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Post: Grazi Massafera brilha em dose dupla nas novelas

Grazi Massafera brilha em dose dupla nas novelas

Em entrevista especial, Grazi Massafera fala sobre o sucesso de “Dona Beja”, no streaming da HBO, e de sua vilã em “Três Graças”, na Globo; entre personagens fortes, reflexões sobre liberdade e identidade feminina

Grazi se destaca com personagens marcantes em 2026

Grazi Massafera vive um dos momentos mais intensos de sua carreira. A atriz retorna à TV em dois projetos de peso: protagoniza “Dona Beja”, produção da HBO que revisita a história – exibida originalmente na TV Manchete em 1986 – da icônica personagem marcada por coragem e transgressão, e também integra o elenco de “Três Graças”, novela da Rede Globo. Em entrevista, a atriz reflete sobre o impacto dessas mulheres em sua trajetória e sobre como ambas dialogam com questões contemporâneas. “Dona Beja representa tudo o que imagino em uma mulher. É alguém que rompe barreiras, não aceita padrões e é fascinante”, afirma. Já sobre sua personagem em “Três Graças”, a atriz destaca a versatilidade de viver figuras tão distintas ao mesmo tempo: “Acho muito interessante ter essas duas personagens no ar, algo que não foi planejado, mas aconteceu. O destino ajudou e estou vivendo duas mulheres diferentes e muito intensas, o que traz versatilidade para mim como atriz.” Entre a força instintiva de Beja e os dilemas de Arminda, Grazi se consolida como uma intérprete que transita entre universos distintos, mas sempre com intensidade e entrega. Acompanhe, a seguir, trechos da entrevista coletiva que a atriz concedeu durante o lançamento da novela da HBO, evento que teve a participação da Revista Regional.

 

Sucesso como “Dona Beja”

REVISTA REGIONAL: Como foi a experiência de interpretar Dona Beja e contracenar com esse elenco, além de trabalhar em parceria com o autor Daniel Berlinsky?

GRAZI MASSAFERA: A gente conseguiu transitar por todos os núcleos e, pelo menos eu, tive a oportunidade de contracenar com todos esses atores maravilhosos, que admiro ainda mais pela força e talento. Aprendi muito com cada um e não tem como falar de Beja sem mencionar Maitê (Proença, protagonista da novela da TV Manchete), porque foi ela quem transformou essa personagem em um ícone, uma lenda que vive no imaginário de todos. Aqui não estamos falando de um remake, mas de cultura, como o Dani (Berlinsky, autor) disse, com uma escrita linda, cheia de poesia e reflexões. Os mais conservadores vão criticar, vão dizer que é lacração, mas isso também é positivo, porque queremos provocar. Tenho certeza de que haverá de tudo, já que a obra toca em feridas da sociedade. Estou muito feliz e honrada com essa personagem, que abre portas e caminhos, e me trouxe muita força. Em homenagem a ela, até vesti calças, algo que as mulheres não podiam usar na época.

Você vê um paralelo entre o julgamento moral que Dona Beja enfrentava em sua época e o que muitas mulheres passam hoje nas redes sociais? O que essa personagem pode ensinar em 2026 sobre lidar com cancelamento e transformar críticas em força?

Eu acredito que o que a Beja ensina hoje é persistência, resistência e a capacidade de transformar dificuldades em algo positivo, de fazer do limão uma limonada. Se entregam algo ruim, você devolve flores. Penso que essa novela representa justamente isso: flores para essa galera. A cada dia de gravação aprendi mais com esse texto magnífico e fui incorporando essa mulher, a ponto de sentir que é a primeira vez que estou realmente encarnada em um papel com toda a minha intensidade. Ela me emociona profundamente e posso dizer que é a personagem que mais amei interpretar, em uma grande parceria com o nosso autor, Dani, com quem conversava diariamente sobre tudo.

O que torna Dona Beja uma personagem tão instigante e atual, capaz de abrir caminhos e provocar reflexões sobre a liberdade feminina?

Eu acho que a Beja não está pronta; ela vai se construindo e abrindo caminhos para outras mulheres. Somos tão tolhidas, e ela vai conquistando a própria liberdade. É curioso pensar que a Beja é fruto da imaginação de um jornalista. Na realidade, morava em uma fazenda com dois filhos, sozinha, e isso já era considerado um escândalo para a época. Por viver sem um “senhor” e não depender de ninguém, foi tachada como prostituta. Dentro da imaginação dele, foram criadas histórias sobre essa mulher, e assim ela foi se tornando um símbolo. Em uma festa da sociedade, por exemplo, apareceu sozinha, sem marido, com vaga-lumes no cabelo, e isso foi visto como loucura. Todas as atitudes dela eram subvertidas. Para mim, a Beja reforçou algo que eu já tinha, mas que às vezes deixamos de lado: a força do instinto. É uma mulher extremamente instintiva, ligada à natureza, parte fundamental do nosso ser e que muitas vezes esquecemos. Pode ser chamada de feiticeira, mas apenas dá vazão à ancestralidade e à intuição. Hoje vivemos tempos que nos afastam de quem realmente somos, e essa personagem me trouxe mais potência nesse lugar. Ela reforça em mim essa conexão e espero que também desperte isso nos outros.

Interpretação impecável em “Dona Beja”

 

Você chegou a conversar com Maitê Proença sobre Dona Beja? E quais são as principais diferenças entre ela e a Dona Cobra de “Três Graças”, já que ambas são personagens fortes e marcantes?

Falei com a Maitê, ela me recebeu muito bem. Fui pedir a bênção, porque ela é minha musa, uma inspiração, e a conversa foi incrível, com o Dani presente. Desde então, ficamos amigas. Voltando às personagens, Dona Cobra é o oposto da Beja, talvez até quisesse ser como ela. Acho muito interessante ter essas duas figuras no ar ao mesmo tempo, algo que não foi planejado, mas aconteceu. O destino ajudou e estou vivendo duas personagens distintas e muito interessantes, o que traz versatilidade para mim como atriz. Vivo intensamente cada momento e foi essencial ter assistido Beja, já que gravamos há algum tempo. Falar sobre questões femininas faz parte do meu dia a dia: sou uma mulher solteira, livre, faço o que quero e ainda enfrento julgamentos sobre relacionamentos, corpo, maternidade, beleza e envelhecimento. Esse julgamento continua, mas mulheres como Beja abriram portas e continuarão abrindo, e eu também quero ser uma dessas mulheres. Não quero me submeter ao que me impõem, estou sempre me desconstruindo e me conhecendo melhor nesse processo de amadurecimento. Como atriz, foi o melhor momento para encarnar uma personagem como Beja. No início faço ela jovem, com 20 anos, e depois sigo até os 80, sempre com intensidade e apoio da atuação. Conto com a ajuda maravilhosa de Antônio Barreira, que me trouxe nuances fundamentais para diferenciar cada fase. Já Arminda é uma personagem voltada para a comédia, mas também carrega preconceitos e frustrações, sendo uma mulher que não vive seus desejos e, quando vive, se satisfaz de forma quase infantil. É uma figura cruel, muito diferente da Beja. Sou grata ao universo por esse momento e espero que o público se encante, porque eu sou absolutamente apaixonada pela Beja.

O que a motivou a aceitar interpretar Dona Beja e como essa personagem se conecta com sua trajetória e valores pessoais?

Eu aceitei porque, desde que li sobre ela, achei fascinante. Eu não assisti à versão anterior, pois era muito pequena na época. Quando tive a possibilidade de ver, pensei: “Melhor não assistir, porque ficaria muito nervosa e talvez não conseguisse”. Então preferi não ver. Mas Dona Beja representa tudo o que imagino em uma mulher. É uma figura que abraça minorias com amor, afinco e afeto, sendo justa em relação a isso. É alguém que rompe barreiras, não aceita padrões e é verdadeiramente fascinante. A beleza não é o diferencial dela; é apenas o veículo que a transporta. O que a torna especial é a forma como desafia. Eu tento fazer isso na minha vida, mesmo em pequenas atitudes, e levo isso adiante. É o tipo de mulher em que acredito e o exemplo que busco passar para minha filha. Por isso, não tenho mais nada a acrescentar além de reafirmar essa identificação profunda.

No lançamento da novela da HBO-Max

fotos:  Marcio Farias e HBO-Max

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