45 anos de polo no Helvetia

Momentos marcantes dos campeonatos promovidos no Helvetia com cobertura da Revista Regional

  • O primeiro e maior clube de polo de Indaiatuba – e um dos principais do Brasil – está completando 45 anos de fundação em 2020;
  • Revista Regional relembra a história e a importância do esporte para Indaiatuba

Considerado pela Forbes como o maior e melhor centro de polo equestre do Brasil, o Helvetia Polo Country Club completa 45 anos de fundação neste ano de 2020. Criado em 1975 com o objetivo de integrar os campos a um condomínio de casas, iniciativa do empresário Giorgio Moroni, o Helvetia deu a Indaiatuba visibilidade mundial na prática do esporte, atraindo para cá admiradores do esporte e os principais jogadores do país. O polo influenciou ainda o desenvolvimento do bairro Helvetia, onde está localizado o clube, e, consequentemente, da cidade, atraindo mais condomínios e empresas ligadas ao esporte.

O Helvetia Polo Country Club tem esse nome graças ao bairro onde foi instalado, na então área rural de Indaiatuba, nas proximidades do aeroporto de Viracopos. O bairro foi colonizado por imigrantes suíços, que desembarcaram no Brasil em busca de oportunidades melhores. A historiadora indaiatubana Eliana Belo Silva conta que os primeiros imigrantes suíços chegaram na região por volta de 1854. “Foram 26 famílias que trabalharam no regime de colonato em um imenso latifúndio escravocrata de propriedade de Francisco Queiroz Telles, o Barão de Jundiaí, chamado Sítio Grande, onde haviam pés de café até onde os olhos alcançavam”, relata.

Eliana lembra que foi em abril de 1888 que os imigrantes suíços deixaram o regime de colonato e foram trabalhar por conta própria, fundando a Colônia Helvetia, formada por membros das famílias Ambiel, Amstalden, Bannwart e Wolf. “Inicialmente, eles compraram um pedaço de terra formado pelo sítio Capivari-Mirim e parte do sítio Serra D’Água, ao longo do rio Capivari Mirim. Esse núcleo inicial foi aumentando, conforme outras famílias também imigraram, entre elas os Campregher, Denny, Jakober e Ming. Inicialmente, plantaram café, a agricultura de sobrevivência, mas aos poucos, inovaram e trouxeram a bataticultura para a região, promovendo notável desenvolvimento econômico a ponto de projetar o líder local, Anton Ambiel, como um dos líderes regionais mais importantes da República Velha”, explica a historiadora.

A paisagem exclusivamente agrícola foi se alterando com o passar dos anos, principalmente após a primeira metade do século XX com o final da Segunda Guerra Mundial e o desenvolvimento econômico do Estado de São Paulo. “Nesse período, a região teve um fator que provocou muitas mudanças e o faz até hoje: a inauguração do Aeroporto de Viracopos em 1960 que, por sua vez, elevou sua posição estratégica com a construção da Rodovia dos Bandeirantes”, ressalta a historiadora, lembrando que “os antigos campos onde os olhos perdiam de vista a quantidade de cafezais, local em que os primeiros helvetianos pisaram, se transformaram num dos locais mais estratégicos não só do Estado de São Paulo, mas do Brasil”.

Eliana conta que as antigas grandes fazendas e latifúndios foram sendo desmembradas para os inúmeros herdeiros que, muitas vezes, iniciaram empreendimentos imobiliários atraindo famílias que passaram a escolher o Interior de São Paulo como seus locais de veraneio.

Foi nesse cenário que, em 1975, o empresário Giorgio Moroni, imigrante italiano com passagens pela Argentina e Uruguai (países com tradição no polo), fundou uma associação denominada Helvetia Polo Country Club, para congregar propriedades com campos de polos em um condomínio até então inovador.

Ao lado de outros empresários apaixonados pelo esporte, Moroni comprou 40 alqueires de terra na colônia suíça Helvetia. “Ele conseguiu atrair outros interessados que, juntos, fizeram crescer o clube elevando-o para ser o maior e mais importante clube de polo privado do Brasil. Entre eles, podemos citar Didi e Mauro Souza Aranha, Sylvio de Andrade Coutinho, José Luiz Herreros, Ronald Scott, Luiz Matarazzo, PG Meirelles e Antônio Mironi”, detalha a historiadora.

Com o maior clube de polo privado do país, a região de Helvetia se desenvolveu rapidamente ao longo das décadas seguintes, já que os amantes do esporte queriam ficar próximos aos campos, surgindo assim vários loteamentos e outras propriedades particulares. “Entre os campos dos camponeses hevetianos e de outros agricultores locais até a consolidação do Helvetia Polo Country Club houve, assim, o crescimento de haras e de criação de equinos em Indaiatuba”, relata a pesquisadora.

Atualmente, o clube tem 11 campos próprios e mais de 20 campos particulares ao seu redor, formando um conglomerado de negócios que hospeda um dos mais tradicionais torneios de polo do país, o Aberto do Estado de São Paulo, atraindo amantes do esporte e figuras do jet set nacional. O clube conta com área de convivência, restaurante, espaço de eventos e até uma escolinha de polo, para crianças e adultos que querem aprender mais sobre a prática do esporte.

O Helvetia reúne mais de 200 jogadores e 3 mil cavalos todos os anos. Porém, para a historiadora, Indaiatuba poderia ter um desenvolvimento ainda mais significante se o esporte tivesse um reconhecimento maior na cidade. “Todo esse conglomerado atrai turistas que consomem na cidade, mas podem consumir mais. Para isso, Indaiatuba precisa reconhecer esse campo como um polo de desenvolvimento e fazer políticas públicas de mais desenvolvimento ainda, atraindo mais gente, gerando mais negócios, renda e empregos ao redor desses campeonatos e dos negócios agregados, inclusive compra, venda e leilões de animais”, opina.

Em seus 17 anos, Revista Regional acompanhou vários dos principais campeonatos promovidos no Helvetia Polo Country Club e traz, em sua edição impressa e digital de setembro-2020, alguns momentos marcantes, além de convidados de destaque que marcaram presença nos campos de polo indaiatubanos.

Em seus 17 anos, por diversos momentos, a Revista Regional acompanhou com exclusividade os torneios de polo promovidos no clube de Indaiatuba

“O esporte dos príncipes”

O polo equestre é considerado um esporte dinâmico que exige concentração, habilidade e entendimento entre cavaleiro e cavalo. Por ser uma competição nobre, ficou conhecida como “esporte dos príncipes”. Sua origem é incerta, mas alguns historiadores acreditam que o jogo tenha surgido 600 anos antes de Cristo no Tibete em um costume que ocorria algumas vezes ao ano que era a “caça ao rato almiscarado”. Nas épocas do ano em que não tinham que caçar o rato, usavam uma pequena bola, a qual chamavam de “pulu”. A prática do polo se espalhou pela Ásia, Inglaterra e tomou o mundo todo. Na configuração como é conhecido na atualidade, o polo é originário de Manipur, na Índia. Foi lá que o primeiro time, The Silchar Polo Club, foi criado em 1859 por militares britânicos. Rapidamente, o esporte conquistou territórios e adeptos em Malta (1868), Inglaterra (1869), Irlanda (1870), Argentina (1872), Austrália (1874) e nos EUA, mais exatamente em Nova York (1876). Os primeiros relatos de polo no Brasil aconteceram no Rio de Janeiro, quando ingleses fundaram o Gávea Polo e Golf Clube, na década de 1920. Em São Paulo, o esporte começou no Interior, em Orlândia e Colina, antes de chegar na Sociedade Hípica Paulista, na capital. Pesquisadores apontam a influência dos militares no desenvolvimento do polo brasileiro, como por exemplo no Rio Grande do Sul, através dos regimentos de cavalaria de Porto Alegre, Uruguaiana e cidades vizinhas. Ainda hoje, o exército brasileiro organiza torneios no Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Brasília, Minas Gerais e Mato Grosso do Sul. No Estado de São Paulo, Franca, Orlândia, Ribeirão Preto e Avaré propagam a modalidade. Mas é aqui na região, em Indaiatuba, que é praticado o polo de melhor nível no Brasil. Entre campos particulares e campos do Helvetia Polo Country Club, atuam ao longo do ano os principais jogadores brasileiros.

Como jogar polo

Pouco conhecido da maioria dos brasileiros, o polo equestre tem regras bem particulares, como a troca de campo a cada gol marcado. Revista Regional traz aqui um apanhado das regras do esporte, conforme a Confederação Brasileira de Polo:

  • Num jogo de polo equestre, um time tem como principal objetivo conseguir marcar o maior número de gols em comparação ao seu adversário, acertando uma bola de oito centímetros de diâmetro com um taco de três metros de comprimento, e fazendo-a entrar numa baliza com 7,3 metros de largura.
  • As medidas de um campo de polo são de 275x180m, e os cavalos utilizados caracterizam-se por ter uma altura que varia entre 1,52 metros e 1,60 metros.
  • A bola para jogar polo é branca e feita de madeira ou plástico.
  • O jogo é disputado por duas equipes com quatro elementos cada. Estes jogadores encontram-se numerados de acordo com as posições que ocupam no campo de jogo, sendo o nº1 e nº2 atacantes, o nº3 meio de campo e o nº4 defensor.
  • Um jogo de polo dura pouco menos de uma hora, e é dividido por períodos chamados chukkers. Conforme o nível de jogo, podem variar de quatro a seis chuckers por partida.
  • Cada chukker tem duração de sete minutos e é feito um intervalo de três minutos entre os chukkers. Na metade da partida é feita uma pausa de cinco minutos.
  • Os cavalos devem ser trocados a cada chucker e só podem ser utilizados duas vezes no mesmo jogo, podendo ser eliminados durante a partida se a sua condição física for julgada insatisfatória num dos controles veterinários que ocorrem durante a prova.
  • Os jogos são controlados por dois juízes montados a cavalo e um árbitro que permanece fora do campo, que é consultado pelos anteriores em caso de dúvida.
  • Os jogadores são avaliados e classificados por handicaps numa escala de -1 a 10, sendo -1 um iniciante e 10 um jogador perfeito.
  • Jogadores com handicap igual ou superior a 2 são considerados profissionais. Esta avaliação não é atribuída de jogo para jogo, mas sim no final de cada época.
  • O polo tem uma particularidade que o diferencia dos outros esportes, que consiste no fato de as equipes terem de mudar de campo, e consequentemente de baliza, a cada gol que marcam. Isto acontece para que nenhuma das equipes seja beneficiada do estado do campo e das condições atmosféricas.
  • Esta modalidade é regida internacionalmente pela Federação Internacional de Polo, e representada no Brasil pela Confederação Brasileira de Polo.

reportagem de Renato Lima

fotos: Arquivo/Revista Regional