Turismo pré-histórico

A cerca de 45 minutos de Curitiba, é possível encontrar formações pré-históricas de 30 metros de altura, numa verdadeira selva de pedra

Que tal fazer uma viagem no tempo e encontrar testemunhas da época em que a América do Sul ainda estava ligada à África, à Antártida, à Oceania e à Índia, formando o gigantesco continente Gondwana? Isso há cerca de 300 milhões de anos atrás, no chamado Período Carbonífero. Esse tour é possível no Parque Estadual Vila Velha, no Paraná, a 115 km da capital Curitiba. Lá, podemos encontrar gigantescos monumentos geológicos constituídos por uma rocha denominada arenito, o Arenito Vila Velha, formado pela compactação e endurecimento de camadas sucessivas de areia, pertencentes à unidade geológica Grupo Itararé. É a formação destes arenitos que remonta há 300 milhões de anos. Nesta época, a região onde se localiza Vila Velha estava mais próxima do polo sul e a temperatura média na Terra era muito baixa, período que corresponde a uma das grandes eras glaciais do passado terrestre, denominada glaciação gondwânica permo-carbonífera.

No parque encontramos monumentos esculpidos pela erosão em formas de taça, garrafa, cones, bota, urso, e o que mais a imaginação permitir. Este modelamento do Arenito Vila Velha, na forma de erosão atual, é algo mais recente, garantem os guias do parque. Ao longo dos 300 milhões de anos de existência destas rochas, aconteceram eventos geológicos que as soterraram sob outras sequências mais jovens. Movimentos tectônicos terrestres, aliados à erosão, o colocaram novamente à superfície. Segundo os guias locais, os processos de erosão que esculpiram o Arenito Vila Velha, principalmente o das águas pluviais, aconteceram no Período Quarternário, nos últimos 1,8 milhão de anos. Entre as ‘esculturas’, a Taça é a mais conhecida, considerada hoje o símbolo da região.

 

Arenitos e Lagoa Dourada

O Parque Estadual Vila Velha foi tombado como patrimônio histórico e artístico do Paraná em 1966. Além dos famosos arenitos, ele possui em seus 3 mil hectares diversos outros atrativos naturais, como as Furnas e a Lagoa Dourada. Toda a fauna do parque vive em habitat natural. Podem-se encontrar espécies ameaçadas de extinção como o bugio-ruivo, tamanduá-bandeira, o lobo-guará, jaguatirica, onça-parda, onça-pintada, gato-do-mato-pequeno, gato-maracajá, queixada e veado-campeiro.

A trilha que permeia os monumentos de arenito é totalmente pavimentada, com extensão de 2.671 metros, totalizando cerca de duas horas de percurso a pé, numa caminhada leve e com uma paisagem deslumbrante. O visitante pode observar as formações rochosas areníticas, fauna e flora locais. O parque, por ser uma área preservada, tem capacidade de 815 pessoas por dia. Há transporte do Centro de Visitantes ao início da trilha (duração de cinco minutos).

Com bocas circulares de aproximadamente 80 metros de diâmetro e paredes verticais que atingem cem metros de profundidade, com uma lâmina de água de aproximadamente 50 metros, as Furnas são consequências de desabamentos em falhas areníticas. A Trilha Furnas não é guiada, tem extensão de 500 metros em formato circular, que dá acesso ao mirante e às Furnas 1 e 2. São permitidas 349 pessoas por dia neste trecho do passeio.

Já a Lagoa Dourada apresenta uma transparência incrível, o que possibilita a visualização de cardumes de peixes. Num determinado período do dia apresenta cor dourada, originando seu nome. Esta trilha é guiada, tem 400 metros de extensão em formato linear e permite a circulação de pessoas nos dois sentidos. Todas as trilhas são pavimentadas e contam com paradas estratégicas para observação, contemplação e estudo do ambiente.

MAIS: O parque está localizado em Ponta Grossa a 115 km de Curitiba. Horário de visitação: 8h às 17h30, porém a bilheteria fecha às 15h30. Fechado às terças-feiras para manutenção.

Dica de passeio

Mantenha-se sempre nas trilhas indicadas. Utilize um calçado confortável, próprio para caminhadas, leve água, protetor solar, repelente e um aparelho fotográfico. Lembre-se também de levar todo o resíduo produzido contigo na hora de ir embora, zelando pela conservação do parque e garantindo a manutenção do ambiente para futuras visitações. Não é permitido escalar os monumentos rochosos, nem retirar pedaços dos arenitos. Portanto, quando for embora do parque leve apenas as lembranças e as fotografias que você tirou.

fotos: Renato Lima e Zeca Almeida

CONFIRA ABAIXO A GALERIA DE FOTOS DO PARQUE: