Comprometida com causas sociais, Danni atua como Apoiadora de Alto Perfil da ACNUR (agência da ONU para refugiados), ministra aulas a refugiados e realiza, há 26 anos, seus próprios projetos sociais; Destaca-se ainda no campo acadêmico, especialmente na área da Neurociência

Dona de uma trajetória profissional intensa e plural, Danni Suzuki é o tipo raro de artista que quebra barreiras sem alarde. Atriz, diretora, roteirista, apresentadora, palestrante e ativista social, ela construiu uma carreira sólida que transita com naturalidade entre a arte, a educação e o compromisso humano. E é justamente esse equilíbrio entre criação e consciência que a torna uma figura tão relevante. Danni iniciou sua jornada artística ainda na infância, no ballet clássico, passando por musicais, novelas da TV, cinema e streaming, até chegar a protagonizar seu primeiro drama internacional em inglês, Secrets, papel que lhe rendeu uma indicação de Melhor Atriz no Marbella International Film Festival. Hoje, ela integra o elenco das séries Capoeiras (Disney+) e (In)Vulneráveis (Universal TV), reafirmando sua presença de destaque nas plataformas globais. Mas Danni não para por aí — nem quer. Além de seu reconhecimento como artista, ela destaca-se no campo acadêmico, especialmente na área da Neurociência. Pós-graduada em Neurociência e Comportamento pela PUC-RS, ela tornou-se professora convidada da própria instituição em 2024, integrando a grade de cursos de pós-graduação em Marketing Digital e Influência com foco em conexões emocionais. Seu interesse pelo comportamento humano reflete-se também em sua atuação como palestrante, com quatro apresentações no TED em que aborda temas como inteligência emocional, empatia e os impactos das tecnologias nas relações humanas. Há mais de 26 anos, dedica-se ainda a projetos sociais próprios, com foco especial em famílias refugiadas. É Apoiadora de Alto Perfil da ACNUR (agência da ONU para refugiados), ministra aulas a refugiados, e recentemente assumiu novos papéis institucionais como Diretora Social do Instituto Cultural Brasil Japão e Membro Fundador da Academia Brasileira de Neurociência e Psicoespiritualidade da UERJ. Com uma formação que cruza ballet, design industrial, direção cinematográfica e Neurociência, Danni Suzuki é uma mulher que vive para aprender, criar e transformar. Nesta entrevista exclusiva à Revista Regional, ela fala sobre suas múltiplas frentes de atuação, os bastidores de seus novos trabalhos e a força de um propósito que vai muito além dos holofotes.

REVISTA REGIONAL: No seu novo filme, “Segredos”, você se tornou a primeira brasileira com ascendência asiática a protagonizar um longa. Temos visto nos últimos anos um protagonismo negro, tardio, claro, mas ainda não vemos o mesmo esforço no sentido de dar visibilidade à população asiática, que tem uma colônia enorme no Brasil. Como vê esse importante marco na questão da representatividade e da diversidade no audiovisual?
DANNI SUZUKI: Estou muito feliz em fazer parte desse marco com “Segredos”. A representatividade é fundamental, e vejo a população asiática no Brasil, apesar de sua grande colônia, ainda sub-representada no audiovisual. Esse filme é mais uma oportunidade de abrir portas e trazer mais diversidade para as telas, mostrando que histórias de diferentes culturas e experiências são essenciais na construção de uma sociedade mais inclusiva. E certamente é preciso que exista um movimento por parte dos criadores, roteiristas, produtores, diretores e também dos canais. Uma mudança mesmo de mentalidade para que ampliem seu olhar.
Fale-nos um pouco desse novo trabalho e da sua personagem, a Naomi, que, inclusive, traz outra questão importante nos tempos atuais que são os relacionamentos abusivos.
Naomi é uma mulher forte, que, como muitas mulheres no mundo, enfrenta desafios muito reais, como o de relacionamento abusivo. Através dela, o filme traz à tona uma conversa importante sobre a violência emocional e física que muitas pessoas escondem. É essencial que possamos discutir esses temas, para que mais pessoas se sintam encorajadas a buscar ajuda e a lutar por suas vidas. A arte tem esse poder de mexer com as emoções e inspirar mudanças.
Danni, além do filme, você também apresenta o reality de moda “New Faces”, no Universal+. Como tem sido essa experiência? Na sua opinião, o que mudou na questão comportamental da sociedade em relação à moda e ao consumo, principalmente no pós-pandemia e por conta das questões ambientais?
Apresentar “New Faces” tem sido incrível! A moda, especialmente após a pandemia, passou a ser mais consciente e inclusiva. As pessoas estão mais atentas ao que consomem e como isso impacta o meio ambiente. Essa mudança de comportamento é muito positiva, pois estamos vendo um movimento em direção à sustentabilidade e à valorização da diversidade. Um movimento que precisa acontecer e mais do que isso, ficar e se tornar parte da nossa cultura.

Poucos sabem, mas além de atriz, apresentadora, roteirista e diretora, você é pós-graduada em Neurociência e leciona numa universidade do Rio. Como foi essa escolha pela área e como tem sido essa experiência, inclusive como palestrante?
Minha paixão pela Neurociência nasceu do desejo de entender melhor o comportamento humano, algo fundamental para o meu próprio crescimento intelectual e espiritual. Lecionar tem sido uma experiência enriquecedora, tanto para mim quanto para meus alunos. Até porque aprendo muito com eles. As palestras me permitem compartilhar meus conhecimentos, minhas experiências e, ao mesmo tempo, me inspira a pesquisar mais e estudar mais.
Com 26 anos de envolvimento em causas sociais, você foi anunciada como Apoiadora de Alto Perfil da ACNUR, agência da ONU para os refugiados. Como tem sido essa atuação e como vê o envolvimento do Brasil nessa importante causa que divide a opinião de tantas pessoas, principalmente na Europa?
Ser Apoiadora de Alto Perfil da ACNUR é uma honra e uma responsabilidade. Meu trabalho tem sido focado em aumentar a conscientização sobre a situação dos refugiados e a importância de acolher essas pessoas, assim como atuar diretamente com eles dando aulas, ajudando no desenvolvimento da inteligência emocional e na integração. O Brasil, apesar de suas dificuldades, tem mostrado solidariedade, mas é fundamental continuar o diálogo e superar as divisões que existem, especialmente na Europa. O refugiado precisa ser visto também como pessoas que têm muito a contribuir conosco, porque eles trazem uma nova cultura, uma nova perspectiva da vida e isso pra gente também é enriquecedor.
Pensa em viajar novamente até algum campo de refugiado ou zona de guerra para dar maior visibilidade à causa? Você e sua equipe estiveram gravando um documentário sobre crianças deslocadas em regiões da Turquia, Líbano, Síria e aqui mesmo no Brasil, na fronteira com a Venezuela. Que experiência traz de todos esses lugares e o que isso mudou na sua percepção de mundo?
Não sei ainda exatamente quando retornarei a campo, mas a experiência de rodar um documentário sobre crianças refugiadas foi transformadora. Estar com elas, ouvir suas histórias e ver a força e resiliência com que enfrentam tantas dificuldades mudou completamente minha percepção de mundo. Aprendi que, em meio ao pior sofrimento, o que nos sustenta mesmo é a fé em Deus.

Você também leciona aulas online para refugiados de 16 a 66 anos no projeto “Passaporte Digital”. Conte-nos essa experiência. Acredito que mais do que ensinar, você acaba aprendendo muito com essas pessoas vindas de nove países diferentes, correto?
O projeto tem sido uma experiência incrível. Ensinar para refugiados de diferentes idades e origens é desafiador, mas extremamente gratificante. Aprendo tanto quanto ensino, pois cada um deles traz uma perspectiva única e valiosa, é muito produtivo para todos! O nosso aprendizado é coletivo.
Quando será lançado o documentário e onde será exibido?
O documentário está previsto para ser lançado no próximo semestre, e estamos buscando exibições em festivais de cinema e plataformas de streaming. Queremos que ele chegue ao maior número de pessoas possível.
Na TV, pretende voltar a atuar em novelas? Conte-nos sobre seus novos projetos.
Estou sempre aberta a boas novas oportunidades. Não consigo ficar parada, estou sempre desenvolvendo novos projetos que envolvem tanto atuação quanto direção, produção, apresentando programas, escrevendo roteiro e também com minhas palestras. Ser criadora é algo que me preenche muito, é o que quero fazer: contar histórias, tocar o coração das pessoas e promover mudanças significativas!
entrevista e texto: Renato Lima
fotos: Nanda Araújo




