Bebel Arruda e a história do cafezal ao cafezinho

Bebel em sua cafeteria, em Itu, em foto feita antes da pandemia

A memória afetiva da fazenda aliada à vivência infantil do cafezal fez com que Bebel cursasse Engenharia Agrônoma, para que o café estivesse sempre ali, de certa forma, dentro dela

Maria Isabel Scarpa de Arruda Reul, mais conhecida como Bebel Arruda, é de São Paulo, mas literalmente cresceu no meio do café e do cafezal. Seu pai trabalhava com café e seus avós e bisavós tinham fazenda com cafezal, a qual ela recorda com riqueza de detalhes e cheiros de infância, recordações das férias escolares que por lá passou. A memória afetiva da fazenda aliada à vivência infantil do cafezal fez com que Bebel cursasse Engenharia Agrônoma, para que ocafé estivesse sempre ali, de certa forma, dentro dela.

Quando cuidava da Fazenda Santo Antonio da Bela Vista, decidiu abrir uma agropecuária, mas infelizmente não deu certo. “Digo que Deus me fechou portas e janelas, mas me abriu literalmente uma porteira”, afirma. Foi nesta época, há aproximadamente 25 anos, que Bebel teve a ideia de começar a trabalhar com turismo rural, no projeto “Do Cafezal ao Cafezinho”, para agregar uma nova renda na propriedade. O primeiro grupo era uma escola, que veio por meio de uma agência, e eles queriam saber as etapas de produção do café. Aí as procuras foram aparecendo e ela começou a profissionalizar a ideia do turismo rural.

Uma coisa foi levando a outra, a ponto de Bebel ser uma das empresárias pioneiras em profissionalizar o turismo rural da região. Foi uma das fundadoras, juntamente com outros empresários do ramo, da Astur, a primeira associação de turismo rural da região do Médio Tietê, englobando diversas cidades da região; também ajudou a fundar a Protur;e foi a primeira presidente da Abratur-SP (Associação de Turismo Rural do Estado de São Paulo).

No roteiro “Do Cafezal ao Cafezinho”, as visitas são acompanhadas e explicadas por Bebel e sua equipe, mostrando na prática todas as etapas que o café passa até chegar à xícara. “É um projeto interativo onde as pessoas abanam o café, esparramam o café no terreiro, então elas interagem com essas atividades. Isso faz sucesso não só com as crianças, mas com os adultos, pois trabalhamos também com grupos de Terceira Idade e estrangeiros”, explica. Há mais de cem anos, a família dela produz café do tipo arábica, espécie originária na Etiópia e que é muito comum no Brasil. Para divulgar o roteiro “Do Cafezal ao Cafezinho”, o pai de Bebel, o saudoso Célio Cano de Arruda, um classificador e degustador de café e amante da bebida, deu a ideia de fundar, em 2001, a Cafeteria Gamela. Bebel e seu pai montaram esse lugar pequeno e charmoso no Centro histórico da cidade, com fotos antigas de família, com suas cafeterias e torrefação, onde continua recebendo não só o pessoal de Itu, mas turistas de toda a região e da capital. Além do delicioso cafezinho direto da fazenda, Bebel serve, no local, os famosos doces caseiros de sua mãe, Maria Inês, que são de “comer rezando”.

Os grãos são colhidos já maduros. A separação dos frutos e folhas é feita manualmente, com a ajuda de uma peneira. Durante as visitas à fazenda, os grupos têm a chance de experimentar como se abana o grão.Após a separação, o café é colocado no terreiro. Aí é preciso virar os grãos de vez em quando para que todos sequem por igual. Numa máquina, eles são descascados e suas cascas voltam para a plantação, pois servem para adubar o cafezal. É o momento também de separar o café melhor do que tem uma qualidade inferior.

texto e foto: Aline Queiroz