Com UTI lotada, Indaiatuba transfere doentes de covid; Estado cobra rigor contra aglomerações na região

  • Governo do Estado anunciou que vai monitorar 62 municípios que apresentaram alta de casos de covid, entre eles Indaiatuba e Salto;
  • Com a UTI para pacientes do SUS lotada, Prefeitura de Indaiatuba recorreu a hospitais de Campinas, para onde está transferindo novos casos que precisam de internação;
  • Nas últimas 24h, Indaiatuba registrou mais 1 óbito, 107 infectados e soma 1.081 casos suspeitos à espera de resultados de exames;
  • Salto tem 3 mortes suspeitas em investigação

Região vê aumento de casos de covid

O governador João Doria se reuniu na tarde de terça-feira, 1º, por videoconferência no Palácio dos Bandeirantes, com prefeitos de 62 cidades paulistas, entre elas Indaiatuba e Salto, que apresentaram as maiores taxas de aumento nos indicadores de internação e ocupação de leitos por pacientes contaminados pela covid-19. O Estado reforçou a parceria com os municípios e apresentou medidas para o controle da pandemia.

“Em nome da preservação da vida, vamos precisar muito da cooperação de todos assim como já obtivemos ao longo dos meses, mas especialmente neste final do ano. Reconhecemos que as pessoas estão cansadas do longo período de pandemia. Mas, até a chegada da imunização com as vacinas, não temos outra arma senão a proteção com máscaras, uso de álcool em gel e higienização das mãos, com distanciamento social e evitar aglomeração de pessoas”, declarou Doria. 

Os 62 municípios reunidos tiveram um aumento de 10% nas taxas de casos e internações ou estão com mais de 75% da taxa da ocupação de leitos para pacientes de covid. No caso de Indaiatuba, a UTI para pacientes do SUS, no Haoc (Hospital Augusto de Oliveira Camargo) atingiu, na terça-feira, 1º, seu limite de ocupação. 

O Estado pediu que os municípios reforcem suas ações para a contenção da propagação do vírus. “É importante reforçar a testagem e traçar estratégias de isolamento de contatos; fiscalizar o descumprimento de protocolos como a utilização de máscaras e higienização; criar campanhas para evitar aglomerações e incentivar o distanciamento social principalmente nas festas de fim de ano”, afirmou a secretária de Estado de Desenvolvimento Econômico, Patrícia Ellen. O monitoramento dos leitos também é crucial: “Temos acompanhado a disponibilidade de leitos em todos os municípios, não deixamos e nem vamos deixar nenhum cidadão paulista sem atendimento médico”.

O secretário de Saúde, Jean Gorinchteyn, explicou aos prefeitos que a ampliação da testagem é fundamental para o monitoramento e controle da pandemia. “Precisamos testar naqueles pacientes que apresentam sintomas, mesmo que sejam leves, todas as pessoas que tiveram em seu entorno e acompanhá-las também. Testar de forma precoce e isolar esses pacientes é fundamental para conter a propagação do vírus”, afirma o secretário. 

AGLOMERAÇÕES

Os prefeitos apresentaram preocupação quanto às aglomerações principalmente em parques, bares e restaurantes. Com as festividades do fim de ano, a possibilidade é que as aglomerações aumentem, especialmente em cidades turísticas e litorâneas. A Secretaria de Desenvolvimento Regional pediu que as Guardas Civis e a Vigilância Sanitária dos municípios sejam rígidos para controlar aglomerações em ambientes públicos e privados. De acordo com o governo, eventos irregulares e desrespeito às normas de distanciamento social podem ter facilitado a reaceleração do contágio entre jovens e adultos.  

O governo de São Paulo prometeu apoio da Vigilância Sanitária Estadual a ações municipais e aumento de operações no Interior. A Polícia Militar também pode ser acionada pelas equipes locais para garantir a segurança de fiscais, principalmente em ações noturnas. 

Após a determinação do Estado, o governo de Indaiatuba promoveu, nesta quarta-feira, 02, uma reunião com os fiscais que atuam nas ruas orientando a população e os comerciantes. A cidade vem registrando há vários dias diversas festas privadas e aglomerações em bares e parques. Os departamentos de fiscalização foram orientados a dialogar com os comerciantes, já que terão de reduzir horário e capacidade de atendimento por conta do retrocesso à fase amarela, como já noticiado.

NOVOS CASOS E MORTE

Nesta quarta, dia 02, Indaiatuba registrou mais um óbito pela covid: a paciente tinha 83 anos e faleceu em 26 de novembro, porém a confirmação só foi feita agora à Vigilância Epidemiológica. Nas últimas 24 horas, a cidade confirmou 107 casos positivos. Desde o início da pandemia, 9.336 pessoas contraíram a doença no município. Desses, 251 morreram e 9.029 são considerados curados ou estão em recuperação domiciliar. Há 1.081 casos suspeitos que aguardam resultados de exames. Nesta quarta, há 81 internados, dos quais 56 estão confirmados para covid-19. Do total, 51 estão em leitos clínicos e 30 em UTI.

A UTI do Hospital Santa Ignês, da rede privada, está com ocupação de 50%. Já a UTI para covid do Haoc continua lotada pelo segundo dia consecutivo. Pela primeira vez desde o início da pandemia, o governo de Indaiatuba teve de contratar leitos externos para transferir seus doentes. Em live transmitida nas redes sociais na noite de terça, o prefeito Nilson Gaspar afirmou que atualmente Indaiatuba conta com 24 leitos para pacientes do SUS no Haoc, dois no Hospital Santa Ignês e que foram contratados mais 8 leitos de UTI-covid de retaguarda em Campinas. Ele garantiu, no discurso feito pela internet, que o governo tem condições de disponibilizar até 40 leitos, conforme a necessidade.

Nesta quarta, 63% dos leitos contratados já estavam ocupados por pacientes de Indaiatuba transferidos para Campinas, de acordo com o boletim epidemiológico divulgado pela Secretaria de Saúde.

Em Itu, não houve mortes por covid e foram registrados 70 novos infectados. Com isso, a cidade soma 4.149 casos confirmados desde o início da pandemia, sendo que 108 pacientes morreram e 4.004 se recuperaram. Há 209 suspeitos aguardando resultados, 13 pacientes internados em leito clínico e 7 em UTI. Segundo a Prefeitura, as UTIs estão com 75% de ocupação no Hospital Municipal e 33,33% no Hospital de Campanha.

Salto também não teve novos óbitos pela doença e confirmou 47 contaminados nas últimas 24 horas, conforme boletim divulgado pela Secretaria de Saúde. A cidade totaliza agora 3.821 casos confirmados de covid-19, sendo que 78 pacientes morreram, 3.648 evoluíram para cura, 13 seguem internados (sendo 7 em UTI) e 82 estão em isolamento domiciliar. Há 33 suspeitos que aguardam resultados. Destes, 11 estão em internação clínica (sendo 1 em UTI) e também há 3 óbitos suspeitos em investigação. A UTI do Hospital Municipal está com 83% de ocupação.

 

foto: BIRF