{"id":35745,"date":"2025-09-30T11:32:49","date_gmt":"2025-09-30T14:32:49","guid":{"rendered":"https:\/\/revistaregional.com.br\/site\/?p=35745"},"modified":"2025-09-30T11:32:49","modified_gmt":"2025-09-30T14:32:49","slug":"jeniffer-nascimento-o-legado-da-representatividade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revistaregional.com.br\/site\/2025\/09\/30\/jeniffer-nascimento-o-legado-da-representatividade\/","title":{"rendered":"Jeniffer Nascimento: o legado da representatividade"},"content":{"rendered":"<figure id=\"attachment_35750\" aria-describedby=\"caption-attachment-35750\" style=\"width: 200px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/revistaregional.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/IMG_0049-Editar.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-35750\" src=\"https:\/\/revistaregional.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/IMG_0049-Editar-200x300.jpg\" alt=\"\" width=\"200\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/revistaregional.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/IMG_0049-Editar-200x300.jpg 200w, https:\/\/revistaregional.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/IMG_0049-Editar.jpg 683w\" sizes=\"(max-width: 200px) 100vw, 200px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-35750\" class=\"wp-caption-text\">Jeniffer Nascimento em ensaio especial<\/figcaption><\/figure>\n<p>&#8220;Se hoje tenho a possibilidade de realizar meus sonhos \u00e9 gra\u00e7as a um movimento que come\u00e7ou l\u00e1 atr\u00e1s&#8221;. Na fala de Jeniffer Nascimento, cada palavra carrega o peso de uma hist\u00f3ria constru\u00edda com talento, dedica\u00e7\u00e3o e uma profunda consci\u00eancia de sua jornada. Em entrevista exclusiva, a atriz, cantora e m\u00e3e de Lara, de dois anos, reflete sobre como sua paix\u00e3o pela arte, que come\u00e7ou aos cinco anos, foi moldada pelo apoio familiar e pela busca incessante por seu lugar. A trajet\u00f3ria de Jeniffer \u00e9, ela mesma afirma, uma &#8220;conquista coletiva&#8221;, impulsionada pela luta de uma fam\u00edlia nordestina que migrou para S\u00e3o Paulo em busca de uma vida melhor.&nbsp; Hoje, no auge de sua maturidade art\u00edstica, ela vive um dos momentos mais importantes de sua carreira, interpretando a personagem Dita, de &#8220;Eta Mundo Melhor!&#8221;. Essa oportunidade \u00e9 uma repara\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica que celebra a cultura e a hist\u00f3ria do povo preto, muitas vezes apagadas da narrativa. \u00c9 a partir desse lugar que Jeniffer reitera a import\u00e2ncia de se posicionar, defendendo o que \u00e9 real e leg\u00edtimo: &#8220;Eu me tornei um ser humano melhor depois que fui m\u00e3e. Criei uma sensibilidade ainda mais agu\u00e7ada para me colocar no lugar do outro&#8221;, revela, refor\u00e7ando a cren\u00e7a de que a arte e a vida se entrela\u00e7am em uma jornada de empatia e transforma\u00e7\u00e3o. Entre os desafios da rotina dupla, o cuidado com a sa\u00fade mental e o protagonismo que inspira, a atriz mostra que, mais do que ocupar espa\u00e7os, ela est\u00e1 redefinindo o que significa ser uma artista em sua totalidade.<\/p>\n<figure id=\"attachment_35746\" aria-describedby=\"caption-attachment-35746\" style=\"width: 200px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/revistaregional.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/IMG_0187-2-Editar-Editar.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-35746\" src=\"https:\/\/revistaregional.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/IMG_0187-2-Editar-Editar-200x300.jpg\" alt=\"\" width=\"200\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/revistaregional.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/IMG_0187-2-Editar-Editar-200x300.jpg 200w, https:\/\/revistaregional.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/IMG_0187-2-Editar-Editar.jpg 683w\" sizes=\"(max-width: 200px) 100vw, 200px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-35746\" class=\"wp-caption-text\">Jeniffer Nascimento em ensaio especial<\/figcaption><\/figure>\n<p><strong>REVISTA REGIONAL: Jeniffer, com uma carreira que come\u00e7ou t\u00e3o cedo, aos cinco anos de idade, se n\u00e3o me engano, com um desejo claro de ser artista, como voc\u00ea descreve o impacto dessa paix\u00e3o precoce na forma\u00e7\u00e3o da mulher e da profissional que voc\u00ea \u00e9 hoje? Houve momentos em que essa voca\u00e7\u00e3o t\u00e3o jovem a fez questionar seu caminho, ou ela sempre foi a b\u00fassola mais forte?<\/strong><\/p>\n<p><strong>JENIFFER NASCIMENTO:<\/strong> Eu quero ser artista desde que me entendo por gente. Geralmente, eu brinco que j\u00e1 vim com esse aplicativo. Obviamente, tem muito estudo desde os cinco anos de idade, mas foi algo muito genu\u00edno meu. Um dia, eu estava assistindo ao programa do Gugu e passou um comercial de uma ag\u00eancia; ent\u00e3o, falei: &#8216;Pai, m\u00e3e, me levem na ag\u00eancia, porque eu quero ser artista&#8217;. Acho que \u00e9 algo muito genu\u00edno. Sempre foi a minha b\u00fassola mais forte. Em algum momento, quando crian\u00e7a, eu tamb\u00e9m queria ser pedagoga, professora de crian\u00e7as, pois sempre gostei muito de instruir. At\u00e9 cheguei a trabalhar um pouco com isso, aprendendo a dar aulas em teatro musical para turmas infantis. Mas sempre quis ser artista. \u00c9 claro que v\u00e1rias vezes j\u00e1 questionei minha profiss\u00e3o. \u00c9 uma profiss\u00e3o muito \u00e1rdua; a gente recebe muito mais &#8216;n\u00e3o&#8217; do que &#8216;sim&#8217;. Por isso, acho que esse questionar faz parte, mas n\u00e3o tem jeito. Quando se ama o que faz, a gente n\u00e3o se imagina sendo outra coisa.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Sabemos da sua forte liga\u00e7\u00e3o com o teatro musical, que foi o ber\u00e7o da sua forma\u00e7\u00e3o art\u00edstica desde os 13 anos. Como essa base no teatro, onde a entrega \u00e9 total e o corpo \u00e9 o principal instrumento, moldou sua versatilidade e a forma como voc\u00ea aborda seus personagens na TV? Existe algo do palco que voc\u00ea sente falta ou sempre tenta levar para a tela?<\/strong><\/p>\n<p>Com certeza, o teatro musical \u00e9 uma grande escola. \u00c9 um lugar onde voc\u00ea precisa cantar, dan\u00e7ar e atuar bem. N\u00f3s, que fazemos teatro musical, aprendemos que \u00e9 preciso contar a hist\u00f3ria por meio das tr\u00eas artes. Assim, o passo n\u00e3o pode ser em v\u00e3o, a nota que voc\u00ea vai dar n\u00e3o pode ser em v\u00e3o. Nada pode ser mais importante do que contar essa hist\u00f3ria. Sem d\u00favida, isso me ajuda muito na composi\u00e7\u00e3o das personagens, desde o timbre de voz e o corpo at\u00e9 os trejeitos. Acredito que ter participado do teatro musical me d\u00e1 uma partitura art\u00edstica muito grande.<\/p>\n<figure id=\"attachment_35747\" aria-describedby=\"caption-attachment-35747\" style=\"width: 200px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/revistaregional.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/IMG_0124-3-Editar.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-35747\" src=\"https:\/\/revistaregional.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/IMG_0124-3-Editar-200x300.jpg\" alt=\"\" width=\"200\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/revistaregional.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/IMG_0124-3-Editar-200x300.jpg 200w, https:\/\/revistaregional.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/IMG_0124-3-Editar.jpg 683w\" sizes=\"(max-width: 200px) 100vw, 200px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-35747\" class=\"wp-caption-text\">Jeniffer Nascimento em ensaio especial<\/figcaption><\/figure>\n<p><strong>Sua m\u00e3e, teve um papel fundamental na sua aceita\u00e7\u00e3o com o cabelo natural, passando horas fazendo <em>twist<\/em> para os testes. Em um ambiente de padr\u00f5es est\u00e9ticos muitas vezes excludentes, especialmente no in\u00edcio da sua carreira, como o apoio incondicional da sua fam\u00edlia foi essencial para construir sua autoestima e sua identidade como artista e mulher negra na m\u00eddia?<\/strong><\/p>\n<p>Olha, \u00e9 engra\u00e7ado: apesar de a minha m\u00e3e ter o cabelo alisado, ela lutou muito para que eu assumisse o meu, no in\u00edcio. Quando eu era pequena, ela passava horas fazendo twist em mim e as minhas hidrata\u00e7\u00f5es. No entanto, comecei a frequentar ambientes onde, muitas vezes, eu era a \u00fanica menina preta e de cabelo crespo. Chega um momento, na inf\u00e2ncia e na adolesc\u00eancia, em que a gente quer se sentir pertencente e fazer parte. Foi a\u00ed que, a partir dos 12 anos, comecei a pedir para alisar meu cabelo e fazer progressiva. Apesar de ter passado por esse momento, minha m\u00e3e sempre me empoderou muito nesse lugar, e \u00e9 o que busco fazer com a minha filha hoje. A constru\u00e7\u00e3o da minha autoestima, no entanto, foi acontecendo progressivamente. Principalmente em rela\u00e7\u00e3o a assumir meu cabelo. Acredito que a personagem Sol, em &#8220;Malha\u00e7\u00e3o&#8221;, me auxiliou muito nesse processo. Foi com ela que passei pela minha transi\u00e7\u00e3o capilar e, ao inspirar tantas meninas, percebi o qu\u00e3o potente era tudo aquilo. Foi ali que comecei a sentir, de fato, o peso e a import\u00e2ncia de assumir a minha identidade e de empoderar outras pessoas para que se vissem nesse mesmo lugar.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Voc\u00ea mencionou em entrevistas que sua fam\u00edlia \u00e9 uma &#8220;conquista coletiva&#8221; e que se est\u00e1 onde est\u00e1 hoje \u00e9 gra\u00e7as ao movimento de sua av\u00f3 materna. Como essa consci\u00eancia da sua ancestralidade e das lutas de sua fam\u00edlia permeia sua vis\u00e3o de mundo e, consequentemente, suas escolhas art\u00edsticas e sua milit\u00e2ncia por representatividade?<\/strong><\/p>\n<p>Sou uma pessoa muito ligada \u00e0 fam\u00edlia e sempre fui curiosa sobre a hist\u00f3ria dela. Por isso, tenho muito respeito e admira\u00e7\u00e3o pela luta dos meus pais. Tanto do lado materno quanto do paterno s\u00e3o fam\u00edlias nordestinas que vieram para S\u00e3o Paulo em busca de uma vida melhor. A cada conquista minha, eu sempre penso nisso: se hoje tenho a possibilidade de realizar meus sonhos aqui, \u00e9 gra\u00e7as a um movimento que come\u00e7ou l\u00e1 atr\u00e1s com eles, que nem imaginavam onde poder\u00edamos chegar. Para mim, esse sentimento \u00e9 uma b\u00fassola que me guia na minha trajet\u00f3ria e jornada art\u00edstica. Hoje, tenho mais oportunidade de fazer escolhas art\u00edsticas. J\u00e1 recusei testes para personagens que estereotipassem a mulher preta, colocando-a em um lugar marginalizado ou vilanizado, especialmente em projetos que levam a cultura do nosso pa\u00eds para o mundo. No entanto, sei que isso \u00e9 um privil\u00e9gio e tamb\u00e9m o resultado de um planejamento. Para que esse momento fosse poss\u00edvel, precisei fazer uma reserva financeira para n\u00e3o ter de aceitar apenas trabalhos para sobreviver. Assim, posso fazer escolhas mais assertivas, alinhadas com o que desejo para minha carreira e com as hist\u00f3rias que quero contar.<\/p>\n<figure id=\"attachment_35748\" aria-describedby=\"caption-attachment-35748\" style=\"width: 200px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/revistaregional.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/IMG_0094-5-Editar.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-35748\" src=\"https:\/\/revistaregional.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/IMG_0094-5-Editar-200x300.jpg\" alt=\"\" width=\"200\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/revistaregional.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/IMG_0094-5-Editar-200x300.jpg 200w, https:\/\/revistaregional.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/IMG_0094-5-Editar.jpg 683w\" sizes=\"(max-width: 200px) 100vw, 200px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-35748\" class=\"wp-caption-text\">Jeniffer Nascimento em ensaio especial<\/figcaption><\/figure>\n<p><strong>A Dita, sua personagem em &#8216;Eta Mundo Melhor!&#8217;, agora assume um protagonismo que voc\u00ea descreve como uma &#8220;repara\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica&#8221;. O que significa para voc\u00ea, como artista negra, ter essa oportunidade de recontar a trajet\u00f3ria de uma personagem que sai de um lugar de servi\u00e7al para buscar o sonho de ser cantora, especialmente em um hor\u00e1rio nobre da TV? Qual a mensagem mais potente que voc\u00ea acredita que essa jornada pode passar ao p\u00fablico?<\/strong><\/p>\n<p>Para mim, \u00e9 incr\u00edvel viver este momento. Estamos recriando o imagin\u00e1rio de padr\u00f5es no audiovisual, na TV. Minha gera\u00e7\u00e3o cresceu almejando ocupar esses espa\u00e7os, mas gera\u00e7\u00f5es anteriores, por exemplo, nem imaginavam que isso fosse poss\u00edvel. No m\u00e1ximo, pensavam em personagens com outras profiss\u00f5es, que n\u00e3o estivessem em um lugar de subservi\u00eancia. \u00c9 uma honra fazer parte desse momento em que ainda sou uma das primeiras a ocupar esse lugar. N\u00f3s ainda n\u00e3o podemos contar nem com uma dezena de protagonistas pretas e diversas na TV. Fico muito feliz por fazer parte desse movimento inicial, mas sei que ainda h\u00e1 muito a ser feito. Afinal, 51% da popula\u00e7\u00e3o brasileira \u00e9 preta. Em termos de representatividade, estamos muito aqu\u00e9m da realidade do nosso pa\u00eds. Espero ainda ver muitas protagonistas ind\u00edgenas, orientais, plus size, trans, e que todas possam se sentir representadas. \u00c9 muito representativo viver este protagonismo em uma novela de \u00e9poca, pois essas produ\u00e7\u00f5es tendem a contar a hist\u00f3ria do passado. Mas, no passado, o povo preto tamb\u00e9m contribuiu muito para a nossa evolu\u00e7\u00e3o social e cultural. Houve um apagamento onde simplesmente nos tiraram da hist\u00f3ria e deram a autoria de nossas ideias a outras pessoas. Estou muito feliz por viver este momento e por contar hist\u00f3rias que realmente vivemos e que muitos desconheciam. Como a cena, por exemplo, que gerou muita indigna\u00e7\u00e3o: a Dita cantando na coxia enquanto uma mulher branca dublava a voz dela. Precisamos, cada vez mais, contar todas as nossas hist\u00f3rias.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>O autor Walcyr Carrasco revelou que seu talento como cantora em musicais foi um fator determinante para a mudan\u00e7a do arco da Dita. Como \u00e9 para voc\u00ea ver seu trabalho no teatro reverberar de forma t\u00e3o direta e impactante na sua carreira televisiva, proporcionando essa virada para a personagem? Quais os desafios e as alegrias de cantar e atuar t\u00e3o profundamente nessa nova fase?<\/strong><\/p>\n<p>Fico muito feliz que uma habilidade minha tenha despertado em Walcyr (Carrasco) essa virada no arco da personagem. Estou vivendo um momento de muita realiza\u00e7\u00e3o e colheita na minha carreira. Trabalho desde os cinco anos, me dediquei muito e fiz in\u00fameras aulas. Por muito tempo ouvi que n\u00e3o era poss\u00edvel ser tudo, que eu n\u00e3o poderia cantar e atuar ao mesmo tempo. Dizia-se que isso era falta de foco e que, se eu n\u00e3o me dedicasse a uma coisa s\u00f3, n\u00e3o chegaria a lugar nenhum. Para mim, ser protagonista de uma novela com uma personagem que j\u00e1 interpretei e ter o arco hist\u00f3rico dela alterado por uma habilidade que tenho como atriz \u00e9 uma resposta do universo. \u00c9 a confirma\u00e7\u00e3o de que eu sempre estive certa em querer explorar todos os meus lados art\u00edsticos, contrariando o que a sociedade me apontava. Este momento acaba sendo duplamente puxado. Al\u00e9m da din\u00e2mica de estudar os textos e pensar na emo\u00e7\u00e3o, preciso estudar, preparar e aprender as m\u00fasicas, e por vezes grav\u00e1-las em est\u00fadio. \u00c9 uma jornada dupla que exige muito cuidado para se ter um bom som e uma boa cena. Um exemplo \u00e9 o desafio do microfone. Para a r\u00e1dio, ele precisa estar muito direcionado \u00e0 boca para captar uma voz boa e limpa. Por\u00e9m, para a TV, isso n\u00e3o \u00e9 bom, pois o microfone na frente do rosto pode esconder metade da cena. Por isso, sempre temos que encontrar um meio-termo para conseguir uma boa imagem e um bom som ao mesmo tempo. \u00c9 um trabalho minucioso, mas temos uma equipe incr\u00edvel, e tem sido muito prazeroso faz\u00ea-lo.<\/p>\n<figure id=\"attachment_35749\" aria-describedby=\"caption-attachment-35749\" style=\"width: 200px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/revistaregional.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/IMG_0054-7-Editar.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-35749\" src=\"https:\/\/revistaregional.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/IMG_0054-7-Editar-200x300.jpg\" alt=\"\" width=\"200\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/revistaregional.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/IMG_0054-7-Editar-200x300.jpg 200w, https:\/\/revistaregional.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/IMG_0054-7-Editar.jpg 683w\" sizes=\"(max-width: 200px) 100vw, 200px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-35749\" class=\"wp-caption-text\">Jeniffer Nascimento em ensaio especial<\/figcaption><\/figure>\n<p><strong>Desde a chegada de Lara, voc\u00ea tem falado sobre como a maternidade a transformou, inclusive como atriz. Voc\u00ea disse ter se tornado &#8220;melhor atriz&#8221; ap\u00f3s ser m\u00e3e, ganhando uma &#8220;for\u00e7a sobrenatural&#8221; para a empatia. De que forma essa experi\u00eancia redefiniu sua perspectiva sobre a vida, a arte e, em especial, a capacidade de se colocar no lugar do outro ao construir um personagem?<\/strong><\/p>\n<p>A maternidade, para quem a vive e a escolhe, \u00e9 algo extremamente transformador. \u00c9 uma d\u00e1diva, um presente do universo: maternar, gerar um ser humano, coloc\u00e1-lo no mundo e ter o desafio e a honra de direcion\u00e1-lo, nos primeiros passos e anos de vida, para a miss\u00e3o que ele tem aqui. Eu digo que me tornei um ser humano melhor depois que fui m\u00e3e, pois minha capacidade de empatia, que j\u00e1 existia, ficou ainda maior. Criei uma sensibilidade ainda mais agu\u00e7ada para me colocar no lugar do outro, para sentir sua dor e viver suas sensa\u00e7\u00f5es. Para mim, \u00e9 um momento muito especial enquanto ser humano, e isso, consequentemente, acaba me ajudando no meu trabalho de atriz, que \u00e9 acessar as emo\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Voc\u00ea j\u00e1 se posicionou sobre a import\u00e2ncia de &#8220;ter pessoas reais na TV&#8221; e de usar a arte para resistir ao preconceito. Como voc\u00ea enxerga seu papel e sua responsabilidade como figura p\u00fablica nesse contexto, e quais s\u00e3o os pr\u00f3ximos passos que voc\u00ea almeja dar para continuar impactando positivamente a representatividade na m\u00eddia brasileira?<\/strong><\/p>\n<p>Isso \u00e9 algo muito particular. Quando falo sobre ser uma pessoa &#8220;real&#8221;, n\u00e3o estou me referindo aos outros, mas ao que \u00e9 real para mim, Jeniffer, e ao que \u00e9 a minha verdade. Sempre tive muitas quest\u00f5es com minha autoestima e aceita\u00e7\u00e3o ao longo da vida, justamente por n\u00e3o me ver representada. Eu ligava a TV e n\u00e3o via pessoas com o meu tipo de cabelo, com o meu volume, com o meu cacho ou com o meu corpo. N\u00e3o me considero uma pessoa padr\u00e3o em nada. At\u00e9 mesmo no que consideram o estere\u00f3tipo da mulher preta, que \u00e9 um absurdo, como aquela mulher &#8220;gostosona&#8221; e escultural, eu n\u00e3o me encaixo. Sempre tive um corpo muito normal e acredito que tenho cara de pessoa normal. Quando entrei para a TV, eu quis fazer diferente. Pensei: &#8220;Tive tantas quest\u00f5es com a minha autoestima e aceita\u00e7\u00e3o por n\u00e3o me ver representada na inf\u00e2ncia que eu quero que as pessoas se vejam e se reconhe\u00e7am em mim&#8221;. Sempre falei sobre ser real nesse sentido, e tamb\u00e9m sobre ser real de acordo com o seu momento de vida. Afinal, n\u00e3o podemos ser ref\u00e9ns das nossas palavras. Somos seres humanos em constante evolu\u00e7\u00e3o, e este \u00e9 o meu pensamento de hoje. Nada impede que amanh\u00e3 eu mude de ideia e queira fazer algo com a minha apar\u00eancia ou meu corpo, e n\u00e3o preciso ser menos real por isso.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em><strong>entrevista: Ester Jacopetti<\/strong><\/em><\/p>\n<p><em><strong>fotos: Caio Oviedo<\/strong><\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;Se hoje tenho a possibilidade de realizar meus sonhos \u00e9 gra\u00e7as a um movimento que come\u00e7ou l\u00e1 atr\u00e1s&#8221;. Na fala de Jeniffer Nascimento, cada palavra carrega o peso de uma hist\u00f3ria constru\u00edda com talento, dedica\u00e7\u00e3o e uma profunda consci\u00eancia de sua jornada. 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