Sua alimentação é amiga do coração?

– O azeite de oliva ajuda a manter os níveis de colesterol total dentro dos limites normais e aumenta os níveis de HDL (bom colesterol)

Com as facilidades dos alimentos industrializados, o coração tem pedido cada vez mais atenção!

Que o dia a dia ficou mais corrido, todo mundo sabe. E junto com essa correria, as empresas alimentícias embarcaram na onda e passaram a nos oferecer uma infinidade de opções de refeições que são só colocar no micro-ondas, esperar alguns minutinhos e, pronto, um belo prato está feito! Mas nem tudo é tão bonito quanto parece. Por mais práticos e apetitosos que esses alimentos pareçam, a quantidade de substâncias “ruins” que eles apresentam é de fazer qualquer coração pedir “help”.

“A maior porção de colesterol no corpo é produzido pelo próprio organismo e a menor parte vem pelo seu consumo na dieta. Olhando dessa forma, a alimentação pouco interfere na quantidade desta substância do corpo. Porém, o mau hábito alimentar pode alterar o transporte desse colesterol, e dessa forma causar alguns problemas. O que interfere mais nesse transporte é a inflamação por excesso de açúcar nas paredes sanguíneas, fazendo com que as proteínas que transportam o colesterol se ‘grudem’ nesses vasos aumentando a quantidade da substância circulante no sangue, gerando as placas de gordura. Além disso, o uso de óleos hidrogenados ricos em ômega 6 também gera um processo inflamatório nessa região. Esses são os maiores causadores da alteração de colesterol hoje em dia”, explica o nutricionista Bernardo Maia, especialista em Fisiologia, Bioquímica, Treinamento e Nutrição Esportiva pela Unicamp, que lembra ainda que o sedentarismo pode desregular a produção/consumo do colesterol, assim como os quadros de hipercolesterolemia genética.

Alguns peixes são ricos em gordura ômega 3, a mais saudável para o coração

Bernardo esclarece também que culpar o colesterol achando que ele é inimigo do coração é um erro que acontece muito hoje em dia. “As pessoas tendem a acreditar que o colesterol tem total relação com problemas cardíacos ou que ele seria um vilão do organismo. O colesterol é um produto essencial à vida, responsável por inúmeros processos bioquímicos importantíssimos no metabolismo humano”, ressalta o profissional.

“O ovo é um exemplo de alimento que durante muito tempo foi tratado como vilão e hoje em dia não é bem assim. A gema possui sim um alto teor de colesterol, que teoricamente seria prejudicial, mas mesmo quem tem alterações nos níveis sanguíneos de colesterol pode comer um ovo ao dia. Isso porque estudos recentes mostram que quando se tira totalmente a substância da dieta, o organismo tende a suprir essa deficiência aumentando a produção endógena. Dessa forma, é necessária uma ingestão de colesterol mínima ao dia para evitar tal situação”, completa Libia Vieira, graduada em Nutrição e Metabolismo pela USP.

Como exemplo de alimentos que podem prejudicar o coração, podemos citar os seguintes: biscoitos recheados; chips; congelados em geral; aqueles com gorduras aparentes como salames, mortadela, pele de frango e gordura de picanha; os ricos em sódio como os embutidos, temperos e molhos prontos, enlatados e alimentos em conserva, pois eles podem favorecer o aparecimento da hipertensão.

Bernardo diz que de uma forma geral, é bom evitarmos sal e farinhas refinadas, além dos açúcares. “Esses ‘alimentos’ são capazes de alterar o desempenho celular e hormonal, mexendo no funcionamento do corpo como um todo e gerando uma síndrome metabólica. Esse é o nome dado às alterações no organismo devido a uma alimentação pobre, aumentando o risco de doenças cardiovasculares. Além de alterações cardíacas, geralmente acompanha-se de disfunções na tireoide, resistência à insulina/Diabetes II, dislipidemias e obesidade”, pontua.

Dieta Mediterrânea

Como muitas vezes optamos pela praticidade e não pela qualidade, é visível o aumento no peso da população, assim como a “invenção” de inúmeras dietas, como a do Mediterrâneo, que muito se falou devido ao mix de alimentos ditos como saudáveis e completos. “A dieta Mediterrânea é rica em peixes e azeite e são nos peixes que encontramos o famoso Ômega 3, uma gordura boa para o organismo. Como se sabe, a gordura tem três tipos de ácidos graxos: saturado, monoinsaturado e poliinsaturado e é a proporção entre eles que determina a qualidade da gordura total ingerida. A banha de porco, por exemplo, tem mais gordura saturada, que não é nada saudável. O azeite de oliva é o principal representante dos monoinsaturados, com 83% de ácido graxo oleico, que além de ser o responsável pelo aroma e pela acidez do azeite, ajuda a manter os níveis de colesterol total dentro dos limites normais e aumenta os níveis de HDL (bom colesterol)”, diz Libia.

“A dieta do Mediterrâneo tem uma boa variação de alimentos, tendo como base peixes, vegetais em geral, frutas, cereais integrais e gordura vegetal natural. Ou seja, é uma dieta que antigamente os povos consumiam e que era livre de produtos industrializados, que atualmente são os maiores vilões dos cardápios cotidianos. Outro ponto da dieta é o fato da exclusão, ou baixo consumo, de gordura saturada (produtos animais de forma geral). Porém, hoje se sabe que não há relação entre essa gordura e problemas cardíacos como se pensava há alguns anos, pelo contrário. Basta pensarmos que a dieta da origem do ser humano foi rica em proteínas e gorduras naturais em geral e pobres em carboidratos. Isso fez com que o organismo se adaptasse a esses nutrientes. O surgimento desse equívoco aconteceu quando os primeiros estudos foram feitos, principalmente em cima de carnes vermelhas e ovos preparados com óleos vegetais industriais para preparo, que, quando aquecidos, têm a capacidade de mudar a estrutura química da gordura e aí sim gera prejuízos à saúde”, acrescenta o profissional.

Colesterol e a genética

A genética é um ponto de preocupação. Tanto que históricos familiares de câncer, por exemplo, costumam piscar o alerta dos médicos, pedindo aos pacientes um acompanhamento mais contínuo. E essa preocupação também existe quando o assunto é colesterol. “Quem possui alguma pré-disposição deve ter mais cuidado, pois está mais vulnerável geneticamente a desenvolver alguma alteração cardíaca. Mas atualmente, pelos hábitos modernos, isso não é mais algo essencial. Qualquer pessoa que tenha um estilo de vida sedentário e, principalmente, com uma alimentação industrializada tem grandes chances de desenvolver algum problema cardiovascular”, avalia o nutricionista.

Por isso, cuidado com o que coloca no prato. Sal rosa, negro, marinho e flor de sal são ótimos substitutos para o sal nosso de cada dia; o óleo de coco é bem melhor do que os vegetais hidrogenados, como o de canola, girassol, soja, milho, entre outros. E uma dica importante: “Tome bastante água, deixando sua urina clara”, finaliza Bernardo.

Receita para ajudar

no combate ao colesterol

A nutricionista Libia preparou uma dica exclusiva para os leitores da Revista Regional. “Essa receita contém aveia, linhaça e chia que ajudam no controle do colesterol, além das castanhas que fornecem gorduras poliinsaturadas, benéficas para garantir o equilíbrio entre o colesterol bom e o ruim”. Anote a dica!

Mix de fibras

1 pacote de aveia integral grossa

1 pacote de quinoa em flocos

100g de um mix das seguintes frutas secas ou a sua escolha: nozes, avelãs, amêndoas, castanha do Pará

1 pacote de farinha  de linhaça

1 pacote de chia

1 pacote de gelatina natural

Modo de preparo: Bater as nozes, avelãs e amêndoas e castanhas do Pará no processador ou no liquidificador ou quebrar em pedaços pequenos. Misturar com os outros ingredientes. Guardar no congelador. Pode ir do congelador direto para a mesa.

texto: Yara Alvarez

fotos: Fotolia