Avanço da covid no Interior dobra em relação à capital

Interior, pela primeira vez, registrou mais mortes pelo coronavírus

Em apenas 4 dias, a pandemia avançou 28,7% a mais fora da cidade de São Paulo; Pela 1ª vez, número de mortos no Interior foi superior ao da capital; Na região, houve mais 1 óbito em Indaiatuba, que atingiu 1.250 infectados

 

O rápido avanço do coronavírus no Interior reforçou o alerta do governo do Estado em relação a casos e mortes por covid-19. Em apenas 4 dias, o percentual de novos contaminados fora da capital praticamente dobrou em relação ao mesmo índice da semana anterior.

 

De acordo com dados da Secretaria de Estado da Saúde e do Centro de Contingência do coronavírus, entre os dias 14 e 20 de junho, o Interior registrou 17.932 novas contaminações por coronavírus, enquanto que na capital o total foi de 15.342. Assim, o avanço da pandemia fora da capital foi 14,5% maior.

 

Já nesta semana, apenas no intervalo entre domingo (21) e quarta-feira (24), o Interior viu 10.752 novas confirmações de casos, ante 7.670 na capital. Em apenas 4 dias, a pandemia avançou 28,7% a mais fora da cidade de São Paulo. Também pela primeira vez, o número absoluto de mortes por covid no Interior (6.677) superou o da capital (6.675) ao longo da pandemia.

 

“A diferença é muito grande nessa taxa de incidência de casos. Isso nos leva a projetar o aumento significativo que teremos no Interior do Estado”, afirmou João Gabbardo, secretário executivo do Centro de Contingência. “A taxa de transmissibilidade tende a reduzir bastante na capital e aumentar no Interior do Estado”, acrescentou.

 

O secretário de Desenvolvimento Regional, Marco Vinholi, também reforçou a preocupação com o agravamento da pandemia fora da capital. “A aceleração tem se dado em novos casos e também em óbitos. Nós temos alertado o Interior e apoiado com aumento da capacidade hospitalar em todo o território do Estado”, disse.

 

Até agora, o governo de São Paulo já distribuiu 2.266 respiradores a hospitais públicos e filantrópicos na capital, Interior e litoral para ampliar a oferta de leitos de terapia intensiva para pacientes graves de covid. Na região, Itu e Indaiatuba receberam respiradores. Também houve investimento de R$ 60 milhões em EPIs (Equipamentos de Proteção Individual) para profissionais de saúde.

 

PANDEMIA NA REGIÃO

 

Na região, Indaiatuba confirmou novos casos e o total oficial atingiu 1.250 infectados, com 57 mortes, a última delas registrada nesta quinta-feira. O paciente tinha 65 anos, era diabético, e estava internado no Haoc (Hospital Augusto de Oliveira Camargo). A Prefeitura de Indaiatuba não possui um número exato de pacientes recuperados, mas calcula em 1.161, considerando também os casos que continuam em tratamento domiciliar. Este cálculo é questionado por médicos ouvidos pela Revista Regional, pois os pacientes que estão em casa podem precisar, em algum momento do tratamento que dura cerca de duas semanas, de ajuda médica e até mesmo de internação, caso o quadro evolua para uma pneumonia ou outra condição grave.

 

A cidade possui ainda 32 confirmados internados e outros 124 casos suspeitos aguardando resultado de exame. Atualmente há 35 internados em leito clínico e 28 em UTI (Unidade de Terapia Intensiva). A taxa de ocupação das UTIs está em 83% no Haoc e 67% no Hospital Santa Ignês.

 

Em Itu, a Secretaria Municipal de Saúde informa que a cidade conta com 483 casos confirmados, 366 recuperados e 85 aguardando resultados de exames. Há 9 pacientes internados em leito clínico e 13 em UTI. A cidade totaliza no momento 34 mortes pela doença. Há ainda 1 óbito suspeito por covid-19. A taxa de ocupação das UTIs está em 62% no Hospital Municipal e 33% no Hospital de Campanha.

 

Salto está com 182 registros de covid, sendo que 6 morreram, 138 evoluíram para cura e 6 casos seguem internados (sendo 3 em UTI); há ainda 32 casos em isolamento domiciliar. A cidade tem 65 casos suspeitos que aguardam resultados. Destes, 56 estão em isolamento domiciliar e 9 em internação clínica. A Prefeitura da cidade não divulga a taxa de ocupação dos hospitais.

 

Foto: BIRF