A tecnologia atropelando a convivência

“Chegam ao extremo de mandar mensagens estando as duas pessoas no mesmo ambiente. Escrevem de tudo, postam tudo, até o atchim!”

Sou adepta do Facebook, e-mail, adoro internet, celular, tablet. Qualquer novidade tecnológica em comunicação, eu me interesso. Digo mais, nem tenho tudo que gostaria de ter e usar. E não poderia ser diferente na minha profissão. Mas o que eu tenho, uso com moderação, como bebida alcoólica.

Daí a trocar o convívio familiar, social e até mesmo o profissional, por uma caixinha de metal com um micro tecladinho… estou muito longe disso, graças a Deus.

Infelizmente não é o que tenho visto e presenciado por aí. É um vício.

Os mais jovens são os mais fanáticos pelos smartphones, iphones, ipods, androids, instagrams photos, e sei lá mais o que pod ou pad. Chegam ao extremo de mandar mensagens estando as duas pessoas no mesmo ambiente. Escrevem de tudo, postam tudo, até o atchim! Parafraseando eles mesmos – “É o ó!”

Tem também gente mais madura entrando na onda. Estive numa reunião de negócios em que uma executiva de seus 40 e poucos anos parecia estar com torcicolo, com a cabeça tão baixa, as duas mãos debaixo da mesa, teclando freneticamente; porém, o que ela não se atentou é que o tampo da mesa era de vidro. Virou motivo de risos e piadinhas pelo resto da reunião. Eu acho mesmo que beira a falta de educação.

Em bares e restaurantes tem mais aparelhos sobre a mesa do que petiscos e copos. Uma parte das pessoas conversa, olhando para o celular com cara de ansiedade “ele vai tocar, vai chegar um SMS” e a outra parte fica no uso do próprio celular, postando fotos e frases no Facebook. A minoria conversa, ri e se diverte – estou nessa turma. Isso se a gente não for dar conta daqueles que ouvem música sem fone de ouvido em recinto público, sendo que a maioria desses tem péssimo gosto musical, claro.

Chover no molhado é comentar sobre os que não desligam seus aparelhinhos no cinema, teatro e espetáculos culturais. Creio que ainda chegaremos ao ponto de ter detectores de celulares nas portas desses locais e, no lugar das glamourosas chapelarias dos teatros teremos guarda-volumes para eletrônicos.

E o convívio cada dia mais tecnológico. Tudo é dito por e-mail, SMS, publicações no “face”. Uma frieza só. As pessoas não se dão conta de que estão se anulando, nem elas mesmas estão presentes nos lugares. Estão dentro de suas caixinhas tecnológicas.

Esperamos o despertar da própria sociedade que veja logo o quanto ainda é melhor perder mais tempo com o beijo molhado, com o calor do abraço, a alegria do riso, a ternura das palavras…

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Vanise Begossi é publicitária, proprietária da Estação da Comunicação, e escreveu este artigo especialmente para a seção Plural desta edição.

foto: Microfoto