Profissional ensina como projetar espaços para os pets em casa

  • Mariana Castro, especialista em comportamento animal, dá dicas de como criar projetos residenciais que atendam as necessidades de quem tem pets

 

Projeto do Studio 92 para uma casa com gatos

Felinos, sejam eles leões ou gatos domésticos, têm necessidades básicas. A vida dos gatos domésticos os obriga a adaptar suas necessidades a ambientes muito mais restritivos, e é aí que a gatificação entra em cena. Gatificação deriva da palavra catification, em inglês, e é um neologismo, que em tradução livre seria “tornar mais gato”. Quer dizer, adaptar para o gato. É exatamente isso. É incorporar ao ambiente da casa elementos que atendam às necessidades do seu gato, e o divirtam. Em outras palavras, gatificação é enriquecimento ambiental.

 

Segundo Mariana Castro, especialista em comportamento animal, os gatos precisam de:

 

  1. Espaço: gatos urbanos vivem, na grande maioria dos casos, em espaços confinados, como apartamentos ou casas com ambientes protegidos. Sim, é para a proteção deles, mas isso, por outro lado, restringe suas possibilidades de explorar.

 

  1. Território: gatos são seres extremamente territoriais. Quando dividem o espaço com outros gatos, mesmo que tenham um bom relacionamento entre eles, precisam de cantos que sejam “exclusivos”. Quem tem vários gatos sabe que cada um escolhe seu lugar favorito na casa. Eles também marcam seus territórios, deixando seu cheiro em pontos estratégicos.

 

  1. Caminhos de fuga: quando se sentem ameaçados, seja por outros animais ou por situações do ambiente, os gatos preferem escapar a enfrentar, num primeiro momento. Assim, é importante que o ambiente ofereça essa possibilidade.

 

  1. Tranquilidade: a vida na cidade traz em si sons, cheiros e uma agitação que é contrária à natureza dos gatos. Portanto, é preciso que a casa ofereça opções para que os gatos se sintam seguros, protegidos, e afastados de situações desagradáveis para eles.

 

  1. Rotina: Os gatos apreciam sua rotina, o que significa mais do que horários sistemáticos. Gostam de ter seus comedouros e bebedouros sempre no mesmo lugar, assim como suas bandejas sanitárias, que devem estar limpas e organizadas.

 

  1. Entretenimento: gatos domésticos precisam de estimulação física e mental para se manterem saudáveis. Amam observar o ambiente externo através da janela, de onde podem ver pássaros, insetos, movimento. Amam, também, escalar lugares altos, pular, correr atrás de brinquedos e amolar suas garras – de preferência em arranhadores.

 

Projeto do Studio 92 para uma casa com gatos

A especialista ensina que o primeiro passo para gatificar um ambiente é compreender o gato – ou gatos – da casa. Quais são suas preferências, gostos e desgostos? Qual é a sua rotina, horários de comer, fazer suas necessidades, se dar banhos de língua ou dormir? Essas informações serão básicas para iniciar o projeto. Tornar o ambiente mais estimulante para o seu gato pode ser tão simples como criar uma pilha de caixas de papelão, ou tão complexo quanto desenvolver um projeto arquitetônico.

Para começar, ela recomenda pensar no que os gatos gostam:

 

  • Lugares altos, de onde podem observar o ambiente: prateleiras, nichos, passarelas, pontes;
  • Lugares reservados, onde podem se esconder e se sentir seguros: tocas, caixas, nichos;
  • Arranhadores: papelão, corda, carpete (de preferência não os móveis da casa!);
  • Escaladores: telas, rampas;
  • Conforto: lugares macios e confortáveis para dormir, como caminhas, toquinhas, mantas fofinhas e almofadas;
  • Contemplação: janelas, sacadas, uma TV ligada com programações especiais para gatos, ou até um aquário, para que eles possam ficar “assistindo”;
  • Interação: brinquedos fixos, como fitas presas à maçaneta de uma porta, móveis, varetas de caça, com fitas, penas ou bichinhos na ponta, e brinquedos diversos, como ratinhos e bolinhas.

 

“Quando você sentir que conseguiu decifrar e compreender os comportamentos do seu gato, é hora de colocar em prática o conceito da gatificação”, aconselha. Para isso, aqui dá algumas ideias práticas:

 

  • Posicione prateleiras nas paredes, de modo que seu gato possa acessá-las e passar de uma para a outra, criando um circuito. Alturas diferentes, ângulos e nichos ao longo do caminho tornarão a experiência ainda mais interessante para ele. Essas prateleiras podem conter peças de decoração, como livros e objetos, desde que você crie caminhos alternativos para que seu gato não possa derrubar as coisas.
  • Crie estruturas suspensas do teto, formando passarelas que se conectam, até um local por onde o gato possa subir e descer.
  • Crie estruturas verticais, como árvores de gato e postinhos, onde além de subir, seu gato poderá arranhar, alongar o corpo e deixar seu cheiro. Ao se esfregar nessas superfícies, deixará seus feromônios. Essa marcação de território é importante para que os gatos se sintam familiarizados e confiantes no ambiente.
  • Coloque arranhadores em locais estratégicos pela casa, para que seu gato tenha onde afiar as garras, e não decida fazer isso nos móveis da casa.
  • Use placas de carpete para criar superfícies antiderrapantes sobre os móveis, prateleiras e passarelas. Além de tornar seu deslocamento mais seguro, ainda serão pontos em que seu gato deixará seu cheiro – através das glândulas que tem nas patas.
  • Comida, água e a bandeja sanitária devem ser posicionadas de modo a permitir rotas de fuga, quer dizer, o gato não pode se sentir encurralado enquanto estiver suprindo suas necessidades básicas. Também não devem ficar escondidas em locais ermos da casa, a não ser que seu gato adore este dado local. Em outras palavras, coloque as coisas do seu gato em lugares que ele goste, ou ele pode decidir fazer xixi e cocô no lugar errado, não comer ou, o que é péssimo, não beber água.
  • Tenha brinquedos à disposição, e brinque com seu gato.

 

fotos: Mariana Orsi