Setembro Amarelo, Vermelho e Verde: 3 campanhas para cuidar da saúde

  • O mês de setembro é um dos mais importantes em campanhas de saúde, pois possui três cores alusivas e quatro diferentes alertas: Vermelho, Amarelo e Verde

Conscientizar-se é o primeiro passo para prevenir doenças. Segundo o Saudi (Sistema de Auditoria de Contas Médicas), buscando que as pessoas estejam atentas às enfermidades e procurem realizar exames periodicamente, foi criado o movimento colorido de campanhas de saúde, afinal, as cores são fáceis de memorizar e assim, é feita toda uma mobilização coletiva para que as campanhas sejam amplamente difundidas. O mês de setembro é um dos mais importantes nesse contexto, pois possui três cores alusivas e quatro diferentes alertas: Vermelho, Amarelo e Verde.

A campanha “Setembro Vermelho” pede a conscientização e prevenção das doenças cardiovasculares. No Brasil e no mundo, segundo dados da OMS (Organização Mundial da Saúde), as morbidades do coração e circulação estão entre as principais causas de morte.

Também no dia 29 deste mês é celebrado o “Dia Mundial do Coração” e, por isso, setembro todo é dedicado a uma atenção especial aos hábitos que podem colaborar para o desenvolvimento de uma enfermidade cardiovascular. É importante que sejam realizados exames periódicos: o diagnóstico precoce aumenta exponencialmente as chances de cura e busca de tratamento adequado. 

Já o “Setembro Amarelo” pede atenção aos sinais do suicídio. De acordo com a Associação Brasileira de Psiquiatria, transtornos mentais representam 96,8% dos casos de morte por suicídio – em primeiro lugar, ligados à depressão, seguido por transtorno bipolar e abuso de substâncias.

Setembro Amarelo é uma das campanhas de saúde do mês

Segundo dados da OMS, anualmente, cerca de 800 mil pessoas no mundo tiram a própria vida, e um número ainda maior tenta o suicídio. Somente no Brasil, estima-se que aconteçam 12 mil suicídios todos os anos — tragédia que afeta famílias e comunidades, com efeitos duradouros sobre as pessoas que vivenciam o luto inesperado. Muitos casos podem ser motivados por depressão. “Dentro deste índice de mortes precoces, também estão muitos jovens. É preciso estar atento a sinais que possam indicar depressão, como tristeza sem motivo aparente, choro, irritabilidade, perda de prazer em atividades antes prazerosas e alterações no padrão de sono e da alimentação”, explica Rogilson Teixeira.

Pelo número de casos no país, a Associação Brasileira de Psiquiatria, em parceria com o Conselho Federal de Medicina, criou, desde 2014, a campanha nacional Setembro Amarelo, que marca o mês da prevenção ao suicídio, ao adotar medidas que promovam o diálogo sobre o tema e, sobretudo, a identificação distúrbios psiquiátricos com indicação de tratamento.

Em ano de pandemia do novo coronavírus, especialistas já alertam sobre o agravamento de quadros psiquiátricos em seus pacientes. A saúde mental durante um momento como esse, que ainda exige distanciamento social, tende a ser ainda mais afetada por transtornos psiquiátricos, a exemplo de depressão, ansiedade, e sintomas de estresse agudo.

“Neste cenário de instabilidade, pacientes com sintomas leves de depressão ou ansiedade, podem ter mais dificuldade de adaptação a estas mudanças”, complementa Rogilson.

A psicóloga Célia Siqueira comenta que nos últimos anos as pessoas estão perdendo cada vez mais suas características, deixando a tristeza ter grande participação em suas vidas e, consequentemente, abrindo portas para os traumas, fobias e, principalmente, a depressão. Doenças mentais agravadas podem se manifestar de diversas formas, incluindo o suicídio.

Célia utiliza técnicas diferenciadas em suas terapias para auxiliar no autoconhecimento e tratamentos complexos. Os métodos aplicados são para identificar pensamentos distorcidos e interpretar situações específicas, buscando a raiz do problema e, assim, criar a estratégia ideal para a solução do que possa gerar uma energia depressiva avassaladora, a ponto de tirar a própria vida.

“A cada dia me deparo com pessoas que buscam alternativas para tentar viver melhor. Superar frustrações, dificuldades e distúrbios psicológicos não é nada fácil, por isso a busca por ajuda é imprescindível para evitar problemas piores, aumentando ainda mais a dificuldade de solução. Pessoas que cometem suicídio encontram na morte uma forma de se punir ou acabar com algum tipo de sofrimento, que na sua mente não tem solução”, diz Célia.

Segundo a psicóloga, os familiares de quem sofre de depressão, devem monitorar, acompanhar e ficar em alerta com sinais de suicídio como a tristeza excessiva, isolamento, raiva, irritabilidade, perda de interesse, ou seja, qualquer mudança brusca de comportamento.

A cor verde deste período representa duas campanhas: o mês de prevenção ao câncer de intestino e do incentivo à doação de órgãos. A Associação Brasileira de Coloproctologia (SBCP) alerta para a alta incidência desta patologia, que é a segunda mais frequente em mulheres (após o câncer de mama) e a terceira mais comum em homens (depois do câncer de próstata e pulmão). Entretanto, 90% dos casos poderiam ser evitados com prevenção e hábitos saudáveis, como alimentação e exercícios físicos, conforme propõe o INCA (Instituto Nacional do Câncer). 

A outra bandeira do “Setembro Verde” é pelo “Dia Nacional da Doação de Órgãos”, comemorado no dia 27. Segundo o Ministério da Saúde, o Brasil é o segundo maior transplantador do mundo e referência mundial nessa área. A decisão final é da família, que ainda representa o maior motivo de impedimento à doação de órgãos e tecidos. Por isso, encoraja-se o diálogo neste mês: expor a vontade de doar é importante para que a família entenda e se acostume com a ideia. 

De acordo com a Associação Brasileira de Transplante de Órgãos, um único doador pode beneficiar até 15 pessoas. Doar órgãos e tecidos é doar vida!

Reiterando a importância da monitoração médica, o cirurgião vascular Dr. Francisco Simi ressalta: “Especialmente neste mês de setembro, temos quatro fortes motivos para olharmos mais atentamente para a nossa saúde. Lembrando ainda que é fundamental realizar os exames periódicos, que são capazes de detectar precocemente as patologias, facilitando e muito, o tratamento”.

 

foto: BIRF