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Post: Daniel fala de programa na TV, sucesso e paternidade

Daniel fala de programa na TV, sucesso e paternidade

Ícone da música sertaneja, Daniel desvenda a essência de sua trajetória em uma conversa exclusiva com a Regional sobre família e música

Daniel em ensaio especial

Em uma conversa com a Revista Regional, o cantor Daniel abre as portas de seu universo particular, compartilhando os bastidores de uma vida dedicada à música, à família e à arte de se reinventar. Ele nos leva por uma jornada que vai além dos palcos, revelando a emoção de revisitar suas raízes no programa “Viver Sertanejo”, da TV Globo, e a importância de dar voz às histórias que moldaram o ritmo de um país. “O que mais me instigou no projeto foi estar à vontade, fazendo algo que sempre faço: receber pessoas, estar perto de amigos e da família. Sou um agregador dentro de casa”, confessa o artista, destacando a naturalidade que permeia cada projeto em que se aventura. Com a sensibilidade que o tornou um dos maiores nomes da música brasileira, Daniel mergulha em memórias afetivas, relembrando a inesquecível parceria com João Paulo e o impacto duradouro de sua arte. “Sinto-o sempre presente quando estou no palco. Ele era um irmão, muito antes de formarmos uma dupla”, ele se emociona ao falar sobre a turnê que celebra 40 anos de João Paulo & Daniel.

 

Pai de três meninas – Lara, Luiza e Olívia –, o cantor também reflete sobre o delicado equilíbrio entre a intensa rotina artística e a paternidade, revelando como a família é seu maior trunfo: “Sempre coloquei minha família em primeiro lugar e, em segundo, o amor e a paixão que tenho pela música”, afirma, ressaltando a prioridade que dá aos momentos ao lado das filhas e da esposa. Uma entrevista especial nesta edição que celebra o Dia dos Pais que inspira e revela o “homem Daniel” por trás do artista, confirmando que a verdadeira conexão com o público reside na essência e na verdade.

 

REVISTA REGIONAL: O convite para apresentar o programa dominical “Viver Sertanejo”, na Globo, certamente trouxe novos desafios e possibilidades. O que mais te instigou nessa proposta e como enxerga a importância de dar voz às histórias do universo sertanejo através desse formato?

DANIEL: O que mais me instigou no projeto foi estar à vontade, fazendo algo que sempre faço: receber pessoas, estar perto de amigos e da família. Sou um agregador dentro de casa. Quando se trata de superar obstáculos, tudo na vida exige esforço, mas sempre tive algumas preocupações: será que vou corresponder à altura? Será que dará certo? Essas sempre foram as minhas perguntas. Mas, graças a Deus, pelo que sinto, a resposta tem sido muito positiva e espero que todos estejam gostando tanto quanto eu. Estou amando poder fazer algo tão natural e verdadeiro.

 

Daniel, ao longo das entrevistas no “Viver Sertanejo”, houve algum encontro ou história compartilhada no programa que tenha te tocado de forma especial, a ponto de te transportar imediatamente para um momento marcante da sua própria trajetória? 

O “Viver Sertanejo” é uma grande oportunidade que tenho de encontrar pessoas que ainda não conhecia pessoalmente, mas cujo trabalho e história já acompanhava. Também é uma chance de rever amigos que fiz ao longo da minha carreira e trajetória, não só artistas, mas amigos de verdade, e de estar diante de pessoas que são ídolos, parte integrante da minha história e referências para mim. Deparei-me com muitas histórias e situações que me tocaram profundamente. Por exemplo, ao receber Rick & Renner, conversamos sobre a canção “Filha”, que o Rick compôs para a Mônica, sua filha. Lembro-me exatamente de quando fui convidado para ser padrinho dela em sua festa de 15 anos; ele me mostrou a música em primeira mão, e foi uma emoção enorme. Hoje, vivo uma situação muito parecida: a Lara, nossa primogênita, também completou 15 anos e, coincidentemente, no dia em que gravei o programa com Rick & Renner, era o dia da festa dela. Fiquei muito emocionado, foi um momento único para mim. Cheguei à festa, tentei cantar a música e não consegui, me emocionei demais… Imagine você, em sua casa, recebendo seus ídolos; tudo o que se fala, todas as histórias e canções trazem à tona memórias do passado, de experiências já vividas. Para mim, o “Viver Sertanejo” é isso: a possibilidade de viver tudo isso intensamente, a todo momento.

Daniel em ensaio especial

Em recente entrevista, você destacou a importância de manter sua essência como ser humano e artista ao longo desses anos de carreira, ressaltando que o público se conecta não só com a voz, mas com o “homem Daniel”. Como você enxerga a evolução dessa conexão pessoal com os fãs em um mundo cada vez mais digital e instantâneo, onde a imagem muitas vezes se sobrepõe à essência? 

Acho que a grande prova dessa influência, dessa memória afetiva, é o que estamos vivendo atualmente. Percebo o retorno de muitas coisas, de muitas canções nas emissoras de rádio, músicas que marcaram minha época e os áureos momentos que vivi. Está mais do que provado que tudo o que se faz com o coração, com a alma, trazendo a própria verdade, não se perde ao longo do tempo. A música tem esse poder, sabe? De se eternizar. Por isso, acredito que tudo aquilo que é plantado da forma correta estará sempre ressurgindo e terá sempre um toque especial na vida das pessoas.

 

Pensando no resgate das suas raízes, como você analisa o papel da memória afetiva e da colaboração entre artistas na construção da identidade da música sertaneja atualmente? De que forma essa valorização do passado influencia suas escolhas artísticas para o futuro?

Eu acho de fundamental importância se basear em coisas que deram certo, em acontecimentos reais que tocaram o coração das pessoas. Esse é o caminho, essa é a nossa escola. Por isso, sempre acreditei que falar de amor nunca é demais. Existem várias maneiras de se falar sobre amor, e vamos descobrindo essas formas ao longo do caminho, mas é muito importante não deixar esse sentimento se perder com o passar do tempo. Apesar de toda a tecnologia de hoje em dia, o amor permanece. Não tenho dúvida disso.

 

Daniel, ao revisitar essa trajetória tão intensa e marcada pela parceria com João Paulo (a dupla faria 40 anos), como a memória e a presença dele continuam influenciando não só sua interpretação no palco, mas também a forma como você enxerga o seu papel na evolução da música sertaneja para as novas gerações?

Sinto-o sempre presente quando estou no palco. Ele era um irmão, muito antes de formarmos uma dupla. Revisitar essa época, selecionar o repertório musical, estar ao lado da Jéssica, filha do João Paulo, e receber a receptividade do público em todos os lugares onde nos apresentamos são sempre motivos de muita emoção e alegria para mim. Acredito que deixamos uma marca no coração das pessoas enquanto dupla; o jeito dele era muito especial, e isso foi motivo de celebração para mim e para todos que me acompanharam ao longo da turnê. A lembrança dele segue viva na minha memória e permanecerá comigo até o fim.

 

Daniel, você leva uma vida tranquila em sua fazenda com a família. Como a vida na fazenda em Brotas influencia sua inspiração musical e seu processo criativo?

O que mais me inspira é poder estar ao lado das pessoas que amo, e minha cidade é meu refúgio, sempre foi. Nunca me desvinculei dali; essa energia sempre esteve comigo. A fazenda, para mim, é como uma extensão: o contato com a terra, com a natureza. Moramos na cidade, mas ela é colada à fazenda. A cidade também é uma grande fazenda, não deixa de ser. Tudo isso me traz uma inspiração incrível para continuar fazendo o que gosto, o que amo, e seguir produzindo. Estar bem é fundamental para transmitir tudo isso às pessoas que me acompanham. Se não estivermos bem, não vale a pena. Nossa missão é muito complexa, é uma responsabilidade imensa: por meio da música, sermos instrumentos de paz, alegria, amor e felicidade.

Daniel em ensaio especial

Sendo pai de três meninas com idades tão diferentes — Lara, que acaba de completar 15 anos, Luiza, de 13, e a pequena Olivia, de 3 anos — como você encara o desafio de equilibrar a intensa rotina artística com a paternidade em fases tão distintas da infância e adolescência? De que forma essa experiência influencia sua visão de vida e suas escolhas dentro e fora dos palcos?

Saber entender o que realmente queremos é muito importante. Sempre coloquei minha família em primeiro lugar e, em segundo, o amor e a paixão que tenho pela música. A partir daí, as coisas foram acontecendo naturalmente. Quando vivi a experiência incrível da paternidade, precisei escolher como conduzir minha vida. Optei por minimizar o tempo na estrada em relação à carreira, estar menos fora de casa e procurar passar o máximo de tempo possível com minhas filhas, minha esposa e minha família como um todo, vivendo intensamente cada fase da vida delas. É interessante, porque aprendemos cada vez mais com elas; é uma experiência única. Também busquei não perder a condução da carreira, mesmo fazendo isso de forma diferente e estando mais presente em casa. Vamos sentindo isso: quando percebemos que as coisas estão tomando um rumo diferente do que gostaríamos, puxamos as rédeas e trazemos novamente para o nosso norte. Deus tem sido muito generoso comigo, pois me permite tudo isso, inclusive a possibilidade de me programar de forma diferente em relação à carreira. Poderia ser diferente, talvez eu não tivesse essa oportunidade, mas estou tendo e está indo muito bem. Estamos conseguindo dar prioridade à família, nosso maior trunfo, e a carreira segue em paralelo, uma coisa puxando a outra. Vejo um talento incrível nas meninas: a Lara e a Luiza, como bailarinas, herdaram esse dom da Aline, que inclusive tem uma escola de dança. A arte sempre esteve presente em nossa casa, fez com que elas entendessem o quanto isso faz bem. Se quiserem ser cantoras, tanto a Lara quanto a Luiza poderiam tranquilamente. Percebo uma vontade maior na Lara, então, sempre que possível, a convido para cantar comigo em alguns shows, e é muito bacana, muito gostoso. É uma sensação diferente e única quando ela participa, assim como quando meu pai (José Sebastião Camillo) canta comigo. A Olívia também já demonstra algum talento. A música faz parte do nosso dia a dia e convive com a gente desde sempre.

 

Para fechar a nossa entrevista, quais projetos ou sonhos você ainda gostaria de realizar, tanto na música quanto na vida pessoal?

O desejo de seguir em frente, continuar minha jornada e minha missão. Tentar realizá-la com a maior competência e maestria, deixando um rastro positivo para aqueles que passarem por aqui amanhã e, de repente, de alguma forma, lembrarem de mim. Ao longo desse caminho, os sonhos vão surgindo, assim como as ideias e vontades, e a gente vai tentando realizá-los.

 

texto: Ester Jacopetti

fotos: Fabio Nunes

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