Ó linda Olinda!

Tombada como patrimônio cultural da humanidade, Olinda é um verdadeiro tesouro e um dos principais cartões postais do Nordeste. Além das belas construções, mirantes e galerias de arte, a cidade também surpreende os turistas de maneiras mais singelas – como o pôr do sol visto do Alto da Sé -digno de aplausos, ou as missas cantadas por monges e freiras no Mosteiro de São Bento, ou ainda os desfiles de blocos de maracatu em plena tarde de domingo, e toda sua beleza natural.

O ar bucólico de Olinda estende-se pelas pousadas, bares e restaurantes que tomam conta da rua do Amparo, o pólo cultural do lugar.

Para percorrer os caminhos da história, basta bater perna pelas ladeiras do Centro antigo. As igrejas e os conjuntos arquitetônicos remetem ao período em que portugueses e holandeses disputavam o território, que compreende ainda a capital pernambucana, separada a 15 minutos de Olinda. Comece a caminhada pela Praça do Carmo e siga em direção à rua do Amparo, repleta de museus, ateliês, restaurantes e a Casa dos Bonecos Gigantes, onde ficam guardados os bonecos que desfilam durante o Carnaval. Caso seja um domingo, continue até o Largo do Varadouro para circular na feira de artesanato e, de quebra, acompanhar algum desfile de maracatu no final da tarde.

Entre um roteiro e outro, aproveite para apreciar o espetacular pôr-do-sol visto do Alto da Sé, depois de subir a Ladeira da Misericórdia e se encantar com a criatividade do povo pernambucano –guias, artesãos e repentistas estão por todos os lados, sempre abordando o turista, contando um pouco da história local. Aproveite para perguntar sobre algumas curiosidades da cidade, como a vida boemia no cruzamento denominado Quatros Cantos, ou ainda sobre a residência de Alceu Valença, que mantém um banheiro com a vista mais linda do Brasil.

Recife, a Veneza brasileira

Já em Recife, o visual das ladeiras é substituído por uma paisagem cortada por rios, canais e dezenas de pontes ligando um bairro ao outro. Em cada ponto, atrativos que remetem às características marcantes do Nordeste. De Boa Viagem – bairro que dá nome à democrática e belíssima praia – ao Recife Antigo, que tem a rua do Bom Jesus como referência, há muito o que ver e fazer. São igrejas, casarios coloniais e museus que guardam a rica história deste importante Estado. A metrópole reserva ainda uma infinidade de restaurantes especializados em frutos do mar e uma vida noturna animada, embalada pelos ritmos pernambucanos.

Andar por determinados bairros do Recife, como Santo Antônio, São José, Boa Vista e Recife Antigo, é como viajar no tempo e entrar na história contada através dos museus, fortes, igrejas, casarios… Uma maneira interessante de observar cada detalhe é fazendo um passeio de catamarã pelo rio Capibaribe. O tour parte do Forte das Cinco Pontas e, ao longo do percurso, revela boa parte dos atrativos dos bairros históricos.

Mais afastado do Centro, o bairro da Várzea merece uma visita. Lá estão a Oficina Cerâmica Francisco Brennand, uma mistura de ateliê, museu e jardim com imensas esculturas do artista plástico pernambucano; e o Instituto Ricardo Brennand, com coleções de obras de arte, armas brancas e armaduras.

Nos arredores de Recife e de Olinda, a beleza natural é a marca registrada. Para o norte ou para o sul, em um raio de cem quilômetros, destinos como Cabo de Santo Agostinho, Porto de Galinhas e Maria Farinha convidam a passeios que podem ser feitos em um dia. No roteiro, praias para todos os gostos e estilos.

Não deixe de:

– Bater perna pelas ladeiras de Olinda e se encantar com o belo casario, as igrejas, as paisagens e ainda curtir o clima da cidade.

– Ir à praia de Boa Viagem, considerada ponto de encontro de várias tribos. Crianças, jovens e idosos de todas as classes sociais e muitos, mas muitos estrangeiros, dividem as areias, calçadão e piscinas naturais de Boa Viagem. São sete quilômetros de areias claras, coqueiros e um mar de águas verdes pontuado por piscinas naturais formados pelos famosos arrecifes que dão nome à capital de Pernambuco. No extenso calçadão, há quiosques padronizados, pista de cooper, chuveiros, quadras de vôlei e equipamentos para musculação.

– Ir à igreja de São Bento, em Olinda. Considerada a igreja mais rica da região, São Bento é totalmente barroca – paredes de cedro talhado e coberto com ouro, painéis no teto, colunas de arenito, púlpitos trabalhados, sacristia suntuosa. O maior tesouro é o altar, com 14 metros de altura e folheado a ouro de um extremo ao outro. A obra perfeita já foi exposta no Museu Guggenheim de Nova York. Nas manhãs de domingo, os próprios monges abrem as pesadas portas de jacarandá e convidam os passantes para a missa cantada. Diariamente, no final da tarde, o pátio em frente à igreja vira ponto de encontro de moradores e turistas.

– Conhecer as obras do maior escultor vivo do Brasil, o pernambucano Francisco Brennand. A mais famosa é o obelisco no Marco Zero. Os trabalhos do artista podem ser apreciados de perto em seu ateliê de cerâmica, aberto para visitação.

– Apreciar o pôr do sol do Alto da Sé, em Olinda. Aproveite para degustar um queijo coalho ou uma tapioca de massa fininha nas muitas barraquinhas montadas no pátio da Catedral, a igreja mais importante de Olinda, com altares folheados a ouro, azulejos portugueses e o túmulo de D. Hélder Câmara, ex-arcebispo da cidade.

– Ir ao Recife Antigo. A melhor maneira de desbravar o bairro é andando a pé pelas suas ruas de paralelepípedos e pedras portuguesas. Comece pela rua do Bom Jesus, com casario peculiar holandês e galerias de arte. O tour deve incluir ainda o Observatório Cultural Torre Malakoff, que descortina uma das mais bonitas vistas da cidade; e o Teatro Apolo – inaugurado em 1846.

– Comer até se empapuçar com as delícias da culinária pernambucana. Considerado um dos maiores pólos gastronômicos do Nordeste, o eixo Recife-Olinda capricha na hora de apresentar os pratos da cozinha local. A maioria das receitas tem os frutos do mar como carro-chefe, mas os sabores do sertão também marcam presença nas mesas do litoral, como os deliciosos carcarás (bolinhos de macaxeira –como a mandioca é chamada lá em cima- recheados com carne de sol). As sobremesas merecem destaque, como o cartola (banana frita com queijo manteiga e canela) e o bolo-de-rolo (massa finíssima de pão-de-ló enrolada e recheada com goiabada derretida).

O maior Carnaval do mundo

Recife e Olinda se orgulham de ter o maior Carnaval de rua do mundo. Sim, o Galo da Madrugada está há anos no Livro dos Recordes como maior bloco carnavalesco do planeta. Já Olinda se gaba por ter suas ladeiras tomadas por milhares de foliões durante todo o período de Carnaval, com seus passistas de frevo e os famosos Bonecões de Olinda. Desde janeiro já existem as prévias nos finais de semana. Oficialmente o Carnaval em Pernambuco começa na quinta à noite. Mas a coisa pega fogo mesmo da sexta à noite até a quarta-feira de cinzas -sim, na quarta ainda tem festividades, como o bloco Bacalhau do Batata. Recife e Olinda são diferentes do Rio de Janeiro e de São Paulo por ser um Carnaval de rua, de blocos, de frevo, de maracatus. Não existe sambódromo. São apenas blocos e marchinhas que alegram e encantam milhares de novos turistas a cada ano, sendo um dos melhores de todo o Nordeste.

fotos: Zeca Almeida e Renato Lima

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