Uma fotógrafa passarinheira de coração

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A série Fotógrafos da Natureza entrevista a “passarinheira” indaiatubana Rosa Yumiko Takahashi Toku, que, em meio à pandemia, se viu sem poder sair em busca de suas aves, então resolveu atraí-las para o seu próprio quintal e, assim, continuar a fotografá-las e aumentar o seu acervo pessoal

Aos 67 anos e fotografando a natureza há oito, a aposentada Rosa Yumiko Takahashi Toku iniciou sua história na fotografia quando foi mãe, pois fazia mensalmente álbuns dos filhos para registrar o crescimento e guardar a recordação.

Por quase dez anos trabalhou, voluntariamente, no Instituto Henrique da Silva Semente (Ihess), Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (Oscip), de Indaiatuba, fotografando os eventos da escola, além de ser assistente de professor de Informática.

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Começou a fotografar a natureza em viagens que sempre faz com grupos de amigos. “Quando estou em meio à natureza, fotografo tudo que meus olhos se encantam, desde uma folha seca, pedras, um matinho com flores que normalmente passam despercebidos pelas pessoas”, comenta.

Mas o encantamento de Rosa é mesmo por pássaros. Segundo ela, seus olhos com certeza brilham e a espécie que mais admira e não cansa de fotografar é o Príncipe (phrocephalus rubinus). Sua paixão pelas aves é tão grande que ela decidiu lançar o livro “Pássaros”. “É uma coletânea das minhas melhores imagens, feitas nas minhas andanças por quatro Estados, em três anos, e também é um legado que pretendo deixar para o Diego, meu neto de quatro anos, para despertar nele o gosto pela fotografia e amor à natureza”, afirma.

Para dona Rosa, registrar a natureza além de ser um hobby, é uma forma de alerta à população. Seu maior desejo é que as pessoas percebam quão ricas são a fauna e flora, respeitem e amem a natureza e tudo que há nela. “A queimada no Pantanal no ano passado me entristeceu muito. Estive lá por dois anos e pude perceber o quanto o homem interfere no ambiente em que vive”, lamenta.

Seu acervo fotográfico é quase na totalidade feito em passeios com grupos de fotógrafos de natureza. Engana-se quem pensa que esse é um mundo exclusivamente masculino, pois, de acordo com dona Rosa, há mulheres muito talentosas que se aventuram também em busca da imagem perfeita. “Infelizmente, aqui em Indaiatuba, não conheço nenhuma passarinheira, o que me frustra um pouco, mas vou com meus amigos e que falam a mesma língua que a minha”, brinca.

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Antes, seus grupos fotográficos saíam eventualmente para um local escolhido. Registram, compartilham as fotos e a troca de experiência enriquece o trabalho individual de cada um. Com a pandemia, as saídas fotográficas em grupo infelizmente foram suspensas, mas os registros das imagens jamais pararam. “A pandemia me obrigou a ficar mais em casa e a solução foi colocar frutas e sementes no quintal, o que tem atraído várias espécies diferentes de pássaros. Isso tem alegrado meus dias de confinamento”, conta.

Dona Rosa também é adepta dos grupos virtuais e ano passado sua foto do Tiriba se embelezando foi a mais votada no concurso comemorativo anual do grupo no Facebook Observação de Aves Brasileiras, de Campos do Jordão.

reportagem: Aline Queiroz

fotos: Rosa Yumiko Takahashi Toku