Bombardeio nuclear feito pelos EUA ao Japão em 1945 completa 80 anos e ganha exposição que é um convite à reflexão sobre o valor da vida e à importância da coexistência pacífica

Em agosto de 2025, mês em que o mundo lembra os 80 anos de uma das maiores atrocidades da história: os bombardeios nucleares feitos pelos EUA às cidades japonesas de Hiroshima e Nagasaki, no fim da Segunda Guerra Mundial, a Japan House São Paulo apresenta a mostra “Heiwa, um apelo de paz” — um convite à reflexão sobre o valor da vida, da coexistência pacífica e da importância de transmitir essas mensagens às próximas gerações.
“Heiwa”, palavra japonesa que significa “paz”, dá nome à exposição, que reúne elementos históricos, relatos marcantes e expressões artísticas para sensibilizar o público. O percurso expositivo vai da memória do sofrimento causado pela guerra às imagens atuais das duas cidades japonesas, hoje reconstruídas e vibrantes.
Entre os destaques está um tsuru de origami original feito por Sadako Sasaki, vítima da radiação nuclear que, aos 12 anos, morreu de leucemia. Inspirada por uma lenda japonesa que promete a realização de um desejo a quem dobrar mil tsuru, Sadako iniciou a missão, mas não viveu para completá-la. Sua história se tornou símbolo mundial de esperança.
O tsuru, emprestado à Japan House São Paulo pela Assembleia Legislativa de São Paulo, integra um núcleo que também apresenta a tradição de enviar milhares dessas dobraduras ao Parque Memorial da Paz, em Hiroshima, todos os anos.
A paz na visão das crianças
A mostra exibe ainda 94 desenhos de crianças de seis a 15 anos, de diversos países, participantes do concurso internacional Peaceful Towns, promovido pela ONG Mayors for Peace. As ilustrações, feitas entre 2018 e 2024, expressam de forma direta e tocante o que significa “paz” para as novas gerações.
Um poema da hibakusha Ayako Morita também integra a exposição, ampliando a dimensão sensível da memória e da resistência.
O público pode conhecer ainda como Hiroshima e Nagasaki se transformaram após a destruição, por meio de fotografias e monóculos com imagens cedidas por associações de turismo locais. Hoje, ambas são polos turísticos com amplos espaços verdes e memoriais dedicados à paz.
Flores que resistem
No centro da exposição, uma instalação de origami criada por Mari Kanegae recria um jardim de oleandros — primeiras flores a brotar em Hiroshima um ano após os bombardeios, contrariando previsões de que a terra permaneceria estéril por décadas. Na mostra, os oleandros são brancos, reforçando a mensagem de que a paz é condição para que vidas floresçam.
Durante todo o período expositivo, visitantes podem doar tsuru de papel (15 cm x 15 cm) para serem enviados ao Monumento à Paz das Crianças, em Hiroshima. A urna para doações está na entrada da mostra.
Os bombardeios nucleares ao Japão ocorreram em 06 e 09 de agosto de 1945. Até hoje, os Estados Unidos não apresentaram um pedido formal de desculpas pelo ocorrido. Atualmente, em 2025, o mundo permanece em alerta com o risco nuclear criado por conflitos localizados e controvérsias políticas, principalmente entre russos e americanos.
MAIS:
Exposição: Heiwa, um apelo de paz
Período: até 31 de agosto de 2025
Local: Japan House São Paulo – Avenida Paulista, 52 – Bela Vista, São Paulo
Entrada: gratuita
Horários: terça a sexta, das 10h às 18h; sábados, domingos e feriados, das 10h às 19h (fechado às segundas)
foto: Divulgação




