Indaiatuba volta a ter mortes diárias por covid; Butantan espera retomar estudo de vacina

  • Pelo quarto dia consecutivo, Indaiatuba registrou óbitos pela doença;
  • Itu e Salto confirmaram novos casos positivos;
  • Anvisa ainda mantém suspensão dos testes de vacina do Butantan, mas comissão que cuida da segurança dos voluntários recomenda continuidade dos estudos;
  • Voluntário dos testes da Coronavac teria cometido suicídio, indicam fontes ligadas aos estudos;
  • Butantan espera retomar testes  dentro de poucos dias

A Prefeitura de Indaiatuba informou que registrou uma nova morte pela covid nesta terça-feira, dia 10. É o quarto dia consecutivo com óbitos na cidade. No fim de semana, foram 6 no total. A paciente tinha 92 anos e estava internada no Haoc (Hospital Augusto de Oliveira Camargo) desde o dia 06 de novembro.

Morte em Indaiatuba e novos casos em Itu e Salto

Também foram confirmados 21 novos infectados pelo coronavírus nas últimas 24 horas. Com isso, Indaiatuba soma 7.993 confirmados desde o início da pandemia, sendo que 237 morreram, 7.744 são considerados curados ou estão em recuperação domiciliar e 13 confirmados continuam internados, três a mais que no dia anterior.

Ainda há outros 464 casos suspeitos aguardando resultado. Atualmente, há 18 pessoas internadas em leito clínico e 8 em UTI (Unidade de Terapia Intensiva), três a menos que no dia anterior. A taxa de ocupação das UTIs está em 33% no Haoc. Já no Hospital Santa Ignês, da rede privada, não há nenhum paciente internado em leito de UTI nesta terça, 10.

Itu não teve mortes por covid nas últimas horas e registrou 37 novos contaminados, totalizando agora 3.603 casos desde o começo do surto. Deste total, 101 pessoas morreram e 3.413 se recuperaram. Há 76 suspeitos aguardando resultados de teste, 6 pacientes internados em leito clínico e outros 6 em UTI. De acordo com o governo local, a UTI do Hospital Municipal atingiu 100% de sua capacidade nesta terça-feira, porém os leitos de UTI do Hospital de Campanha estão todos vazios nesta data.

Em Salto, 24 casos da doença foram confirmados nas últimas 24 horas e o total foi a 3.380 desde o início do surto, sendo que 70 pacientes morreram, 3.269 se recuperaram, 3 seguem internados e 38 estão em isolamento domiciliar. Há 16 casos suspeitos que aguardam resultados. Destes, 3 estão em internação clínica. A UTI do Hospital Municipal está com 33% de ocupação nesta terça-feira.

VACINA EM SÃO PAULO

Após suspender, na noite de segunda-feira, os estudos da Coronavac, vacina contra covid da empresa Sinovac, da China, com o Instituto Butantan, de São Paulo, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) informou, nesta terça-feira, que usou procedimentos técnicos para essa decisão, após ser informada da morte de um dos voluntários dos testes da vacina no Brasil.

No entanto, o Instituto Butantan, responsável pelo imunizante no país, ressaltou que a morte do voluntário que participava dos testes não teve relação com a Coronavac. “Transformaram um evento normal em anormal”, defendeu Dimas Covas, diretor do Butantan, em entrevista na manhã desta terça-feira. O dirigente foi enfático ao dizer que o óbito relatado não tem relação com a vacina e ressaltou que todas as dúvidas poderiam ter sido esclarecidas, esperando que o estudo ‘possa ser retomado quanto antes’. “O evento adverso grave não tem a ver com a vacina. Não podemos divulgar pelos motivos éticos com o voluntário, mas a conclusão do relatório está nas mãos da Anvisa. Reitero, não tem relação com a vacina”. A informação da polícia e divulgada pela grande imprensa é de que o rapaz teria cometido suicídio, o que comprovaria que a morte não tem relação com a vacina.

O Butantan informou à imprensa na tarde desta terça-feira que espera solucionar os questionamentos da Anvisa e ter o aval para retomar os testes com a vacina no Brasil dentro de dois dias. Responsável pela avaliação ética de pesquisas envolvendo seres humanos no Brasil, a Conep (Comissão Nacional de Ética em Pesquisa) recomendou a continuidade do estudo no país.

Na segunda-feira, o governador João Doria anunciou a chegada de 120 mil doses da vacina Coronavac até o próximo dia 20 de novembro, além do início da construção da fábrica que produzirá milhões de doses do imunizante no Brasil no próximo ano, após aprovação final da Anvisa.

O governo paulista ressaltou, na ocasião, que a vacina, em fase final de estudos clínicos no Brasil, é considerada uma das mais promissoras no mundo, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), e vem sendo testada em sete Estados brasileiros, além do Distrito Federal. Até o momento, mais de 10 mil pessoas já receberam ao menos uma das duas doses do imunizante ou placebo. Assim que os estudos clínicos comprovarem os índices de segurança e eficácia, a Coronavac será submetida ao devido registro da Anvisa para, somente depois, ser distribuída para a vacinação da população.

foto: BIRF