Pais por opção, filhos do coração

Há menos de um ano, um grupo de voluntários criou em Itu o Gaaai, que auxilia famílias aptas para a adoção

Um Grupo de Apoio aos Adotados e Adotantes de Itu. Esse foi o resultado de uma iniciativa em conjunto da Comissão Especial de Direito à Adoção (da OAB-SP), a Frente Parlamentar Pró Convivência Familiar, a Vara da Infância de Itu e de profissionais ligados a esse Setor Técnico. A ideia surgiu durante a Semana da Adoção, realizada no Fórum de Itu, e que reuniu diversas pessoas interessadas no tema.

O grupo, batizado de Gaaai (Grupo de Apoio aos Adotados e Adotantes de Itu), iniciou as atividades em agosto. Desde então, os voluntários passaram a se reunir para discutir aspectos relativos à adoção. “Formalmente, o Gaaai teve início em agosto, através da criação de seu estatuto e eleição da primeira diretoria para o biênio 2014-2016”, explica o Relações Públicas do grupo, Claus-Petter O. Willi. Presidido pelo advogado Rogério Almeida Gimenez, o grupo pretende atuar como órgão voluntário apoiando o Setor Técnico dos Fóruns de Itu, Salto, Porto Feliz, Cabreúva e Boituva, como uma ponte entre os candidatos e habilitados à adoção, apoio aos que já adotaram, orientação na pré e pós-adoção através da realização de palestras mensais e cursos preparatórios. Tudo em acordo com o estabelecido pelo ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente). “Há muita desinformação quanto à quantidade de menores abrigados no país versus habilitados à adoção. Muitas vezes, as pessoas debitam a morosidade de se concretizar uma adoção aos órgãos públicos, mas desconhecem o perfil das crianças e adolescentes disponíveis para adoção, que 90% das vezes não coincidem com o perfil desejado pelos candidatos”, acrescenta Claus-Petter.

            Os interessados em adotar, ou que já adotaram, podem procurar o Gaaai, bem como profissionais e estudantes das áreas sociais e interessados no assunto família e adoção. O grupo atuará por intermédio de mídias sociais e palestras mensais, procurando esclarecer dúvidas quanto à documentação, processos, preconceitos que envolvem o processo de adoção e as adoções necessárias. Claus-Petter afirma que muitas vezes, após estes esclarecimentos, as pessoas interessadas em adoção mudam o perfil dos filhos desejados, o que aumenta em muito as chances de uma adoção menos demorada.

            Hoje, 79% das pessoas habilitadas inscritas no CNA (Cadastro Nacional de Adoção) desejam adotar crianças de zero até dois anos de idade, que representam apenas 2% do total disponível para adoção. Aproximadamente, 80% das crianças disponíveis para adoção têm entre oito e 12 anos. Apenas 1,57% dos habilitados a adotar aceita crianças nesta faixa etária. Há, aproximadamente, 24 mil pessoas habilitadas à adoção e 4 mil crianças e adolescentes disponíveis, mas a conta não fecha devido ao perfil idealizado. Segundo o artigo 42 – Lei 12.010/2009 do ECA, podem adotar os maiores de 18 anos independentemente do estado civil. O adotante deve ser, pelo menos, 16 anos mais velho do que o adotando. A adoção será deferida sempre levando em conta reais vantagens para o adotando. “Importante esclarecer que, apesar de não haver lei específica aprovando ou não a adoção por homoafetivo, já existem várias sentenças ajuizadas favoravelmente a este respeito sendo o processo de documentação, habilitação e etc, o mesmo”, destaca o RP do Gaaai.

Mesmo com poucos meses em funcionamento, o grupo já está auxiliando famílias em estágio de convivência com uma criança, além de estar respondendo diariamente, via e-mail e mídias sociais, dúvidas de casais interessados em adotar. Com essas inúmeras demonstrações de interesse, eles esperam auxiliar futuros pais na escolha de seus filhos, e também na hora de encontrar um novo lar para essas crianças.

 MAIS: Para mais informações sobre adoção ou para contatar o Gaaai acesse http://gaaaifilhosdocoracao.blogspot.com.br, no Facebook: Gaaai Filhos do Coração ou escreva para grupofilhosdocoracao@gmail.com .

 foto: © Asia Yakushevich – Fotolia