Um museu dedicado ao gênio das curvas

Um espaço do Museu é todo dedicado a Niemeyer, considerado um verdadeiro gênio mundial da arquitetura

Em Curitiba, Revista Regional visitou o Museu Oscar Niemeyer, ponto obrigatório para os profissionais de arquitetura e design

“Oscar nos ensina que a beleza é leve”, diz o poeta Ferreira Gullar sobre um dos maiores gênios da arquitetura mundial, o brasileiro Oscar Niemeyer, falecido no último dia 05. Talvez ele tenha se esquecido de mencionar que a beleza é leve, mas também cheia de curvas, afinal, foram elas que caracterizaram o estilo Niemeyer. “Não é o ângulo reto que me atrai, nem a linha reta, dura, inflexível, criada pelo homem. O que me atrai é a curva livre e sensual, a curva que encontro nas montanhas do meu país, no curso sinuoso dos seus rios, nas ondas do mar, no corpo da mulher preferida. De curvas é feito todo o universo, o universo curvo de Einstein”, já disse certa vez o arquiteto.

Com obras espalhadas pelo Brasil e pelo mundo, como em Brasília, Belo Horizonte, Niterói, entre outras, foi em Curitiba que Revista Regional visitou um de seus mais belos projetos, hoje um museu que leva seu nome. Projetado em 1967, o que atualmente é o edifício principal do museu, o prédio foi inaugurado em 1978 durante o regime militar e chamado de Edifício Presidente Humberto Castelo Branco, integrado ao complexo do Centro Cívico de Curitiba. O projeto de Niemeyer, que teve ainda colaboração do paisagista Burle Marx, tinha como finalidade abrigar o Instituto de Educação do Paraná, mas por razões políticas, ao ser concluído, o prédio foi ocupado pela administração estadual. Somente em 2001, 23 anos depois de ser inaugurado, autoridades do Paraná decidiram transformar a generosa área em um museu. O edifício foi adaptado e transformado, sendo projetados reformas e ajustes estruturais, com renovação das redes hidráulica, elétrica e de informática, entre outras.

Com isso, as divisórias da antiga sede administrativa cederam espaço aos amplos corredores, com cerca de 60 metros de comprimento, originalmente existentes. Hoje, eles constituem as salas expositivas centrais no primeiro piso do prédio principal do Museu. Com parte das adaptações realizadas, nasceu a base do Museu, complementado pelo famoso Olho, marca registrada do MON (Museu Oscar Niemeyer). Tanto a reforma do prédio antigo, como a construção do anexo obedeceram à “mesma audácia estrutural que distinguia a construção inicial”, segundo registro do próprio Niemeyer.

O Olho

O grande Olho de concreto e vidro, ao mesmo tempo em que debruça seu olhar de dupla face para a cidade, também observa a si mesmo, refletindo o passado

Instalado à frente do edifício principal e internamente ligado a ele por um túnel, o anexo de 30 metrosde altura –do chão ao vértice da construção– imprimiu nova identidade ao antigo complexo. Projetado em 2001 e construído em 2002, numa linguagem contemporânea, o anexo, reconhecido hoje pela denominação de Olho, é um dos exemplos das obras-primas desenhadas pelo gênio brasileiro. O Museu de Arte Contemporânea de Niterói (RJ) é outra de suas obras de arte arquitetônicas. Nas duas edificações, ele faz com que a base sirva de pedestal para uma escultura de concreto, a qual pesando toneladas parece levitar.
O resultado é lúdico, tornando-se um dos maiores cartões-postais de Curitiba. O grande Olho de concreto e vidro, ao mesmo tempo em que debruça seu olhar de dupla face para a cidade, também observa a si mesmo, refletindo o passado. Um olhar que parece flutuar à frente do prédio que deu origem ao Museu.
Quatro pavimentos compõem o edifício do Olho, que pousa sobre uma base quadrangular. No salão principal, localizado na parte convexa da estrutura, são destinados cerca de 1,6 mil metros quadrados a exposições, cujo ponto mais alto atinge um pé-direito de 12 metros. Em seu oposto, na parte côncava, há uma área de apoio e infraestrutura para bar e coquetéis. A área não é utilizada para esse fim por ser vetado o consumo de alimentos e bebidas em áreas expositivas.

Acervo

 O acervo do MON surgiu com as obras do Museu de Arte do Paraná (MAP) e com o acervo do extinto Banco do Estado do Paraná (Banestado). Em sua coleção figuram importantes artistas paranaenses e nacionais de vários movimentos.

Composto por aproximadamente 3 mil peças, o acervo guarda obras dos paranaenses Alfredo Andersen, Theodoro De Bona, Miguel Bakun, Guido Viaro e Helena Wong, além de Tarsila do Amaral, Cândido Portinari, Ianelli e Caribé, além do próprio Oscar Niemeyer, entre outros.

 texto Renato Lima

fotos Renato Lima, Zeca Almeida e Nani Góes

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