Conexão entre os dois edifícios do museu recebe “Pietrolina”, maior trabalho já realizado pela artista brasileira

O Masp inaugura nesta sexta-feira, 11 de setembro, uma passagem subterrânea que conecta os edifícios Lina Bo Bardi e Pietro Maria Bardi, sob a calçada da Avenida Paulista. Além de facilitar a circulação do público pelo complexo cultural, o novo espaço abriga uma pintura imersiva inédita de Beatriz Milhazes.
Batizada de Pietrolina, a obra foi desenvolvida especialmente para o local e homenageia Pietro Maria Bardi e Lina Bo Bardi, casal fundador do museu e responsável por parte importante de sua história. Com curadoria de Adriano Pedrosa e Amanda Carneiro, o trabalho possui 98 metros de extensão e é considerado o maior já realizado pela artista.
A intervenção reúne uma pintura de 60 metros lineares e diversos elementos reflexivos distribuídos por uma parede de 38 metros. A disposição acompanha o percurso dos visitantes e cria diferentes experiências visuais durante a travessia entre os dois prédios. Arabescos, listras, formas orgânicas e motivos florais, elementos recorrentes na produção de Beatriz Milhazes, aparecem em uma composição marcada pela intensidade das cores. O ritmo visual remete à sucessão de formas e movimentos dos desfiles de Carnaval.
A elaboração do projeto levou mais de dois anos. A artista iniciou o processo com um desenho e, posteriormente, realizou um estudo cromático que resultou na escolha de 33 tintas acrílicas. A execução dentro da passagem subterrânea durou aproximadamente três meses. Pietrolina também dialoga com Avenida Paulista, obra criada por Milhazes em 2020 e posteriormente doada ao acervo do Masp. Naquele ano, o museu apresentou uma retrospectiva com mais de 170 trabalhos da artista, considerada a maior exposição panorâmica já dedicada à sua trajetória.
O azul que marcou aquela mostra volta a ocupar posição de destaque na nova intervenção, aparecendo no teto e em uma das paredes da passagem. Segundo a curadora Amanda Carneiro, a tonalidade ficou tão associada à exposição que passou a ser chamada internamente de “Azul Beatriz”.

Arte e arquitetura no mesmo percurso
Com 50 metros de extensão, cinco metros de largura e 2,5 metros de altura, a nova passagem permite que os visitantes circulem de maneira contínua pela programação dos dois edifícios. A estrutura também facilitará o transporte seguro de obras de arte, equipamentos e equipes técnicas.
O projeto da conexão começou a ser desenvolvido em 2019 e exigiu estudos e autorizações de diferentes órgãos públicos. As obras tiveram início em 2023 e incluíram intervenções nas redes de água, esgoto, energia e telefonia, além de escavações e posterior recomposição da calçada da Avenida Paulista.
Reconhecida internacionalmente, Beatriz Milhazes possui trabalhos em instituições como o Museum of Modern Art (MoMA), em Nova York; Tate Modern, em Londres; Centro Georges Pompidou, em Paris; e Museu Reina Sofía, em Madri. No Brasil, suas obras integram, entre outros, os acervos do Masp, da Pinacoteca de São Paulo e do Museu de Arte Moderna de São Paulo.


MAIS:
Passagem subterrânea e obra Pietrolina, de Beatriz Milhazes
Local: Masp (Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand)
Avenida Paulista, 1.578, Bela Vista, São Paulo
Horários: terça-feira, das 10h às 20h; quarta e quinta-feira, das 10h às 18h; sexta-feira, das 10h às 21h; sábado e domingo, das 10h às 18h. Fechado às segundas-feiras
Ingressos: R$ 85 (inteira) e R$ 42 (meia-entrada)
Entrada gratuita às terças-feiras e às sextas-feiras, das 18h às 20h30
Agendamento obrigatório: masp.org.br/ingressos
fotos: Rômulo Fialdini e Eduardo Ortega




