A 36ª Bienal de São Paulo já está aberta ao público no Pavilhão Ciccillo Matarazzo, no Parque Ibirapuera, com entrada gratuita, e vai até 11 de janeiro de 2026. Sob o título “Nem todo viandante anda estradas – Da humanidade como prática”, o evento propõe uma potente reflexão sobre deslocamento, convivência e escuta ativa em um mundo em constante transformação.
Inspirada no poema “Da calma e do silêncio”, da escritora Conceição Evaristo, esta edição é marcada por um projeto curatorial que rejeita fronteiras fixas e busca outras formas de entender a humanidade – mais conectadas à fluidez da água, às rotas migratórias das aves e aos saberes que cruzam territórios e tempos.

Com curadoria geral de Bonaventure Soh Bejeng Ndikung, ao lado dos cocuradores Alya Sebti, Anna Roberta Goetz, Thiago de Paula Souza, da cocuradora at large Keyna Eleison e da consultora de comunicação e estratégia Henriette Gallus, a 36ª Bienal desafia categorias tradicionais. A seleção de artistas foi guiada pelas rotas migratórias de aves como o gavião-de-cauda-vermelha e o trinta-réis-ártico, que cruzam continentes sem passaportes – metáfora direta para os fluxos de pessoas, ideias e memórias.
A mostra principal reúne 120 artistas de diversas partes do mundo, com obras que atravessam linguagens como pintura, escultura, vídeo, som, performance, instalação, escrita e experimentações coletivas. Nomes como Maxwell Alexandre, Maria Auxiliadora, Gê Viana, Aislan Pankararu, Zózimo Bulbul, Isa Genzken, Otobong Nkanga, Frank Bowling e Precious Okoyomon estão entre os destaques. Na Casa do Povo, cinco projetos integram o programa Afluentes, com curadoria de Benjamin Seroussi e Daniel Blanga Gubbay.
As obras abordam temas urgentes como ecologia, oralidade, cosmologias não ocidentais, resistência e práticas comunitárias. Os rios também funcionam como eixo simbólico da curadoria – Amazonas, Hudson, Limpopo, Essequibo e Baía de Matanzas são referências de rotas, vivências e ancestralidades.

Pelo mundo
Pela primeira vez, a Bienal se estende por quatro meses, com o objetivo de alcançar mais públicos e expandir o impacto cultural e educativo da mostra. O programa educativo, referência mundial, também foi ampliado. Segundo Andrea Pinheiro, presidente da Fundação Bienal de São Paulo, essa iniciativa reforça o compromisso da instituição com o acesso à arte e à formação crítica.
Antes mesmo da abertura oficial, a 36ª Bienal percorreu continentes por meio do programa “Invocações”, que passou por Marrakech, Guadalupe, Zanzibar e Tóquio entre novembro de 2024 e abril de 2025, estabelecendo diálogos com práticas locais e conhecimentos plurais.

MAIS:
36ª Bienal de São Paulo – Nem todo viandante anda estradas – Da humanidade como prática
Data: de 06 de setembro de 2025 a 11 de janeiro de 2026
Local: Pavilhão Ciccillo Matarazzo – Parque Ibirapuera, Portão 3, São Paulo – SP
Entrada gratuita
fotos: Divulgação




