{"id":36199,"date":"2026-01-13T10:03:30","date_gmt":"2026-01-13T13:03:30","guid":{"rendered":"https:\/\/revistaregional.com.br\/site\/?p=36199"},"modified":"2026-01-13T10:07:10","modified_gmt":"2026-01-13T13:07:10","slug":"monique-alfradique-carreira-autenticidade-e-novos-caminhos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revistaregional.com.br\/site\/2026\/01\/13\/monique-alfradique-carreira-autenticidade-e-novos-caminhos\/","title":{"rendered":"Monique Alfradique: carreira, autenticidade e novos caminhos"},"content":{"rendered":"<p>Monique Alfradique cresceu diante das c\u00e2meras, mas nunca se deixou aprisionar pela imagem que o p\u00fablico conhecia desde os tempos de Paquita. Ao longo de mais de duas d\u00e9cadas, construiu uma trajet\u00f3ria s\u00f3lida na TV, no teatro e em projetos que transitam entre o entretenimento e a reflex\u00e3o social. Hoje, a atriz se afirma como uma voz feminina que busca autenticidade e liberdade em cada escolha. Em entrevista exclusiva \u00e0 Revista Regional, Monique fala sobre carreira, feminismo e os desafios de se reinventar em uma ind\u00fastria que ainda carrega padr\u00f5es est\u00e9ticos e desigualdades. <em>\u201cO feminismo me fez entender o quanto \u00e9 importante ocupar espa\u00e7os com a minha voz e, ao mesmo tempo, abrir caminho para outras mulheres\u201d,<\/em> afirma. Entre personagens intensos, projetos que a tiram da zona de conforto e reflex\u00f5es sobre relacionamentos e liberdade afetiva, ela mostra que sua arte \u00e9 tamb\u00e9m um manifesto de coragem e transforma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<figure id=\"attachment_36200\" aria-describedby=\"caption-attachment-36200\" style=\"width: 240px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/revistaregional.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/1.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-36200\" src=\"https:\/\/revistaregional.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/1-240x300.jpg\" alt=\"\" width=\"240\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/revistaregional.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/1-240x300.jpg 240w, https:\/\/revistaregional.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/1.jpg 819w\" sizes=\"(max-width: 240px) 100vw, 240px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-36200\" class=\"wp-caption-text\">Monique Alfradique em ensaio<\/figcaption><\/figure>\n<p><strong>REVISTA REGIONAL: Voc\u00ea come\u00e7ou como Paquita e construiu uma carreira s\u00f3lida na TV e no teatro. Olhando para tr\u00e1s, qual foi o momento mais decisivo para se afirmar como atriz?<\/strong><\/p>\n<p><strong>MONIQUE ALFRADIQUE:<\/strong> Acho que o momento mais decisivo foi quando comecei a conquistar personagens que mostravam outras facetas minhas, al\u00e9m daquela imagem da menina que o p\u00fablico conhecia desde a \u00e9poca de Paquita. Foi um processo de amadurecimento, de provar para mim mesma e para o mercado que eu era uma atriz pronta para desafios diferentes. O teatro tamb\u00e9m teve um papel fundamental nessa virada.<\/p>\n<p><strong>Em entrevistas, voc\u00ea j\u00e1 comentou sobre cobran\u00e7as est\u00e9ticas no in\u00edcio da carreira. Como enxerga hoje a rela\u00e7\u00e3o entre padr\u00f5es de beleza e a liberdade art\u00edstica?<\/strong><\/p>\n<p>Eu acho que a maturidade e o tempo de carreira me trouxeram uma vis\u00e3o muito mais leve sobre isso. No in\u00edcio, \u00e9 natural querer se encaixar em certos padr\u00f5es, principalmente quando voc\u00ea est\u00e1 come\u00e7ando e ainda buscando o seu espa\u00e7o. Mas com o tempo, percebi que a verdadeira for\u00e7a de um artista est\u00e1 justamente na autenticidade, em mostrar quem voc\u00ea \u00e9, com suas caracter\u00edsticas \u00fanicas.&nbsp;Hoje, vejo uma transforma\u00e7\u00e3o acontecendo na ind\u00fastria, com mais espa\u00e7o para diferentes corpos, idades e express\u00f5es. Isso \u00e9 libertador, porque amplia as possibilidades criativas e nos permite contar hist\u00f3rias mais diversas e reais. A beleza est\u00e1 na verdade do que a gente transmite, e n\u00e3o em atender a um ideal que n\u00e3o representa todo mundo.<\/p>\n<p><strong>Voc\u00ea transita entre novelas, s\u00e9ries, teatro e at\u00e9 reality shows. O que cada formato te ensina e como voc\u00ea escolhe seus projetos?<\/strong><\/p>\n<p>Cada formato me ensina algo muito espec\u00edfico e precioso. A novela me d\u00e1 ritmo, disciplina e a oportunidade de mergulhar em personagens que o p\u00fablico acompanha por meses. O teatro \u00e9 o lugar da entrega total, da presen\u00e7a, onde o p\u00fablico devolve a energia em tempo real, \u00e9 sempre transformador. J\u00e1 os realities e programas de entretenimento, como o Crush Animal do Multishow e Beach Life do canal E!, me conectam com o p\u00fablico de um jeito mais espont\u00e2neo, leve e verdadeiro. Na hora de escolher um projeto, o que mais pesa \u00e9 o prop\u00f3sito. Eu busco hist\u00f3rias ou experi\u00eancias que me provoquem, que tragam algo novo, que me fa\u00e7am crescer como artista e como pessoa. Gosto de sair da zona de conforto, de experimentar. Acho que \u00e9 isso que mant\u00e9m a chama acesa depois de tantos anos de carreira.<\/p>\n<p><strong>Como o feminismo influencia suas escolhas pessoais e profissionais?<\/strong><\/p>\n<p>O feminismo me trouxe consci\u00eancia e coragem. Ele me fez entender o quanto \u00e9 importante ocupar espa\u00e7os com a minha voz e, ao mesmo tempo, abrir caminho para outras mulheres. Busco trabalhar com pessoas e hist\u00f3rias que valorizem a mulher de maneira plural, que mostrem nossa for\u00e7a, vulnerabilidade, intelig\u00eancia e sensibilidade. E, no pessoal, o feminismo me ensinou a ser mais gentil comigo mesma, a n\u00e3o me cobrar perfei\u00e7\u00e3o e a reconhecer o valor das minhas conquistas.<\/p>\n<figure id=\"attachment_36201\" aria-describedby=\"caption-attachment-36201\" style=\"width: 240px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/revistaregional.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/2.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-36201\" src=\"https:\/\/revistaregional.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/2-240x300.jpg\" alt=\"\" width=\"240\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/revistaregional.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/2-240x300.jpg 240w, https:\/\/revistaregional.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/2.jpg 819w\" sizes=\"(max-width: 240px) 100vw, 240px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-36201\" class=\"wp-caption-text\">Monique est\u00e1 atualmente na novela das 18h<\/figcaption><\/figure>\n<p><strong>Muitas atrizes relatam que ainda enfrentam desigualdade de oportunidades. Voc\u00ea sente que o mercado audiovisual brasileiro est\u00e1 mudando nesse sentido?<\/strong><\/p>\n<p>Eu acredito que estamos, sim, em um processo de mudan\u00e7a, e isso \u00e9 muito animador. Ainda existem desigualdades, principalmente quando falamos de representatividade e protagonismo feminino nos bastidores, mas vejo avan\u00e7os concretos. Um exemplo disso \u00e9 o Crush Animal, programa que apresento e sou coprodutora: temos uma equipe de dire\u00e7\u00e3o e produ\u00e7\u00e3o formada majoritariamente por mulheres. Dividir a cria\u00e7\u00e3o com Andrea Batitucci e a talentosa Carol Dur\u00e3o \u00e9 uma experi\u00eancia muito enriquecedora. Isso faz toda a diferen\u00e7a no olhar, na sensibilidade e at\u00e9 na forma como o ambiente de trabalho se constr\u00f3i. Ver mulheres comandando, decidindo e criando \u00e9 inspirador e mostra que o mercado est\u00e1, aos poucos, se transformando. O p\u00fablico tamb\u00e9m est\u00e1 mais atento e quer ver essas mudan\u00e7as refletidas nas telas. Ainda h\u00e1 um caminho a percorrer, mas \u00e9 bonito perceber que estamos construindo um audiovisual mais equilibrado, diverso e com espa\u00e7o real para todas as vozes.<\/p>\n<p><strong>Recentemente voc\u00ea comentou sobre monogamia e relacionamentos. Como essas reflex\u00f5es dialogam com o movimento de mulheres que buscam mais liberdade afetiva?<\/strong><\/p>\n<p>Acredito que estamos vivendo um momento muito interessante, em que as mulheres est\u00e3o questionando estruturas que antes pareciam imut\u00e1veis, e isso inclui a forma como amamos e nos relacionamos. Quando falo sobre monogamia, n\u00e3o \u00e9 no sentido de defender ou criticar um modelo, mas de pensar sobre o que realmente faz sentido para cada um, sem culpa e sem imposi\u00e7\u00f5es sociais. Essa liberdade de escolha \u00e9 o ponto mais importante. Como mulher, acho libertador poder refletir e falar abertamente sobre temas afetivos com maturidade e respeito. O amor precisa vir de um lugar de verdade, n\u00e3o de obedi\u00eancia a padr\u00f5es.<\/p>\n<p><strong>A Tamires de \u201cEta Mundo Melhor\u201d \u00e9 uma personagem que traz dilemas contempor\u00e2neos. Quais aspectos dela mais se conectam com voc\u00ea pessoalmente?<\/strong><\/p>\n<p>A Tamires \u00e9 uma mulher intensa, que vive seus sentimentos com coragem e autenticidade. Acho que me identifico muito com essa entrega e com o desejo dela de se afirmar, de encontrar seu lugar no mundo sem abrir m\u00e3o da sua ess\u00eancia. Ela \u00e9 sedutora, mas tamb\u00e9m tem um lado emocional forte e complexo, e isso me encanta, porque mostra que as mulheres n\u00e3o cabem em uma \u00fanica defini\u00e7\u00e3o. Trazer essa profundidade para uma novela de \u00e9poca, com uma linguagem popular, \u00e9 um desafio delicioso como atriz.<\/p>\n<p><strong>A novela discute temas como relacionamentos e escolhas de vida. Que mensagem voc\u00ea acredita que Tamires transmite ao p\u00fablico feminino?<\/strong><\/p>\n<p>A Tamires mostra que toda mulher tem o direito de se reinventar. Ela comete erros, se apaixona, sofre, mas nunca deixa de buscar a pr\u00f3pria felicidade. E acho que essa \u00e9 a grande mensagem: a de que n\u00e3o existe um caminho \u00fanico, que a vida \u00e9 feita de escolhas e que se permitir recome\u00e7ar \u00e9 um ato de coragem. Espero que o p\u00fablico se veja nela, com suas contradi\u00e7\u00f5es e for\u00e7as, e sinta que \u00e9 poss\u00edvel ser dona da pr\u00f3pria hist\u00f3ria.<\/p>\n<p><strong>Voc\u00ea tamb\u00e9m \u00e9 presen\u00e7a marcante no Carnaval, como musa da escola Grande Rio. Como essa viv\u00eancia cultural influencia sua identidade art\u00edstica?<\/strong><\/p>\n<p>Hoje eu n\u00e3o sou mais musa da Grande Rio, mas a escola sempre ter\u00e1 um lugar muito especial no meu cora\u00e7\u00e3o! Foram anos desfilando com muita paix\u00e3o e energia, e essa conex\u00e3o com a escola e com o Carnaval \u00e9 algo que levo comigo. Minha paix\u00e3o pela celebra\u00e7\u00e3o come\u00e7ou muito cedo. Minha m\u00e3e me levava aos bailes infantis e minha av\u00f3, que era costureira, todo ano fazia uma fantasia diferente para mim. Ent\u00e3o, o som da bateria, as luzes da Apoteose, a energia de toda a comunidade e a alegria das pessoas na avenida s\u00e3o lembran\u00e7as que guardo com muito carinho no meu cora\u00e7\u00e3o. Artisticamente, o Carnaval me inspira profundamente: me ensina sobre entrega, coletividade, liberdade e intensidade, valores que levo para todos os meus personagens e projetos.<\/p>\n<figure id=\"attachment_36202\" aria-describedby=\"caption-attachment-36202\" style=\"width: 200px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/revistaregional.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/Monique-Alfradique-Raul-Bittencourt.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-36202\" src=\"https:\/\/revistaregional.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/Monique-Alfradique-Raul-Bittencourt-200x300.jpg\" alt=\"\" width=\"200\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/revistaregional.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/Monique-Alfradique-Raul-Bittencourt-200x300.jpg 200w, https:\/\/revistaregional.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/Monique-Alfradique-Raul-Bittencourt.jpg 682w\" sizes=\"(max-width: 200px) 100vw, 200px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-36202\" class=\"wp-caption-text\">Ensaio especial com a atriz<\/figcaption><\/figure>\n<p><strong>O p\u00fablico jovem te acompanha tanto na TV quanto nas redes sociais. Como voc\u00ea equilibra a imagem p\u00fablica com sua vida pessoal?<\/strong><\/p>\n<p>Com o tempo, aprendi a entender os limites do que quero compartilhar. Gosto de mostrar meu trabalho, meus bastidores, momentos de alegria, mas tamb\u00e9m preservar o que \u00e9 s\u00f3 meu. Esse equil\u00edbrio \u00e9 essencial para manter a sa\u00fade mental e emocional. As redes sociais s\u00e3o uma ferramenta poderosa, e eu gosto de us\u00e1-las de forma positiva, leve e inspiradora. Mas tamb\u00e9m acredito que a vida real, longe das c\u00e2meras, \u00e9 o que sustenta tudo, \u00e9 onde eu recarrego minhas energias e me conecto com o que realmente importa.<\/p>\n<p><strong>Qual \u00e9 o papel da arte, na sua vis\u00e3o, para ampliar debates sobre feminismo e diversidade no Brasil?<\/strong><\/p>\n<p>A arte tem um poder transformador enorme. Ela toca, provoca e cria empatia, e \u00e9 justamente por isso que \u00e9 uma ferramenta t\u00e3o importante para ampliar esses debates. Quando uma mulher se v\u00ea representada na tela, no palco ou em uma m\u00fasica, algo muda dentro dela. Eu acredito que a arte tem o papel de abrir di\u00e1logos, de questionar padr\u00f5es e de mostrar novas perspectivas. E quanto mais diversa for essa arte, em quem a faz e em quem ela representa, mais rica ser\u00e1 a transforma\u00e7\u00e3o que ela pode causar na sociedade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em><strong>entrevista e texto:<\/strong> Ester Jacopetti<\/em><\/p>\n<p><em><strong>foto:<\/strong> Karollayne Mendes<\/em><\/p>\n<p><em><strong>stylist:<\/strong> Thiago Setra<\/em><\/p>\n<p><em><strong>make:<\/strong> Marco Montenegro<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Monique Alfradique cresceu diante das c\u00e2meras, mas nunca se deixou aprisionar pela imagem que o p\u00fablico conhecia desde os tempos de Paquita. 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