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Post: “Turismo felino”: você conhece os gatos de Istambul?

“Turismo felino”: você conhece os gatos de Istambul?

Celebridades nas redes sociais, os felinos vivem entre mesquitas, cafés e monumentos e se tornaram parte da identidade cultural da maior cidade da Turquia, atraindo turistas do mundo todo

Os felinos fazem parte da paisagem de Istambul

Quando pensamos em Istambul, logo surgem imagens do Estreito de Bósforo, da imponente Santa Sofia, da Mesquita Azul, da Torre de Gálata e dos tradicionais bondes vermelhos que percorrem a Avenida İstiklal. Entretanto, além de reunir alguns dos cartões-postais mais conhecidos do mundo, a maior cidade da Turquia também encanta os visitantes por seus habitantes mais carismáticos: os gatos.

Há séculos, os felinos fazem parte da vida cotidiana de Istambul. Eles descansam diante de lojas, circulam por mercados, ocupam cadeiras em cafés, atravessam pátios de mesquitas e observam o movimento nos bairros históricos. Não pertencem necessariamente a uma única pessoa: muitos são cuidados coletivamente por moradores e comerciantes, que deixam água, alimento e pequenos abrigos nas calçadas.

A relação teria se fortalecido ainda nos tempos em que Istambul era um importante centro comercial entre a Europa e a Ásia. Gatos que viajavam em embarcações ajudavam a controlar ratos nos navios, armazéns e mercados. Durante o período otomano, continuaram valorizados por proteger alimentos, tecidos, manuscritos e construções contra os roedores. Com o passar do tempo, tornaram-se parte da paisagem e da memória afetiva da cidade.

Tombili, gato que se tornou meme mundial ao ser fotografado em Kadıköy, virou escultura após sua morte

Celebridades de quatro patas

As redes sociais ampliaram essa fama. Hashtags como #CatsOfIstanbul e #IstanbulCats reúnem incontáveis fotografias e vídeos de felinos acomodados nos lugares mais inesperados. Um levantamento divulgado pelo Skyscanner indica que 59% dos viajantes da Geração Z procuram inspiração no Instagram, enquanto 54% recorrem ao YouTube e 47% ao TikTok. Nesse cenário, os gatos funcionam como verdadeiros – e involuntários – embaixadores do turismo local.

Um dos casos mais conhecidos é o de Tombili, gato que se tornou meme mundial ao ser fotografado descansando, despreocupadamente, apoiado em um degrau no distrito de Kadıköy. Após sua morte, em 2016, uma mobilização popular resultou na instalação de uma escultura que reproduz sua pose e permanece como atração para admiradores.

Outra celebridade foi Gli, a gata que viveu durante anos na Santa Sofia. Ela ganhou projeção internacional, acumulou milhares de seguidores nas redes sociais e chegou a ser acariciada pelo então presidente norte-americano Barack Obama durante uma visita, em 2009. Gli morreu em 2020, aos 16 anos, mas continua lembrada como um dos símbolos afetivos do monumento.

A relação especial entre a cidade e seus felinos também foi registrada no documentário Kedi, dirigido pela cineasta turca Ceyda Torun. Lançado em 2016, o filme acompanha sete gatos pelas ruas de Istambul e revela, ao mesmo tempo, histórias de moradores que encontraram no cuidado com os animais uma forma de afeto, solidariedade e pertencimento. A produção recebeu reconhecimento internacional e ajudou a apresentar esse aspecto da cultura turca a espectadores de vários países.

O contato dos turistas com os gatos deve ser respeitoso: é recomendável não acordá-los, persegui-los ou oferecer alimentos inadequados

Um roteiro guiado pelos gatos

Para quem deseja conhecer esses moradores ilustres, não é necessário seguir um roteiro rígido. Eles aparecem em praticamente toda a cidade, mas são especialmente vistos nos bairros de Sultanahmet, Balat, Galata, Cihangir e Kadıköy. Em Sultanahmet, circulam entre alguns dos principais monumentos históricos; em Balat, combinam com as fachadas coloridas e os cafés charmosos; enquanto Kadıköy, no lado asiático, proporciona cenas espontâneas entre mercados, livrarias e restaurantes. Em Galata, o Museu do Gato de Istambul reúne obras de artistas turcos e estrangeiros dedicadas à presença felina na arte e na cultura. Instalado nas proximidades da Torre de Gálata, o espaço também destina parte de seus recursos ao cuidado dos animais que vivem nas ruas.

Embora Istambul seja mundialmente conhecida por seus gatos, essa convivência pode ser observada em diferentes regiões da Turquia. Os felinos aparecem entre as ruínas da antiga cidade de Éfeso, no Teatro de Aspendos, em cidades litorâneas e em outros destinos históricos. A capital Ancara, por sua vez, deu origem ao famoso gato Angorá, conhecido pela pelagem longa e sedosa.

Para o visitante, fotografar e observar os animais faz parte da experiência. O contato, porém, deve ser respeitoso: é recomendável não acordá-los, persegui-los ou oferecer alimentos inadequados. Mais do que uma atração turística, eles são seres vivos e integrantes das comunidades que os protegem. Em Istambul, conhecer os gatos significa também compreender uma cidade que transformou a convivência entre pessoas e animais em uma de suas expressões mais delicadas.

É comum observá-los em lojas, livrarias, mercados públicos e feiras

 

fotos: AdobeStock

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