{"id":388,"date":"2011-01-10T09:38:35","date_gmt":"2011-01-10T12:38:35","guid":{"rendered":"http:\/\/revistaregional.com.br\/site\/?p=388"},"modified":"2024-01-26T09:47:17","modified_gmt":"2024-01-26T12:47:17","slug":"a-vida-em-alto-mar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revistaregional.com.br\/site\/2011\/01\/10\/a-vida-em-alto-mar\/","title":{"rendered":"A vida em alto-mar"},"content":{"rendered":"<figure id=\"attachment_389\" aria-describedby=\"caption-attachment-389\" style=\"width: 384px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a rel=\"attachment wp-att-389\" href=\"http:\/\/revistaregional.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/01\/reporter-3-640x480.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-389 \" src=\"http:\/\/revistaregional.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/01\/reporter-3-640x480.jpg\" alt=\"\" width=\"384\" height=\"244\" srcset=\"https:\/\/revistaregional.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/01\/reporter-3-640x480.jpg 640w, https:\/\/revistaregional.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/01\/reporter-3-640x480-300x190.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 384px) 100vw, 384px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-389\" class=\"wp-caption-text\">Os cruzeiros se tornaram a grande sensa\u00e7\u00e3o para as viagens de f\u00e9rias no Brasil<\/figcaption><\/figure>\n<p>Os cruzeiros mar\u00edtimos t\u00eam conquistado cada vez mais a prefer\u00eancia dos brasileiros, que desfrutam da oportunidade de conhecer os quatro cantos do mundo a bordo de navios luxuosos em viagens que duram apenas alguns dias ou, no m\u00e1ximo, algumas semanas. Mas o que muita gente desconhece \u00e9 a vida que existe por tr\u00e1s de todo aquele luxo de cassinos, jantares e bailes de gala, dignos dos melhores filmes de Hollywood.<\/p>\n<p>\u00c9 esta vers\u00e3o dos cruzeiros que d\u00e1 o tom desta reportagem, atrav\u00e9s da experi\u00eancia de dois profissionais que entraram de cabe\u00e7a em aventuras de trabalho oceano afora. Eles contam sobre as maravilhas de fazer parte de uma jornada como esta, mas tamb\u00e9m revelam as principais dificuldades, que podem servir de conselhos para quem pretende embarcar em algum grande navio, seja a passeio ou a trabalho.<\/p>\n<p>O m\u00fasico Lu\u00eds Fernando Barbosa, 26 anos, j\u00e1 participou de dois cruzeiros como pianista oficial dos navios. Seu primeiro contrato foi com o Visiono of the Seas, da Royal Caribbean, at\u00e9 ent\u00e3o in\u00e9dito no Brasil. Ele lembra que embarcou em Lisboa (Portugal) e passou por lugares paradis\u00edacos, como a Ilha da Madeira, Tenerife, Cadiz Gras Canarias, Lanzarote, Sevilha e finalmente as capitais brasileiras como Recife, Salvador e Rio de Janeiro. Foram cinco meses de embarque. J\u00e1 o segundo cruzeiro foi a bordo do navio Bleu de France, que durou tr\u00eas meses, e possibilitou que o m\u00fasico conhecesse todo o Mar Mediterr\u00e2neo. Desta vez ele visitou a Fran\u00e7a, It\u00e1lia, Tun\u00edsia, Malta e uma s\u00e9rie de outros lugares na Espanha.<\/p>\n<p>Para ele, o mais encantador foi pisar em Roma. \u201cPoder conhecer o Coliseu, Fontana de Trevi e, sem d\u00favidas, o Vaticano, foi realmente muito emocionante\u201d, recorda. Barbosa tamb\u00e9m esteve em Pizza, onde observou de perto a famosa torre torta. O pianista conta que cada visita \u00e9 uma verdadeira volta \u00e0s aulas de hist\u00f3ria dos tempos de escola, quando admirava as fotografias de todos aqueles lugares nos livros. \u201c\u00c9 incr\u00edvel quando voc\u00ea se d\u00e1 conta que est\u00e1 ali, pessoalmente, apreciando os monumentos ao vivo\u201d, compartilha. Tudo isso tornou essas experi\u00eancias impag\u00e1veis. O entrevistado assegura que foram oportunidades \u00fanicas de ter contato com tantos lugares e culturas diferentes, fazer amizades e trocar viv\u00eancias. Principalmente porque ele aproveitou momentos \u00f3timos trabalhando e, mais que isso, viu que os passageiros tamb\u00e9m estavam se divertindo com o seu trabalho.<\/p>\n<p>Com o agente de viagens Alan Ricardo Rossi, 35 anos, n\u00e3o foi muito diferente. Ele j\u00e1 efetivou tr\u00eas contratos com cruzeiros, dois como <em>assistant cook <\/em>e um como deck <em>assistant, <\/em>dentro dos quais teve a possibilidade de trabalhar em seis navios da Cia. Princess Cruises nos mais diversos roteiros. Ele conta que \u00e9 dif\u00edcil citar o lugar que mais o impressionou, pois passou por todos os continentes. \u201cEm minha concep\u00e7\u00e3o o mundo todo \u00e9 muito bonito. Cada lugar tem sua peculiaridade. Conheci a Austr\u00e1lia, Nova Zel\u00e2ndia, Nova Caled\u00f4nia, Bora Bora, Fiji, Alaska, M\u00e9xico, Senegal, Dakar, Miami, Victoria, Halifax, Canad\u00e1. N\u00e3o d\u00e1 pra escolher apenas uma como prefer\u00eancia\u201d, detalha.<\/p>\n<figure id=\"attachment_391\" aria-describedby=\"caption-attachment-391\" style=\"width: 384px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a rel=\"attachment wp-att-391\" href=\"http:\/\/revistaregional.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/01\/reporter-3b-640x480.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-391 \" src=\"http:\/\/revistaregional.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/01\/reporter-3b-640x480.jpg\" alt=\"\" width=\"384\" height=\"288\" srcset=\"https:\/\/revistaregional.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/01\/reporter-3b-640x480.jpg 640w, https:\/\/revistaregional.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/01\/reporter-3b-640x480-300x225.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 384px) 100vw, 384px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-391\" class=\"wp-caption-text\">Lugares paradis\u00edacos podem ser conhecidos atrav\u00e9s dos passeios que os cruzeiros oferecem no Brasil e tamb\u00e9m no exterior<\/figcaption><\/figure>\n<p>Apesar disso, o entrevistado afirma que o Hava\u00ed \u00e9 inesquec\u00edvel por todo o seu contexto. Ele define o lugar como um verdadeiro para\u00edso. E muito bem estruturado. \u201cEm um instante voc\u00ea est\u00e1 de cara com toda aquela organiza\u00e7\u00e3o e sofistica\u00e7\u00e3o t\u00edpica dos EUA e, de repente, em menos de 30 minutos de carro, voc\u00ea se sente em um dos lugares mais selvagens do mundo, com uma beleza sobrenatural, a cor da \u00e1gua impressionante\u201d, lembra com cada detalhe. Assim como n\u00e3o esquece a li\u00e7\u00e3o que aprendeu na Jamaica. Viu de perto o quanto aquele povo \u00e9 sofrido, mas que disp\u00f5e de uma alegria incondicional de viver, que at\u00e9 hoje n\u00e3o encontrou explica\u00e7\u00e3o para compreend\u00ea-la. \u201cA costa de Ocho Rios \u00e9 sempre atingida por grandes tempestades tropicais do Caribe. Por isso aquele \u00e9 um povo que est\u00e1 em constante reconstru\u00e7\u00e3o. \u00c9 incr\u00edvel como eles se mant\u00eam ali, mesmo sabendo que v\u00e3o sofrer tudo novamente em pouco tempo\u201d, admira o agente de viagens.<\/p>\n<p>Tanto para Lu\u00eds Fernando quanto para Alan, o mais gratificante dessas viagens \u00e9 o fato de poder acordar cada dia em um lugar diferente, lidando com pessoas e comportamentos t\u00e3o distintos, aprendendo a respeitar as diferen\u00e7as, hierarquias, entendendo mais o ser humano e a pr\u00f3pria vida. Os dois concordam que foram experi\u00eancias enriquecedoras, tanto profissional quanto pessoalmente, que trouxeram muito amadurecimento para quem eles mesmos s\u00e3o. Por\u00e9m, como mencionamos no in\u00edcio da reportagem, nem tudo \u00e9 t\u00e3o f\u00e1cil. As dificuldades existem e n\u00e3o s\u00e3o poucas. Quem pensa que os profissionais que viajam a bordo destes grandes navios para trabalhar t\u00eam todas as regalias de um h\u00f3spede, est\u00e1 muito enganado. \u00c9 claro que eles usufruem de todo o espa\u00e7o, inclusive da \u00e1rea de lazer, mas dificilmente sobra tempo.<\/p>\n<figure id=\"attachment_390\" aria-describedby=\"caption-attachment-390\" style=\"width: 384px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a rel=\"attachment wp-att-390\" href=\"http:\/\/revistaregional.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/01\/rep-1-b-640x480.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-390 \" src=\"http:\/\/revistaregional.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/01\/rep-1-b-640x480.jpg\" alt=\"\" width=\"384\" height=\"288\" srcset=\"https:\/\/revistaregional.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/01\/rep-1-b-640x480.jpg 640w, https:\/\/revistaregional.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/01\/rep-1-b-640x480-300x225.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 384px) 100vw, 384px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-390\" class=\"wp-caption-text\">O pianista Lu\u00eds Fernando conta que cada viagem de cruzeiro se torna uma verdadeira aula de hist\u00f3ria, por conta dos lugares que conheceu ao redor do mundo, como Roma<\/figcaption><\/figure>\n<p>No caso do pianista, ele conseguiu aproveitar mais porque s\u00f3 tinha o compromisso de tocar no per\u00edodo da noite. E estava fazendo algo que gosta. Afinal, trabalha como m\u00fasico h\u00e1 17 anos. \u201cPara mim a maior dificuldade foi ficar longe das pessoas que amo: fam\u00edlia, amigos e namorada. O mais triste \u00e9 ver que eles ficaram aqui, sofrendo, e saber que eu tamb\u00e9m estou sentindo a mesma falta de todos, muitas vezes do outro lado do mundo, sozinho\u201d, desabafou. Ele tamb\u00e9m estranhou a velocidade com que precisou se adaptar, principalmente no que diz respeito \u00e0 l\u00edngua estrangeira. \u201cPassei alguns apertos com a comunica\u00e7\u00e3o quando estava na Europa, por exemplo, mas como muito custo conseguia dar um jeito de conversar com todos\u201d, lembra.<\/p>\n<p>Com o agente de viagens foi um pouco mais complicado. Como trabalhou na cozinha em todos os cruzeiros que participou, ficava muito tempo atarefado. Rossi compara o esquema hier\u00e1rquico e a carga hor\u00e1ria a um regime militar. \u201cFicava muito preso a procedimentos de trabalho, bastante pesados, chegando a ficar 12 horas diretas sem parar\u201d, compartilha. Ele comenta que a quest\u00e3o financeira compensa, j\u00e1 que n\u00e3o \u00e9 preciso pagar moradia e nem refei\u00e7\u00f5es, e que devido \u00e0 hierarquia existe a possibilidade de se ter um plano de carreira e atuar em v\u00e1rios setores. Mas para isso \u00e9 preciso ter paci\u00eancia, pois se leva um tempo, e acima de tudo tem que estar disposto a abrir m\u00e3o do conv\u00edvio e da proximidade com a fam\u00edlia e os amigos. E n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 isso. As rela\u00e7\u00f5es humanas n\u00e3o foram nada f\u00e1ceis para o marinheiro de cozinha. \u201cOs brasileiros eram minoria nos navios e existem as m\u00e1fias a bordo, que excluem e dificultam a conviv\u00eancia com determinados profissionais, como aconteceu comigo\u201d, lamenta.<\/p>\n<p>Mesmo com todas essas barreiras, os dois conseguiram se sair muito bem nos cruzeiros que fizeram. Como todo brasileiro, eles conquistaram seu espa\u00e7o com muita garra e determina\u00e7\u00e3o, sempre aproveitando cada instante para adquirir experi\u00eancia profissional, mas tamb\u00e9m desfrutando cada aspecto positivo. Para quem deseja encarar uma viagem dessa a trabalho, aconselham a estudar bem o setor que se deseja trabalhar para n\u00e3o ter arrependimentos depois. \u00c9 indispens\u00e1vel ter o dom\u00ednio de uma segunda l\u00edngua, especialmente o ingl\u00eas, pois aumenta o leque de possibilidades de atuar em diversos ramos. No entanto, o essencial \u00e9 ter muita disposi\u00e7\u00e3o e for\u00e7a de vontade. Assim aproveitar\u00e1 chances indispens\u00e1veis de ganhar dinheiro, com muito esfor\u00e7o, mas tamb\u00e9m recompensas.<\/p>\n<p>texto: Caroline Rizzi<\/p>\n<p>fotos: Arquivo pessoal e BIRF<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os cruzeiros mar\u00edtimos t\u00eam conquistado cada vez mais a prefer\u00eancia dos brasileiros, que desfrutam da oportunidade de conhecer os quatro cantos do mundo a bordo de navios luxuosos em viagens que duram apenas alguns dias ou, no m\u00e1ximo, algumas semanas. 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