Aleijadinho redescoberto

O livro acrescenta 61 esculturas sacras ao acervo já conhecido de criações do Aleijadinho

O ituano Marcelo Coimbra, junto dos pesquisadores Márcio Jardim e Herbert Sardinha Pinto, acaba de lançar um inventário com obras inéditas atribuídas a um dos maiores artistas brasileiro, o Aleijadinho

Três pesquisadores que se dedicam há anos a descobrir e expor obras de um dos maiores nomes da arte brasileira, Antonio Francisco Lisboa, o Aleijadinho, acabam de lançar um novo inventário das obras do artista mineiro. “O Aleijadinho – Catálogo Geral da Obra – Inventário das Coleções Públicas e Particulares” é de autoria de Márcio Jardim, Herbert Sardinha Pinto e do ituano Marcelo Coimbra. Lançado no dia 21 de outubro na capital paulista, o livro acrescenta 61 esculturas sacras ao acervo já conhecido de criações do Aleijadinho.

Os autores contaram com consultoria informal de outros especialistas de Aleijadinho e segundo Marcelo Coimbra, eles têm consciência da polêmica em volta dessas “novas” do artista mineiro. O número de obras atribuídas a Aleijadinho tem gerado discussões, pois muitos estudiosos consideram que muito de seu estilo foi copiado e que algumas peças são de auxiliares de sua oficina. “A relação de obras estabelecidas pelo Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) foi aumentando com o passar dos anos. Em 1951 eram apenas 141, passou para 238 em 1977 e 425 em 2006, agora nós relacionamos nesse livro mais de 480 peças”, explica Marcelo. Mas para o Instituto o registro ainda é 425.

É a primeira vez que peças de coleções particulares são exibidas em uma obra, tornando-a assim mais rica de dados e um vasto material de pesquisa para estudiosos e amantes do artista brasileiro. “O Aleijadinho é um dos maiores artistas brasileiros e essa grandiosidade nas peças dele são características apaixonantes”, detalha Marcelo, que há 20 anos se dedica a estudá-lo. Ele foi responsável por convencer 20 colecionadores a autorizarem a publicação dessas peças, bem como fotografá-las e descrevê-las nesse inventário. “Muitas peças nunca foram mostradas”, acrescenta.

Nos detalhes, algumas peças do grande artista mineiro

Apesar de se encontrar peças nas cidades históricas de Minas Gerais, Marcelo Coimbra afirma que 80% das obras de coleções particulares estão no Estado de São Paulo. O livro, que levou seis anos para ficar pronto, reúne obras de coleções públicas espalhadas por 18 cidades mineiras como Ouro Preto (onde se localiza o Museu Aleijadinho), Mariana, Sabará, São João Del Rei, Tiradentes, Barão de Cocais, Catas Altas do Mato Dentro, Caeté, Rio Espera, Felixlândia, Nova Lima, Rio Pomba, Santa Luzia, Raposos, Pedro Leopoldo, Itabirito, Belo Horizonte e Congonhas. Em São Paulo, as peças se concentram no Palácio dos Bandeirantes, Museu de Arte Sacra e Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand, além das peças de coleções particulares.

O livro, que tem foco em peças de pequeno porte como os antigos oratórios caseiros, é uma celebração prévia do bicentenário da morte de Aleijadinho, e junto de seu lançamento entre os dias 21 e 30 de outubro uma exposição com 16 obras inéditas aconteceu no Círculo Militar de São Paulo.

Sobre os autores

Obra que faz parte do inventário

Márcio Jardim é historiador e estuda Aleijadinho desde 1969, foi o primeiro a pesquisar sistematicamente as coleções particulares espalhadas pelo Brasil. Já publicou dois catálogos sobre o artista, em 1995 e 2006, e é responsável pela descoberta de centenas de obras. Hebert Sardinha Pinto estudou filosofia e ciências sociais e possui mais de 50 anos de experiência no estudo de arte sacra, é também um grande estudioso da vida de santos e autor de muitos artigos sobre a história de Minas Gerais. Ele foi membro da comissão responsável por organizar o Museu de Arte Sacra de São Paulo na década de 60. O ituano Marcelo Coimbra é um grande antiquário em Itu e foi patrocinador e curador de muitas exposições de obras do Aleijadinho.

texto e fotos: Gisele Scaravelli