Os cães merecem o céu

“Quando nossos cães morrem, eles também vão para o céu?”

Tempos atrás, ouvi de um amigo que seu irmãozinho estava doente por causa do cãozinho que tinha um problema sério de saúde. A avó deles ao saber pediu de imediato para que acendessem uma vela a São Francisco de Assis e rezasse pela vida do animal. Para quem não sabe, Francisco de Assis é considerado pela Igreja Católica o protetor dos bichos, em razão de sua vida simples dedicada à natureza e também aos pobres. Pois bem, o garotinho, em tempos modernos, logo descobriu que existe um site na internet para promessas a São Francisco. Nele, os devotos pedem proteção aos animaizinhos que estão doentes. Existe até espaço para colocar o pedido e manter uma vela “virtual” acesa.

Por curiosidade, visitei o endereço e pude me emocionar com tantas pessoas orando pelos seus bichinhos de estimação. Nele, uma pergunta de uma garotinha de sete anos me chamou a atenção: “quando nossos cães morrem, eles também vão para o céu?”. Certamente todos que amam os animais já fizeram esta pergunta alguma vez na vida. Mas até mesmo os espíritas entram em controvérsia sobre essa questão das almas dos bichos, uns garantem que eles seguem depois de mortos para o mesmo “paraíso” de seus donos; já outros dizem que não.

Muitas pessoas, independentemente de religião, até duvidam da existência da alma animal. Mas já que a dúvida sempre permanecerá existindo, prefiro ficar com uma história que li anos atrás num artigo de um jornal do Rio de Janeiro. Era sobre uma mulher que a exemplo do irmãozinho de meu amigo do início do texto também amava demais seus animaizinhos de estimação. “Dona Hilda Hidelgar, um dia adoeceu e foi para o hospital, onde entrouem coma. Osanimais de Dona Hilda, vários cães, ficaram sem comer, abatidos com a ausência da dona. Um dia, o marido dela foi chamado ao hospital, pois os médicos haviam desenganado Dona Hilda e queriam desligar os aparelhos. Chegando lá, o marido dela foi ao quarto e, foi um corre-corre danado de enfermeiras e médicos, pois ela estava acordada, o que causou imenso reboliço! O marido perguntou se estava tudo bem, ao que ela respondeu: – Sim, tudo bem! Eu estava com os meus cachorros que já morreram e estava matando as saudades, mas aí, os outros de casa vieram em meu quarto dizendo que estavam com fome. Então, eu preciso ir para casa para dar comida a eles”. Dias depois, ela se recuperou e voltou para o lar.

Para muitos, certamente, haverá uma explicação “racional” para o fato de ter sido mencionado que os seus cães entraram em seu quarto e “disseram” que estavam com fome, mas como explicar que Dona Hilda, mesmo estando internada e inconsciente soube exatamente o que se passava com os seus animais em sua ausência na casa?

Talvez, nós, humanos, precisemos reconhecer que não somos os únicos a fazer parte da criação de Deus.

Em dias de preocupação com o meio ambiente, é preciso aprender a respeitar os animais a partir de nossas próprias casas.

Renato Lima é editor da Revista Regional e escreveu
este artigo especialmente para esta seção.