Região tem mais 6 mortes por covid; Butantan cria 1ª vacina brasileira, anuncia Doria

Novas mortes por covid na região

Quatro óbitos ocorreram em Salto, que mantém média elevada de mortes pela covid; Hospital público saltense segue colapsado e vacinação atrasada; Doria anuncia que Butantan criou vacina própria contra a covid; Testes devem começar em abril

As cidades da área de cobertura da Revista Regional tiveram mais 6 mortes por covid em 24 horas, conforme boletins epidemiológicos divulgados pelas Prefeituras. Salto, pelo segundo dia, registrou o maior número diário de vítimas na região: 4 e há outras 8 sob suspeita. Em Itu, foram 2 óbitos e Indaiatuba, mais 2. A boa notícia desta semana é a criação da primeira vacina brasileira contra a covid, anunciada na manhã desta sexta-feira pelo governador João Doria. Veja, abaixo, a atualização da pandemia na região.

Salto, segundo a Prefeitura, tem mais 4 mortes confirmadas por covid e outras 8 suspeitas. As vítimas que testaram positivo para covid eram de ambos os sexos e com idades entre 51 e 68 anos. Nesta quinta-feira, 25, foram diagnosticados 30 novos infectados, mas o número de suspeitos testados e sem resultados continua alto: 1.421. O governo saltense culpa o laboratório em Sorocaba, que estaria com grande demanda de exames; mas em Itu, o número atual de suspeitos é de 36 casos.

Salto soma agora 6.379 contaminados desde o início do surto, sendo que 171 morreram e 6.168 se recuperaram. Há 40 pacientes positivos para covid internados, sendo 12 em UTI. Entre os suspeitos, 15 estão internados e 337 em isolamento domiciliar. O Hospital Municipal, único público da cidade, continua em colapso, sem vagas de Enfermaria e UTI para pacientes com covid. A rede privada não teve divulgada sua taxa de ocupação. O governo saltense voltou a ser questionado pela reportagem sobre o número de doentes que esperam por vaga para internação, mas não respondeu. Já há casos no Estado de pacientes em estado grave que morreram à espera de leito hospitalar. Na região, Indaiatuba e Itu instalaram, esta semana, novos leitos para atendimento de covid. O mesmo não ocorreu em Salto. A Prefeitura também foi questionada a esse respeito, mas não retornou.

Além do colapso no sistema hospitalar e o alto número diário de mortes e de casos suspeitos, Salto ainda enfrenta o atraso na vacinação. Enquanto Itu e Indaiatuba começaram a imunizar os idosos com 69 anos, conforme calendário do Estado, Salto só agora convocou os cidadãos com 72 anos. A Prefeitura disse à Regional que começará a vacinação das pessoas com 69 anos apenas na próxima semana, mesmo o governo estadual tendo antecipado essa faixa etária para o dia 26.

Em Indaiatuba, foram 2 óbitos por covid confirmados nesta quinta-feira, 25. Ambas aconteceram no Haoc (Hospital Augusto de Oliveira Camargo), sendo de uma mulher de 58 anos e um homem de 36. A vítima mais jovem, segundo a Secretaria de Saúde de Indaiatuba, não tinha comorbidades, fato que tem ocorrido com frequência nessa segunda onda de covid. Nas 24 horas, a cidade diagnosticou mais 37 casos positivos, mas o número pode ser maior, já que possui 768 suspeitos à espera de resultados de exames. Desde o início da pandemia, 16.453 pessoas contraíram a doença no município, 402 morreram e 15.966 são considerados curados ou ainda estão em recuperação domiciliar.

Há 110 internados, dos quais 85 estão confirmados para covid-19. Do total, 71 estão em leitos clínicos e 39 em UTI. A situação dos hospitais continua crítica com a UTI do Haoc lotada, assim como os leitos extras contratados pela Prefeitura em Artur Nogueira. Na rede privada, a ocupação da UTI está em 85%. Já as Enfermarias estão com 83% de ocupação no Haoc e 95% no Santa Ignês.

Outras 2 mortes por covid foram confirmadas em Itu, segundo a Secretaria Municipal de Saúde. Os pacientes tinham 67 e 70 anos e estavam internados em hospitais locais. Nesta quinta, 25, a cidade registrou mais 92 casos positivos e totaliza agora 10.156 desde o início da epidemia, com 218 óbitos e 9.424 recuperados. Há 36 suspeitos aguardando resultados, 46 pacientes internados em leitos clínicos e 28 em UTI. No Hospital de Campanha, a UTI permanece lotada, já no Hospital Municipal, a ocupação é de 87% e na Santa Casa, 82%.

1ª VACINA BRASILEIRA

A boa notícia da semana veio nesta sexta-feira, 26, através do governador João Doria. Em coletiva de imprensa, ele anunciou que o Instituto Butantan, ligado ao governo do Estado de São Paulo, iniciou o desenvolvimento e a produção-piloto da primeira vacina brasileira contra o novo coronavírus. A expectativa é de que os ensaios clínicos de fases 1 e 2 em humanos com o novo imunizante comecem já em abril, após autorização da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária).

“Este é um anúncio histórico para o Brasil e para o mundo. A ButanVac é a primeira vacina 100% nacional, integralmente desenvolvida e produzida no Brasil pelo Instituto Butantan, que é um orgulho do Brasil. São 120 anos de existência, o maior produtor de vacinas do Hemisfério Sul, do Brasil e da América Latina e agora se colocando internacionalmente como um produtor de vacina contra a covid-19”, disse Doria.

A ButanVac será uma vacina desenvolvida e produzida integralmente no Butantan, sem necessidade de importação do IFA (Insumo Farmacêutico Ativo). Os resultados dos testes pré-clínicos realizados com animais se mostraram promissores, o que permite evoluir para estudos clínicos em humanos.

A iniciativa do novo imunizante faz parte de um consórcio internacional do qual o Instituto Butantan é o principal produtor, responsável por 85% da capacidade total, e tem o compromisso de fornecer essa vacina ao Brasil e aos países de baixa e média renda. A produção-piloto do composto já foi finalizada para aplicação em voluntários humanos durante os testes.

Para a produção da ButanVac o instituto deverá usar tecnologia já disponível em sua fábrica de vacinas contra a gripe, a partir do cultivo de cepas em ovos de galinha, que gera doses de vacinas inativadas, feitas com fragmentos de vírus mortos.

Segundo Ricardo Palacios, diretor médico de pesquisa clínica do Instituto Butantan, a nova vacina brasileira terá perfil alto de segurança. “Nós sabemos produzir a ButanVac, temos tecnologia para isso, e sabemos também que vacinas inativadas são eficazes contra a covid-19. Poder entregar mais vacinas é o que precisamos em um momento tão crítico”, explica.

Diretor-presidente do Butantan, Dimas Covas afirma que a tecnologia utilizada na ButanVac é uma forma de aproveitar o conhecimento adquirido no desenvolvimento da CoronaVac, vacina desenvolvida em parceria com a biofarmacêutica Sinovac, já disponível para a população brasileira.

Covas ressalta que será possível entregar a vacina brasileira ainda neste ano. “Após o final da produção da vacina contra Influenza, em maio, poderemos iniciar imediatamente a produção da Butanvac. Atualmente, nossa fábrica envasa a Influenza e a CoronaVac. Estamos em pleno vapor”, destaca.

A tecnologia da ButanVac utiliza um vetor viral que contém a proteína Spike do coronavírus de forma íntegra. O vírus utilizado como vetor nesta vacina é o da Doença de Newcastle, uma infecção que afeta aves. Por esta razão, o vírus se desenvolve bem em ovos embrionados, permitindo eficiência produtiva num processo similar ao utilizado na vacina de influenza. O vírus da doença de Newcastle não causa sintomas em seres humanos, constituindo-se como alternativa muito segura na produção. O vírus é inativado para a formulação da vacina, facilitando sua estabilidade e deixando o imunizante ainda mais seguro.

A pesquisa clínica em humanos do novo imunizante será realizada em conformidade com altos padrões internacionais éticos e de qualidade. Os resultados vão determinar se a vacina é segura e tem resposta imune capaz de prevenir a covid-19.

VACINA SIM!

Acompanhe a evolução e os números de vacinados até esta quinta-feira, 25 de março, na região. Indaiatuba segue com ritmo diário mais avançado que Itu e Salto:

– Indaiatuba: 23.067 pessoas com a primeira dose e 6.224 com a segunda;

– Itu: 13.744 receberam a primeira dose e 4.525, a segunda;

– Salto: 8.302 tiveram a primeira dose aplicada e 3.414, a segunda.

 

foto: BIRF