Ela transforma indignação em risos

Grace como uma de suas novas personagens no espetáculo “Terça Insana”, que comemora dez anos dia 29 em Indaiatuba, com apoio da Revista Regional

Grace Gianoukas, a criadora do espetáculo Terça Insana, fala com exclusividade para a Regional

Do Sul, em rasante direto para inovar o cenário paulista do humor inteligente (muito antes desse assunto ser moda). Com exclusividade, entrevistamos a atriz Grace Gianoukas, gaúcha, mas paulista desde 1984, cômica, afiada, e criadora do espetáculo Terça Insana, que neste ano completa dez anos em cartaz. Em meia hora de conversa, passamos pela criatividade, ideias, fatos curiosos, e até emocionantes. Tudo para vocês saborearem antes de ver ao vivo e em cores essa mulher que transforma em arte o que a incomoda. Dia 29 de outubro, às 21h, Grace e sua trupe estarão no palco do Ciaei, em Indaiatuba, comemorando a primeira década de sucesso absoluto. Com personagens clássicos e novos, as boas risadas estão garantidas. A apresentação em Indaiatuba tem apoio da Revista Regional e é uma realização da GT Produções.

 

Nesses dez anos em cartaz, deve haver muitos momentos marcantes. Conte-nos os que não são esquecidos.

Grace Gianoukas: Tiveram vários fatos curiosos e marcantes durante esses dez anos de estrada, desde episódios cômicos até os emocionantes. Um que me marcou bastante foi uma carta que recebi de uma moça, cuja mãe passou por um processo de perdas, e com isso entrou em depressão profunda, sem sair da cama para nada. Até que a filha colocou um DVD da Terça Insana para a mãe assistir, e depois de cinco anos ela voltou a rir. A moça disse que nós fizemos a mãe dela voltar a sorrir. Isso não teve preço! Outro fato curioso foi de uma amiga que passou alguns dias em um templo budista, local de muita paz e silêncio, e em um determinado dia, viu os monges assistindo ao DVD do espetáculo.

 

Como vem a inspiração para criar os personagens?

Grace: O que me leva a criar é a raiva. Transformo minha revolta em expressão, e rio das coisas que me incomodam. Exemplo: não suporto ver pessoas humilhando outras, colocando a culpa de seus erros em seus semelhantes. Não existe a perfeição. Por isso que pego os excluídos e os coloco no palco.

Grace, de cara limpa, fala sobre os dez anos da peça

 

E como lidar com as questões polêmicas?

Grace: Teve uma vez que estávamos em Campo Grande, Cuiabá, quando o hotel em que estava hospedada foi invadido por padres, bispos, freiras, pois era a posse de um novo bispo na cidade. Até que um chegou a mim e disse que adorava, e assistia, aos nossos DVDs. Olha que bacana. Tanta gente fala mal da Terça Insana por interpretar figuras divinas, e vem um padre e elogia o trabalho. Não quero fazer mal para ninguém, nós tratamos o divino com discernimento. Acredito que acima de tudo é possível lidar com questões polêmicas sem machucar ninguém, mas sim, possibilitando a reflexão. Nosso objetivo é a luz!

 

Ao que credita o sucesso da Terça Insana?

Grace: O Brasil tem uma rede de pessoas extremamente abertas para coisas novas. Não gosto de acreditar que o público volta para nos assistir só porque é moda. As pessoas voltam porque gostaram do que viram, e da qualidade do espetáculo.

 

E depois de dez anos na estrada, o que mais você deseja para a Terça Insana?

Grace: Queremos ir a lugares que nunca fomos, existem muitas cidades que por causa de agenda nós não conseguimos ir. E como diz o poeta “o artista vai aonde o povo está”, é isso que quero.

Quero poder conversar, conhecer quem gosta do meu trabalho, porque a arte atravessa séculos!

 

entrevista e texto Yara Alvarez

fotos Divulgação