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Exposição em Piracicaba homenageia os ituanos Almeida Jr. e Miguelzinho Dutra

Mostra “Caipiras: das tropas à moda de viola” reúne cerca de 50 obras e destaca a contribuição dos dois artistas nascidos em Itu para a construção da arte paulista

Almeida Júnior (Itu, SP, 1850 – Piracicaba, SP, 1899) / Caipira picando fumo (primeira versão), 1893. Pinacoteca de São Paulo. Crédito: Isabella Matheus/Pinacoteca de São Paulo

Dois nomes ilustres nascidos em Itu ganham destaque em uma importante exposição que será aberta no próximo dia 26 de setembro, em Piracicaba. Almeida Júnior e Miguelzinho Dutra estão entre os artistas presentes em “Caipiras: das tropas à moda de viola”, mostra realizada pela Pinacoteca de São Paulo em parceria com a Pinacoteca Municipal Miguel Dutra.

Com curadoria de Yuri Quevedo, a exposição reúne cerca de 50 obras de 28 artistas pertencentes ao acervo da Pinacoteca de São Paulo. O conjunto propõe uma reflexão sobre a maneira como a figura do caipira paulista foi representada pela arte ao longo do tempo, abordando o cotidiano rural, o trabalho no campo, as tradições culturais e também as tensões sociais e raciais presentes nessas construções.

Almeida Júnior, nascido em Itu em 1850 e falecido em Piracicaba em 1899, é o nome central da exposição. Suas obras atravessam os três núcleos temáticos da mostra e revelam diferentes aspectos da vida no interior paulista. Entre os trabalhos selecionados estão as primeiras versões de “Caipira Picando Fumo” e “Amolação Interrompida”, ambas de 1893, além de “Nhá Chica”, “Apertando o Lombilho”, “Cozinha Caipira” e “O Violeiro”. Também poderão ser vistos estudos realizados pelo artista para obras como “Caipiras Negaceando” e “Partida da Monção”, além de paisagens e do “Retrato do Dr. Cesário Motta”, médico e político que teve participação decisiva na encomenda de trabalhos regionalistas destinados ao então Museu Paulista.

Reconhecido como um dos grandes nomes da pintura brasileira do século XIX, Almeida Júnior tornou-se célebre por retratar personagens, costumes e cenas do Interior com uma abordagem inovadora para sua época. Em sua produção, o trabalhador rural deixou de ser apenas um elemento secundário e passou a ocupar o centro das composições.

Legado de Miguelzinho Dutra

Outro ituano homenageado pela exposição é Miguel Arcanjo Benício de Assumpção Dutra, o Miguelzinho Dutra, que nasceu em Itu em 1812 e morreu em Piracicaba em 1875. Artista multifacetado, atuou como pintor, escultor, arquiteto, poeta, entalhador, ourives e músico. Na mostra, Miguelzinho, que dá nome à Pinacoteca de Piracicaba, está representado por um conjunto de aquarelas de viagem produzidas durante a década de 1840. Os trabalhos registram paisagens e aspectos do Interior paulista no século XIX, constituindo importantes documentos artísticos e históricos daquele período.

Sua relação com Piracicaba foi tão significativa que o artista se tornou patrono da Pinacoteca Municipal da cidade, instituição que recebe a exposição. Inaugurada em 1969, a Pinacoteca Municipal Miguel Dutra funciona atualmente no Armazém 14A do Parque do Engenho Central. Ao reunir obras de Almeida Júnior e Miguelzinho Dutra, “Caipiras: das tropas à moda de viola” evidencia a importância de dois artistas nascidos em Itu e profundamente ligados à memória visual do Interior paulista. A exposição também aproxima as trajetórias de Itu e Piracicaba, cidades que ocupam lugares fundamentais na vida e na produção dos dois homenageados.

Novo olhar sobre a figura do caipira

A mostra está organizada em três núcleos temáticos: o primeiro, “A construção dos caipiras”, parte de obras de Almeida Júnior para discutir a pintura de gênero, dedicada ao cotidiano e aos diferentes tipos sociais. O núcleo analisa criticamente a construção do caipira como símbolo ancestral dos paulistas. Segundo a curadoria, essa representação esteve relacionada a um projeto político e cultural do final do século XIX que privilegiava uma ideia de miscigenação entre indígenas e europeus, frequentemente apagando a presença da população negra na formação social do Estado.

O segundo núcleo, “Tropeiros, derrubadores e bandeirantes”, apresenta registros de viajantes, representações de tropeiros e bandeirantes e paisagens que documentam a derrubada da mata nativa ao longo de aproximadamente oito décadas. Já o terceiro, “Os tempos mudam: a moda de viola e a nostalgia”, aborda a vida doméstica, os hábitos, as crenças e as manifestações culturais ligadas ao universo caipira. Nesse conjunto, os personagens do campo ganham maior densidade humana e passam a protagonizar narrativas dramáticas e afetivas.

Além dos dois ituanos, a mostra reúne trabalhos de artistas como Henrique Bernardelli, Monteiro França, Johann Moritz Rugendas, Jean Baptiste Debret, Pedro Alexandrino, Oscar Pereira da Silva e Antonio Parreiras. “Caipiras: das tropas à moda de viola” é um desdobramento da exposição “Caipiras: das derrubadas à saudade”, apresentada na Pina Luz, na capital paulista, entre novembro de 2024 e maio de 2025. A iniciativa integra o programa CULTSP na Estrada, que promove a circulação de ações culturais e obras dos acervos estaduais por diferentes regiões de São Paulo.

Almeida Júnior (Itu, SP, 1850 – Piracicaba, SP, 1899). Amolação interrompida (primeira versão), 1893. Pinacoteca de São Paulo. Crédito: Isabella Matheus/Pinacoteca de São Paulo

MAIS:

Exposição “Caipiras: das tropas à moda de viola”
Período: de 26 de setembro a 06 de dezembro de 2026
Local: Pinacoteca Municipal Miguel Dutra (Parque do Engenho Central, Armazém 14ª)
Endereço: Avenida Maurice Allain, 454, Piracicaba
Visitação: de terça-feira a domingo, das 9h às 17h
Entrada gratuita

 

Fotos: Almeida Júnior (Itu, SP, 1850 – Piracicaba, SP, 1899). Amolação interrompida (primeira versão), 1893; e Caipira picando fumo (primeira versão), 1893. Pinacoteca de São Paulo. Créditos: Isabella Matheus/Pinacoteca de São Paulo

 

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