Rugby conquista os indaiatubanos

Esporte que fará parte das Olimpíadas de 2016 no Rio de Janeiro ganhou adeptos em Indaiatuba, que possui dois times, um deles o Tornados (na foto)

Cada vez mais o esporte inglês – até então pouco conhecido no Brasil – vem ganhando adeptos na região

 Nascido na Inglaterra, o rugby, ou rúgbi na grafia brasileira, é um esporte de muito contato físico, mas que não inibe homens e mulheres de o praticarem. Parecido com o futebol americano, ele tem duas principais diferenças: um jogador só pode passar a bola para outro atrás dele, enquanto que no futebol americano, lançamentos para frente estão liberados; e a bola só muda de equipe quando o adversário consegue roubá-la, ou no caso de falta.A regra básica do esporte é que cada uma das equipes de 15 atletas marca pontos conduzindo a bola com as mãos até o final do campo adversário, a chamada área de in goal. Outra opção é chutar a bolasobre o gol adversário, um grande “H” no final do campo.Disputado em dois tempos de 40 minutos num campo do mesmo tamanho do de futebol, o rugby conta com um árbitro e dois bandeirinhas.

O esporte é disputado em mais de 120 países e com sua inserção nas Olimpíadas de 2016, no Rio de Janeiro, começou a ficar conhecido no Brasil. Seguindo essa onda, em Indaiatuba, além da modalidade ter sido inserida pela Prefeitura Municipal no Programa de Recreação, Iniciação e Aperfeiçoamento (PRIA), habitam dois times da modalidade, o Rugby Indaiá e o Indaiatuba Rugby Clube – Tornados. Ambos com conquistas importantes no portfólio.

Mesmo com pouco tempo de existência, o time Tornados, além da Copa do Brasil 2012, foi Bi-campeão do Torneio de Seven dos Jaguarese da Taça Bowl no Spac Lions 2011

O Rugby Indaiá existe há dois anos e três meses, depois que Silvia Vieira e seu noivo, também trinador da modalidade, resolveram fundar um time próprio. “Há uns cinco anos, mais ou menos, foi meu primeiro contato com o esporte e paixão à primeira vista”, relembra Silvia que hoje é treinadora e jogadora do time que fundou.

Já o Indaiatuba Rugby Clube – Tornados existe desde 23 de junho de 2007 e começou quando um grupo de amigos assistiu a um jogo pelo canal ESPN, gostoue decidiu montar seu próprio time. Amigo foi chamando amigo e o time foi aumentando e criando corpo, mas eu nunca me interessei, tampouco conhecia as regras. Vim a descobrir o esporte, pois meus dois irmãos começaram a praticar e me chamaram, então me apaixonei”, fala Marcelo Pisani Amato, conhecido como “Didi”, o vice-presidente do time.

A equipe de Silvia treina de terça, quinta e domingo (dias divididos por categorias) no Centro Esportivo do Trabalhador, já o grupo de Marcelo se divide entre o Parque Ecológico e o campo Bela Vista, também em dias e locais divididos por categorias. “Hoje contamos com 14 atletas da categoria infantil, 25 atletas da categoria juvenil e dez da categoria feminina adulta. Além dos integrantes das equipes, trabalhamos com alguns pais dos nossos atletas que demonstraram muito interesse em participar dos treinos. Nosso corpo técnico é formado por cinco integrantes, dois preparadores físicos, profissionais formados na área de educação física, e três treinadores”, fala Silvia sobre a estrutura do time que joga.

“Temos três equipes: Adulto Masculino, Juvenil Masculino (dos 15 aos 18anos) e Feminino Adulto. Temos alguns jogadores menores de 18 anos e alguns garotos de 12 a 14 anos. São cerca de cem atletas. A diretoria é composta por alguns atletas que se ofereceram para cuidar da parte burocrática e organizacional do clube”, pontua Marcelo, do Tornados.

Mesmo com a divulgação mais “pesada” do esporte, os praticantes ainda sentem dificuldades em encontrar quem entenda do assunto. Silvia diz que as pessoas que nunca ouviram falar da modalidade diminuíram, porém o desafio agora é outro, “geralmente temos que nos empenhar mais para explicar ‘como funciona’ o rugby. Isso porque o esporte tem muitas regras, e aqueles que não o conhecem e assistem pela primeira vez acabam por não entender o que está acontecendo, o que gera desinteresse”.

Ambos os times trabalham com a ajuda de organizações na disseminação da cultura esportiva em Indaiatuba. “Muito trabalho está sendo realizado nas categorias de base infantil e juvenil. Orugbytag, que é jogado sem o contato físico, mais voltado à informação das crianças para que venham praticar o esporte, começou a ser implantado nas escolas da cidade e foi inserido no PRIA. Paralelo a isso, o Sesi fez uma parceria com a PremiershipRugby, da Inglaterra, e incorporou o esporte em suas atividades com a presença do inglês Christopher Keetley, que lecionou rugby por dez meses, além de participar dos treinos e jogos do Tornados”, explica Marcelo.

Silvia também diz que o Rugby Indaiá foca, atualmente, no projeto de inclusão do esporte nas escolas municipais, “recentemente em parceria com a Confederação Brasileira de Rugby, capacitamos alguns professores da rede pública. Vamos trabalhar com eles e suas turmas no decorrer do segundo semestre com o intuito de realizar, no final do ano, um festival municipal da modalidade”.

 

Nascido na Inglaterra, o rugby é um esporte de muito contato físico, mas que não inibe homens e mulheres de o praticarem

Títulos

O RugbyIndaiá é detentor de vários títulos entre eles os 1º lugares do I e II Torneio de Rugby feminino do Interior. Já o Tornados, além da Copa do Brasil 2012, foiBi-campeão do Torneio de Seven dos Jaguarese da Taça Bowl no Spac Lions 2011.

Ambos têm desafios já agendados. O do Indaiá é para ir jogar no exterior, e o Tornados se prepara para entrar no segundo turno do paulista B, o time feminino foca seu trabalho no treinamento físico e resistência e o juvenil está participando do Campeonato Paulista M18.

PRIA

Em Indaiatuba existe o Programa de Recreação, Iniciação e Aperfeiçoamento, o PRIA, que oferece, atualmente, 23 modalidades em 21 núcleos esportivos espalhados pela cidade. São elas: futebol, futsal, handebol, vôlei, basquete, atletismo, natação, iniciação esportiva,caratê, capoeira, tênis de mesa e de campo, ginástica rítmica, artística e de trampolim, esportes adaptados, jiu-jitsu, bicicross, aikido, futebol society e rugby.

“O objetivo do PRIA é democratizar e massificar o acesso à prática esportiva para crianças e jovens. Desta forma, há uma busca permanente pela ampliação das modalidades e núcleos esportivos. Temos como meta agregar pelo menos duas modalidades novas ao PRIA a cada ano, dando preferência àquelas que já possuem atividades locais. O rugbyvem crescendo em nossa cidade, com apoio da Secretaria Municipal de Esportes às equipes que treinam no município e representam Indaiatuba nos campeonatos. Gradativamente, conforme aumenta a informação sobre a modalidade e seus benefícios, vamos tendo maior procura”, explica o secretário municipal de Esportes, Humberto Panzetii.

Podem participar do programa crianças e jovens de seis a 17 anos e as inscrições são abertas a cada semestre, com preenchimento das vagas disponíveis pela ordem de chegada. Hoje são quase 8 mil participantes. As próximas inscrições serão abertas em 17 de agosto, das 8h às 17h, nos núcleos esportivos (a relação desses núcleos e respectivas modalidades pode ser encontrada no site da Prefeitura no endereço http://www.indaiatuba.sp.gov.br/esportes/nucleos-esportivos/ . Informações podem ser obtidas pelo telefone (19) 3825-6270). As aulas acontecem terças e quintas ou quartas e sextas, com opções de horários pela manhã e à tarde. Para efetivar a inscrição, é necessário que o responsável apresente RG ou certidão de nascimento do menor e comprovante de residência. As aulas de rugby acontecem no Sesi.

“Vale uma ressalva de que nosso clube busca se envolver com o rugby fora do campo também. Queremos tornar Indaiatuba um polo de desenvolvimento do esporte no Interior. Sempre que possível, buscamos sediar eventos como Desafio Feminino Paulista, Seletiva Copa Juvenil Cultura Inglesa, Festival de Rugby Infantil, Torneio de Seven Paulista, Jornada de Capacitação de Coachs e Árbitros, entre outros. Buscamos, por meio de parcerias com a Prefeitura, o Grupo de Escoteiros e o Sesi, trabalhar junto com a Federação Paulista de Rugby e Confederação Brasileira de Rugby, para promover tais eventos”, conclui Marcelo, do Tornados.

reportagem de Yara Alvarez

fotos Giuliano Miranda