Museu mais antigo de São Paulo reúne uma coleção de mais de 12 mil obras em seu acervo; Conheça a história do seu icônico edifício

A Pinacoteca de São Paulo, museu da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo, comemora 120 anos. A instituição é um importante pilar na construção da história da arte brasileira desde a sua fundação, em 24 de dezembro de 1905. Ao longo de sua história, a Pina adquiriu uma renomada coleção de arte brasileira e anualmente realiza parcerias fundamentais para a organização de exposições temporárias de artistas nacionais e internacionais. A programação para 2025 incluiu 18 exposições, com destaque para as mostras coletivas Pop Brasil e Trabalho de Carnaval, além de exposições das artistas Beatriz González, Dominique Gonzalez-Foerster e Mônica Ventura.
Em média, a Pina recebe 67 mil visitantes por mês em sua programação de exposições e atividades integradas entre seus três edifícios: Pina Luz, Pina Estação e Pina Contemporânea. Desde a abertura do novo prédio, em 2023, o museu ampliou a programação de exposições temporárias e passou a oferecer uma programação cultural diversificada e gratuita. Nos últimos dez anos, o museu recebeu 6 milhões de visitantes, que prestigiaram grandes exposições como OSGEMEOS (2020), Adriana Varejão (2022) e Marta Minujín: ao vivo (2023), mostra que bateu recorde de visitação e levou 305 mil pessoas ao edifício Pinacoteca Luz.
Reverberando a ampla produção artística nacional, a Pina reúne uma coleção de mais de 12 mil obras em seu acervo. Dessas, cerca de mil obras compõem a exposição permanente, Pinacoteca: Acervo, que reúne trabalhos de mais de 400 artistas nas 19 salas expositivas do edifício Pinacoteca Luz. A reformulação da mostra permanente teve início em 2020, baseada em um esforço intencional de compreensão da história da instituição e ampliação da presença de artistas mulheres, artistas negros e indígenas, além de pessoas artistas LGBTQIA+.
“Cento e vinte anos da Pinacoteca de São Paulo – sempre viva e contemporânea – é a história de um museu que se reinventa e transforma constantemente. Como? Para quem? São questionamentos que permeiam a construção de um museu dentro da sociedade, que deve existir tanto como um lugar de guarda de patrimônio, quanto espaço de experimentação, educação e construção de culturas a partir de perspectivas compartilhadas. Também para os próximos 120 anos a Pinacoteca deseja ser um verdadeiro espaço público e plural, onde perspectivas autônomas de todas as pessoas possam dialogar”, observa Jochen Volz, diretor geral da Pinacoteca.
Conheça a história dos edifícios
O primeiro edifício da Pinacoteca foi projetado no final do século XIX para ser o Liceu de Artes e Ofícios. O acervo original foi formado a partir da transferência de 20 obras do Museu Paulista da Universidade de São Paulo, em 1905, juntamente com outras seis adquiridas de importantes artistas, como o ituano Almeida Júnior, Pedro Alexandrino e Nicota Bayeux.
Ao longo do século XX, a Pina se tornou um espaço de experimentação artística, com diferentes políticas e estratégias para aquisição de obras, que garantiram a incorporação de trabalhos fundamentais ao acervo do museu. Ainda na primeira metade do século XX, por meio de pensionatos artísticos e aquisições estratégicas do governo de São Paulo, pinturas de artistas como Lasar Segall e Tarsila do Amaral foram adquiridas. Nas décadas de 1970 e 1990, Aracy Amaral e Emanoel Araújo, ex-diretores do museu, ampliaram radicalmente o perfil do acervo da Pinacoteca.
Ainda na década 1990, o arquiteto Paulo Mendes da Rocha fez uma grande intervenção arquitetônica no edifício Pinacoteca Luz, que o transformou no espaço tão icônico no centro de São Paulo. O arquiteto foi homenageado com o Prêmio Pritzker 2006, maior reconhecimento internacional da arquitetura, pela obra da Pinacoteca. É a partir desse momento que os pátios do edifício são cobertos com claraboias, as janelas e portas internas foram abertas, a principal entrada foi deslocada para a praça da Luz e a circulação pelo museu se deu por passarelas. É também nesse período que o Octógono, espaço central do edifício, se torna uma área expositiva estratégica. Por mais de três décadas o vão de 200 m² havia funcionado como um teatro de arena, fato que demonstra a vocação histórica da Pinacoteca para o experimentalismo. Desde 2003, o Octógono recebeu 76 trabalhos e instalações de importantes artistas brasileiros e internacionais como William Kentridge (2013), Laura Lima (2018), OSGEMEOS (2020), Denilson Baniwa e Sonia Gomes (ambos 2023).
A Pinacoteca Estação é o segundo edifício da Pinacoteca de São Paulo e parte do conjunto arquitetônico do conjunto ferroviário da The São Paulo Railway, hoje conhecido como Complexo Cultural Julio Prestes. O prédio histórico é dividido com o Memorial da Resistência de São Paulo, que se dedica à preservação das memórias de enfrentamento à repressão política do Brasil republicano. Desde 2004, a Pina Estação abriga exposições temporárias principalmente de arte contemporânea, incluindo importantes exposições panorâmicas de protagonistas fundamentais da arte brasileira como Lygia Pape (2012), Marepe (2019), e Renata Lucas (2024), e de artistas internacionais como Andy Warhol (2010), Doris Salcedo (2012), Joan Jonas (2020), entre muitos outros.
O ano de 2023 foi um marco para a história recente do museu, que inaugurou seu terceiro edifício, a Pina Contemporânea. Integrada ao centenário Parque da Luz, o espaço conta com duas galerias expositivas – a Galeria Praça, que exibe exposições experimentais, e a Grande Galeria, que permite ao museu explorar o espaço de 1000 m² com obras de grandes dimensões, além de uma grande praça pública pensada para ser um espaço de convivência e receber a programação cultural.

Estudos sobre as obras de Almeida Jr.
A instituição conta com um Núcleo de Conservação e Restauro que abrange o Laboratório de Conservação e Restauro e as Reservas Técnicas. Trabalhando para ampliar as questões que envolvem a conservação preventiva e curativa, o núcleo é hoje referência para museus de todo o Brasil.
Em 2024, com apoio do Instituto de Física da Universidade de São Paulo, as obras “Caipira picando fumo” (1893) e “Amolação interrompida” (1894), do pintor ituano Almeida Júnior, passaram por exames físicos e químicos. A equipe, liderada pela professora Marcia Rizzutto, conseguiu identificar como o artista trabalhava a relação entre a estrutura do desenho e a cor, além de levantar hipóteses sobre como as cores dos trabalhos podem ter mudado com o tempo.
Além disso, a Biblioteca de Artes Visuais, localizada na Pina Contemporânea desde 2023, mantém os acervos bibliográfico e documental especializados em artes visuais, além de ser responsável pela organização e guarda da arquivos históricos, fundos e coleções pessoais.
Desde 2012, o Programa de Patronos da Arte Contemporânea tem um papel essencial na ampliação do acervo, com doações anuais destinadas exclusivamente à aquisição de obras de arte, que contribui para a ampliação da representatividade na coleção. Desde o início do programa, 154 trabalhos foram incorporados ao acervo. Além disso, a Pina conta com o Programa de Amigos do museu, uma iniciativa que convida o público a estar mais perto das atividades da instituição. A comunidade atualmente soma mais de 1,5 mil apoiadores.
fotos: Renato Lima





