Redes sociais são oportunidades ou ameaças para as empresas?

“A união de internautas online gera uma grande força, que é muito difícil de ser interrompida. Uma força formada por três elementos básicos: as pessoas com desejo de se conectar, as novas tecnologias cada vez mais interativas e os fatores financeiros online”

As redes sociais estão conquistando um espaço cada vez maior no dia a dia das pessoas. Uma rede social pode ser entendida como uma estrutura social composta por pessoas ou organizações, conectadas por um ou vários tipos de relações, que partilham valores e objetivos comuns. Alguns exemplos de redes sociais online são as redes de relacionamentos (facebook, orkut, myspace, twitter) e as redes profissionais (LinkedIn, BranchOut, XING), além das chamadas redes comunitárias (redes sociais em bairros ou cidades) e as redes políticas. Mas seja uma pequena empresa, seja uma grande companhia, é preciso aprender a lidar com esse assunto.

Uma nova era foi criada e das redes sociais surgiu o que chamamos de Groundswell (do inglês, repentina acumulação de forças) um movimento espontâneo de internautas que alcançam o que precisam uns dos outros graças às novas tecnologias, em vez de irem atrás de empresas, de instituições ou do governo, preferem usar as redes sociais para atingir seus fins.

A união de internautas online gera uma grande força, que é muito difícil de ser interrompida. Uma força formada por três elementos básicos: as pessoas com desejo de se conectar, as novas tecnologias cada vez mais interativas e os fatores financeiros online, já que tráfego equivale a dinheiro. A partir desses elementos surgiu nas organizações o método de gestão conhecido por POST (Pessoas, Objetivos, Estratégias e Tecnologia) que é a base do Groundswell. Uma forma sistemática para elaborar um plano contendo cinco objetivos principais: escutar, falar, energizar, apoiar e incluir.

O acesso a esses tipos de redes já se tornou rotina para muitos profissionais. Diversos internautas são pessoas que acessam as redes no próprio ambiente de trabalho durante a jornada de trabalho. A questão é, como reagir a esta situação? Devemos incorporar este tipo de ferramenta ao mundo empresarial? Permitir este acesso durante a rotina de trabalho?

Hoje é essencial e de significativa importância, mas tudo vai depender da estratégia que a sua empresa vai aplicar para gerenciar esta situação. Desenvolver uma estratégia de presença e uso das redes sociais online se faz cada vez mais necessário nas organizações. Qualquer que seja seu produto ou serviço, a tecnologia pode ajudar a conseguir que sua empresa alcance seus objetivos.
Primeiramente a empresa deve identificar como as pessoas –com as quais deseja se comunicar- usam as redes sociais. Em seguida, elaborar um plano de marketing para divulgação online, seja do produto, serviço, da marca, ou do nome da empresa. Após isso, identificar se deseja mudar as relações com os clientes, incentivando a divulgação de sua marca com os seus contatos na rede social. Finalmente, talvez criar uma comunidade para seus produtos/serviços ou marca, seja a maneira de interagir pela rede de “amigo para amigo”.

Isso não significa que toda empresa deve criar uma conta ou comunidade nas redes sociais, mas que devem ao menos acompanhar o que está ocorrendo nelas, o que estão comentando, elogiando, criticando ou sugerindo a respeito de seus produtos/serviços. Verificar se estão comparando a sua marca com outras marcas e usar essas informações a favor de sua empresa, como ferramenta estratégica para mudanças e inovações. Usar esta estratégia, no entanto, vai depender do público que deseja atingir, se são os seus clientes, seus funcionários, seus parceiros ou ambos os três. Afinal de contas, é também uma maneira de trazer as pessoas de fora para dentro das organizações.

Outro ponto interessante é o fato de surgir nesse meio, concorrentes com estratégias para promover seus produtos ou serviços, usando o meio de alguma maneira lucrativa, antes mesmo de sua empresa perceber a fatia que perdeu no mercado. Além disso, há uma tendência de internautas conectados com os consumidores, sejam eles os autônomos ou as empresas informais, trabalhando de maneira colaborativa surgindo como novos concorrentes em diversos casos. Cada vez mais produtos e serviços divulgados dessa maneira competem com os produzidos pelas grandes empresas, podendo representar uma ameaça ou uma oportunidade de inovação organizacional.

Quanto à preocupação de certos gestores em relação a este assunto, podemos relacionar três pontos importantes:

– Receio em relação à queda de produtividade: Existe um receio de que as pessoas ficarão mais tempo navegando nessas redes prejudicando a produtividade no dia a dia. No entanto, desde que não ocorra um excesso de utilização dessas redes, o gestor deve acompanhar se realmente algum profissional deixou de cumprir suas obrigações, de atingir suas metas, em decorrência desse uso. Para evitar que isso aconteça, o planejamento e a governança são essenciais.

– Segurança de Informação: Toda empresa deve ter uma política de confidencialidade com a qual todo funcionário tem de concordar quando é contratado. Se ainda não adaptou a sua política com a realidade virtual da época, este é o momento correto para elaborar ou revisar a sua.
– Cultura corporativa: Acreditar que as pessoas ainda não estão prontas para essa situação, é um engano. É a ocasião perfeita para a empresa planejar a gestão de mudança, a fim de adotar uma postura mais colaborativa de conhecimento, buscando a inovação, caminho que determinará quem continuará no mercado num futuro bem próximo.

Um aspecto também muito importante em relação a essas redes é que permitem uma identificação e resolução de problemas em uma área de abrangência muito maior, projeção de internauta para internauta, permitindo um alcance muito maior de possibilidades e alternativas.

Elas vão muito mais além de falar com os amigos e ver fotos, elas abrem espaço para oportunidades e possibilidades para as organizações. Para isso se faz necessário a criatividade e a inovação para ser percebido entre tantos.

Vantagens e desvantagens referentes ao Groundswell são encontradas, tudo será consequência da estratégia aplicada e de como está dando a ela o devido valor. O processo de comunicação entre os internautas se tornou muito mais complexa, a interação existe, precisamos acompanhar e tirar bom proveito dela, gerenciar de perto e tratar como prioridade estratégica de gestão no âmbito da comunicação empresarial.

Acompanhando ou participando dessas redes, você pode se antecipar ou ao menos ter conhecimento de uma crise que pode estar se formando. Agir antes de um cliente formalizar uma reclamação no Procon ou mudar de fornecedor ou de optar pelo seu concorrente. É uma maneira proativa de uma empresa poder agir, além de fortalecer a relação com o cliente.

Num futuro cada vez mais próximo, a tendência é que a internet se torne cada vez mais móvel e interligada, quase tudo que você necessita fazer conseguirá  pelo celular. Dessa forma, poderemos estar conectados a qualquer hora e em qualquer lugar. E as redes sociais vão estar em toda parte. Elas vão se tornar como ar.

Um exemplo recente foi a divulgação no CES 2012 (Consumer Electronics Show, uma das maiores feiras de eletrônicos do mundo que reúne anualmenteem Las Vegas os principais fabricantes de eletrônicos do mercado) de uma parceria entre a Mercedes e Facebook. Com aplicativo especial, os internautas poderão acessar a rede social por meio do próprio carro. Desenvolvida em parceria com a Mercedes Benz, o novo aplicativo da rede social apresenta o serviço integrado ao sistema de bordo do carro, com a intenção de ajudar o usuário a encontrar amigos e empresas por meio de um sistema muito parecido com o GPS. Manter-se sempre conectado é o objetivo, mas precisamos manter um equilíbrio, não devemos nos tornar escravos da tecnologia, gerenciar nossos hábitos e encontrar o ponto certo sem tornar uma obsessão.

Portanto, fica a orientação aos empresários e gestores para que não subestimem as redes sociais, mas que as vejam como oportunidades dentro das comunidades online que são usadas na vida pessoal, como passatempo, para serem aplicadas também no trabalho, a favor da empresa em que se trabalha para que esta possa atingir seus objetivos.

 

  Cátia Guillardi é Administradora formada pela PUC, Especialista em RH pela Fecap, Especialista em Didática no Ensino Superior pelo Mackenzie e Mestre em Administração/Gestão de Pessoas pela Universidade São Caetano do Sul. Atuação como Gestora de RH em empresas nacionais/multinacionais e hoje é Consultora Organizacional em Gestão de Pessoas especializada em Desenvolvimento Humano e Organizacional, Professora de Graduação no Ceunsp, Professora de MBA no Senac, entre outras instituições. Palestrante e Articulista.

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