrar na casa do espectador e levar sentimentos, informação, emoção e sorrisos. É muito gratificante!

Corrija se eu estiver errada, mas durante as minhas pesquisas percebi que você fez pouco teatro. A TV sempre foi a sua ‘casa’, o lugar onde você se sente mais ‘confortável’ ou faltaram boas oportunidades no tablado?

Uma mistura de tudo. Sempre estou envolvida em novelas ou fazendo algum filme nos intervalos, tenho outros projetos na área empresarial paralelamente a minha profissão de atriz, depois vieram as crianças, e mais novelas, então acabou me faltando tempo, e o tempo vai passando (risos). Na vida, não se pode ter tudo. O universo do teatro também requer entrega, assim como o da TV. Mas não descarto, no futuro, uma grande imersão. Quem sabe!

Gio Antonelli em ensaio exclusivo para a Regional (foto: Vinicius Mochizuki)

Intolerância, racismo e misoginia são algumas hostilidades cometidas por anônimos nas redes sociais. Você acredita que deixar de opinar sobre política e feminismo, por exemplo, ajuda a evitar ser alvo de haters?

Apesar de a rede social parecer ser terra de ninguém, comemoro a cada nova lei aprovada em relação ao mundo digital. Torço para que no futuro seja um ambiente bem menos hostil e mais amoroso. Você escolhe como quer estar inserido nela, podendo inclusive não fazer parte dela. O que não deixa de ser uma ideia para amadurecer cada vez mais.

Entrando um pouco no assunto sobre feminismo, você concorda que o Brasil se revelou, nos últimos anos, um país extremamente machista, preconceituoso e homofóbico? Qual sua visão sobre isso?

A defesa dos nossos direitos tem que ser algo acessível, mantendo o respeito entre todos, com leis que possam ser cada vez mais consistentes. Acredito que, assim, podemos caminhar para uma sociedade mais igualitária e evoluída.

A cultura deveria ter um espaço de reflexão e política, mas ela está sofrendo não só com a pandemia, mas com a falta de investimentos por parte do governo federal. Em sua opinião, qual a importância da cultura numa sociedade e de que maneira o artista pode contribuir para que ela seja respeitada?

Não existe sociedade sem cultura. Cultura é a mistura dos povos, comportamentos, tradições entre tantos outros aspectos que enriquecem a sociedade. Há 30 anos me dedico ao que faço, à arte, que me trouxe até aqui. E lutarei por toda expressão artística até o fim.

Quando se é uma figura pública as pessoas tendem a acreditar que te conhecem e isso é um problema, porque somos ambivalentes, não somos só bons ou maus. Como você lida com as expectativas dos outros? Especialmente de pessoas que não te conhecem, mas acham que podem te julgar?

Assim como lido com a minha, não alimentando. Zero expectativa (risos). Hoje a crítica e o elogio para mim estão no mesmo lugar. Vivemos na sociedade do julgamento.  Ou nos alimentamos disso ou não valorizamos isso.

Giovanna, além da nova novela das sete você tem algum outro projeto que ficou para ser lançado neste ou no próximo ano?  

Tenho a Giolaser Laser, Estética e Beleza. Estamos em grande expansão no mercado, crescemos 300% no último ano e temos mais 250 unidades espalhadas pelo Brasil. Geramos empregos e vamos fechar o ano com chave-de-ouro, o que me deixa muito orgulhosa. Temos lançamentos de coleção de joias da Rommanel celebrando dez anos de parceria, lançamento de perfume novo da Jequiti e um filme para o começo do ano. Mas meu maior projeto quando acabar a novela é estar em casa com minha família.

 

entrevista: ESTER JACOPETTI

fotos: VINÍCIUS MOCHIZUKI

make/hair: RACHEL FURMAN

agenciamento: HOUSE ENTERTAINMENT