Informação: a arma contra o mau político

“Um vereador não pode ser demitido. No máximo ele pode não ser reeleito, mas para isso seus chefes, os cidadãos, precisam de informações que mostrem que ele é mau e não trabalha a favor da população”

A cada quatro anos os vereadores decidem sobre os salários dos que os sucederão. Para isso, um jogo de cena sempre acontece: as sessões acontecem no apagar das luzes do ano, sempre os aumentos são arbitrários e sem nenhuma justificativa plausível e, pior, após algum alarde e protestos, a poeira baixa e eles riem de nós como lordes da plebe. Dessa vez as manifestações populares, vitaminadas pelas redes sociais na Internet, parecem trazer um alento de que o final pode ser diferente. A palavra de ordem é transparência e a arma contra o mau político é a verdade.

Imagine que todo mês você guarde seu dinheiro em um banco, para que ele renda e você possa usufruir no futuro. Imagine que quando esse futuro chegar o gerente do banco lhe diga: nós não cuidamos bem do seu dinheiro e você agora não tem mais nada! Certamente você ficaria indignado e tomaria providências, certo? Pois uma situação muito semelhante pode estar acontecendo em sua cidade, onde você e sua empresa pagam impostos com sacrifício, e gerentes despreparados ou mal intencionados podem estar dilapidando o seu patrimônio.

Os eleitores elegem os seus vereadores. Eles são os “gerentes” do município e devem fiscalizar as ações do prefeito e propor projetos que melhorem a vida dos cidadãos. Os “gerentes” de Itu decidiram que irão ganhar R$ 10 mil por mês no próximo mandato. Nada contra um gerente receber R$ 10 mil, desde que dê resultados e faça por merecer. Aqui os caminhos a política e a iniciativa privada se separam. Um mau gerente pode ser demitido se os sócios da empresa forem bem informados e perceberem má gestão. Um vereador não pode ser demitido. No máximo ele pode não ser reeleito, mas para isso seus chefes, os cidadãos, precisam de informações que mostrem que ele é mau e não trabalha a favor da população. Não somos educados para buscarmos informações sobre os gerentes da cidade. Muitos eleitores são ludibriados por presentes ou favores, gestos que perpetuam gerentes maus no poder público.

Outro fato é o aumento concedido. Em Itu o índice foi de 61%. Os índices de inflação indicam que o reajuste deveria ter sido de no máximo 21%. Um trabalhador tem que negociar muito para conseguir aumentos reais. Por que então nossos vereadores se concedem um reajuste três vezes maior do que seria normal? Não seria mais coerente se os reajustes dos vereadores fossem equivalentes ao do salário mínimo? Ou então aos reajustes dos funcionários públicos municipais? Mas chamo a atenção para o grande fato de que sempre deixa de ser discutido nessas épocas: eles fazem por merecer? Poucos cidadãos sabem responder essa pergunta. Por isso vereadores ruins, maus gestores, sempre voltam à Câmara.

A Internet está trazendo ao público informações sobre o que cada vereador produz e o quanto ele é útil para a população. Esse deve ser o único critério para que mereça seu voto e seja reeleito. Como exemplo, dados do desempenho de uma vereadora de Itu, nos últimos três anos: Requerimento: UM; Projetos QUATRO (sendo dois nomes de ruas); Moção: QUATORZE e Indicação: ZERO. Pergunto ao eleitor: esse é um bom desempenho? Essa vereadora atendeu os anseios da população e fez por merecer o salário que recebe?

Não é muito mais fácil decidir assim? Pois bem, essas informações estão disponíveis no site www.adoteumvereadoritu.com.br. Se nos pautarmos pelo desempenho para votarmos nas próximas eleições, poderemos mudar o comportamento dos vereadores, para que suas ações sejam pautadas pela população e não por interesses pessoais.

 

Plinio Bernardi Jr., economista, professor da EAESP-FGV e participante do grupo Transparência Itu, colaborou com esta edição.

foto: Microfoto