
Em 2025, a SPFW (São Paulo Fashion Week) completa 30 anos. Três décadas depois de sua criação, o evento se firmou como a principal vitrine da moda brasileira, impulsionando estilistas, movimentando a economia criativa e redefinindo o que é fazer moda no Brasil.
A partir desta segunda-feira, 13 de outubro, o evento chega à 60ª edição com 38 desfiles ocupando diversos pontos da capital paulista durante uma semana, dias nos quais os fundadores do evento, Paulo Borges e Graça Cabral, esperam que as passarelas tragam um pouco de fantasia à vida.
Criada por Borges em 1995, com o nome de Morumbi Fashion, a SPFW nasceu com o objetivo de profissionalizar o setor e projetar o design nacional no mercado internacional. Em pouco tempo, se tornou o maior evento de moda da América Latina e referência global em criatividade, diversidade e inovação.
Ao longo dos anos, a SPFW consolidou marcas, formou talentos e ajudou a construir uma identidade visual brasileira: plural, tropical, urbana e politizada.
Momentos que marcaram época
A história da SPFW é marcada por momentos icônicos. Entre eles:
- Alexandre Herchcovitch (1998), com caveiras em vestidos de noiva e uma abordagem ousada que rompeu com o conservadorismo estético.
- Gisele Bündchen na Colcci (anos 2000), coroando a ascensão da top gaúcha como símbolo global da moda.
- Osklen, com coleções que integraram sustentabilidade e moda antes que isso fosse tendência.
- Ronaldo Fraga, que fez da passarela um palco para questões sociais, como em 2016, ao homenagear os refugiados.
- Isaac Silva (2020), que afirmou “Acredite no seu axé” e colocou corpos negros, indígenas e trans no centro da cena fashion.
- Jum Nakao (2004), com o histórico desfile “A Costura do Invisível”, em que modelos usaram roupas feitas inteiramente de papel. Ao final, as peças foram rasgadas ao vivo na passarela, um ato performático que questionava o efêmero na moda e chocou o público. O desfile é lembrado até hoje como um dos mais impactantes da história da SPFW.

Ao longo dos anos, a SPFW também precisou se adaptar. Durante muito tempo criticada por privilegiar modelos brancas e corpos padrão, a semana de moda passou por mudanças significativas. A partir de 2020, firmou um compromisso de ter ao menos 50% de modelos racializados nas passarelas – e esse marco redefiniu o evento.
A diversidade, que antes era exceção, hoje é um pilar. Marcas como Ateliê Mão de Mãe, Meninos Rei e Silvério trazem novas narrativas e valorizam saberes ancestrais, práticas sustentáveis e identidade periférica.

Novos estilistas
A SPFW sempre foi um celeiro de talentos. Estilistas como João Pimenta, Lilly Sarti, Weider Silveiro, Naya Violeta e Rafael Caetano ganharam projeção nacional após suas participações. Desde 2017, o projeto Estufa vem renovando a cena ao dar espaço a criadores independentes e inovadores, conectando moda, tecnologia e ativismo.
O impacto da SPFW vai além da passarela. A semana de moda ajudou a profissionalizar todo um setor, do design ao marketing, da costura à exportação. Hoje, o Brasil é um dos maiores mercados consumidores de moda do mundo, e muito disso passa pela visibilidade e estrutura que o evento ajudou a construir. Além disso, o evento atrai compradores, investidores e imprensa internacional, movimentando milhões de reais e colocando a criatividade brasileira no centro do mapa global.
Trinta anos depois, a SPFW segue como um termômetro da cultura e da sociedade. Em um mundo cada vez mais digital, diverso e engajado, o evento busca se manter relevante: mais sustentável, mais inclusivo e mais aberto ao novo.


fotos: Agência Fotosite/Arquivo







