O resgate da cultura em Itu

Acervo da biblioteca municipal estará todo catalogado no Cila, que terá ainda outros espaços de arte e cultura, assim como novas propostas de vivência e educacionais

O Centro Ituano de Letras vai além de um espaço que abrigará a nova biblioteca municipal. Será o resgate da vivência e relação do cidadão com a cultura, artes e conhecimento

O prédio que abrigava a antiga Funerária Municipal de Itu, na praça Conde de Parnaíba, por muitos anos foi sinônimo de tristeza e despedida. Com o anúncio da criação do Centro Ituano de Letras e Artes, o Cila, que deve ocupar o local a partir de outubro, as lembranças tristes deram espaço à esperança e renovação.

A escolha do prédio se deu por vários fatores. Ali, antes da instalação da funerária, funcionava um berçário. Com o tempo, a praça Conde de Parnaíba se tornou um marco educacional e esportivo de Itu, com os prédios do Instituto Borges de Artes e Ofício, o Ibao; da Escola Convenção e da Associação Atlética Ituana. O Cila será um espaço de integração que trará um novo formato de biblioteca, oferecendo um lugar de acolhimento da comunidade ituana com as expressões escritas e faladas, as múltiplas literaturas, artes, além de biografias, memórias e histórias da cidade e dos saberes de seus cidadãos, rodas de conversa, atraindo a população para atividades lúdicas e artísticas de forma adequada e agradável para cada público.

“Queremos resgatar a vivência e a relação com a cultura, com as artes e com o conhecimento. O Cila é um laboratório prático do conviver e viver a cultura e as artes”, afirma a secretária de Cultura e do Patrimônio Histórico de Itu, Maitê Velho.

No local, estarão os acervos das bibliotecas, as coleções especiais, hemerotecas, arquivos, museus e pinacoteca. Em breve, com uma interface pelo site da Prefeitura, a população poderá pesquisar os títulos para posteriormente consultá-los ou tomá-los por empréstimo.

Além de tudo, o Cila trará uma proposta atemporal, onde o passado e o futuro se encontram nos livros, nos quadrinhos, nos discos e pen drives, na escrita à mão e no teclado do computador, nos debates, nas rodas de conversa, no design thinking e em processos inovadores que utilizam da história e da tecnologia para caminharem juntos.

Segundo Maitê, outro lado que deve ser ressaltado é a linha de pesquisas que já começou a ser desenvolvida em parceria com universidades e instituições. “Nosso objetivo é desenvolver um grupo de pesquisas sobre Itu e seu patrimônio e, a partir disso, expandir os conhecimentos locais para toda a população. Apesar da educação exigir algo amplo, muitas vezes as pessoas não conhecem o local em que estão e vamos disponibilizar esta informação ao cidadão ituano”, comenta.

Em destaque, a secretária Maitê Velho em imagem feita antes da pandemia

Valorizar os saberes

A tecnologia trouxe muitos benefícios à educação e ao mesmo tempo mudou o comportamento das pessoas. As gerações passadas tinham o hábito de frequentar a biblioteca municipal em busca de livros para o momento de lazer ou até mesmo produzir trabalhos escolares. Ao longo dos anos e da facilidade, foi natural a transição fora desse ambiente.

“Achar que a biblioteca é apenas um espaço para sentar e ler é um equívoco, porque isso não existe mais. O modelo antigo de biblioteca era algo restritivo na sua forma de compartilhar o conhecimento, entendimento e a forma de levar as informações para o dia a dia”, ressalta a secretária.

Pensando nesta nova forma, a proposta do Cila é uma trilogia de cultura, educação e meio ambiente, que, de acordo com Maitê, é uma base de extrema importância para o desenvolvimento do cidadão e que irá valorizar os saberes.

Em parceira com a Secretaria do Meio Ambiente, está sendo desenvolvido um acervo ambiental local e regional, que futuramente contará com ações, tanto do Cila como das escolas municipais, para catalogar a fauna e a flora. Há também um projeto de restauro da paisagem, que está pesquisando árvores da época colonial para tentar fazer o resgate de vivências. O objetivo é atrair mais espécies de pássaros. “As praças, incluindo a Conde de Parnaíba, já estão sendo planejadas para isso, com uma linguagem ambiental que estimulem o entendimento das crianças”, destaca.

texto: Aline Queiroz

fotos: Renata Guarnieri/Pref. Itu