{"id":26598,"date":"2021-11-18T13:08:13","date_gmt":"2021-11-18T16:08:13","guid":{"rendered":"https:\/\/revistaregional.com.br\/site\/?p=26598"},"modified":"2024-01-26T12:25:34","modified_gmt":"2024-01-26T15:25:34","slug":"zito-e-alice-uma-historia-de-amor-paes-e-muito-sucesso","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revistaregional.com.br\/site\/2021\/11\/18\/zito-e-alice-uma-historia-de-amor-paes-e-muito-sucesso\/","title":{"rendered":"Zito e Alice: uma hist\u00f3ria de amor, p\u00e3es e muito sucesso"},"content":{"rendered":"<p>A trajet\u00f3ria do casal Luiz (Zito) Bordini e Alice Bethiol Bordini \u00e9 repleta de sucesso e de hist\u00f3rias que nos enchem de emo\u00e7\u00e3o e alegria. Juntos constru\u00edram uma das padarias mais reconhecidas da regi\u00e3o, a Alian\u00e7a, e quando tudo j\u00e1 estava muito bem encaminhado, com o olhar mais apurado e direcionado dos filhos, trouxeram para Salto o conceito de padaria gourmet das grandes metr\u00f3poles, inaugurando a grandiosa Casa Alian\u00e7a, em Salto. S\u00e3o 60 anos caminhando juntos, de m\u00e3os dadas, amassando p\u00e3es e batendo bolos. Um neg\u00f3cio 100% familiar e, sem d\u00favidas, uma hist\u00f3ria inspiradora, que, segundo seu Zito (o apelido carinhoso do senhor Luiz), s\u00f3 deu certo depois de muita teimosia: \u201cpadeiro tem que ser teimoso porque o caminho \u00e9 muito dif\u00edcil. Hoje, por causa da minha teimosia, estamos com duas padarias com quase cem pessoas trabalhando conosco\u201d, afirma. Abaixo, voc\u00ea confere a entrevista especial que esse querido casal saltense concedeu \u00e0 Revista Regional para a se\u00e7\u00e3o CAPA DIGITAL.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-26599 aligncenter\" src=\"https:\/\/revistaregional.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/capa-DIGITAL-ed03-ok2-223x300.jpg\" alt=\"\" width=\"623\" height=\"839\" data-id=\"26599\" srcset=\"https:\/\/revistaregional.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/capa-DIGITAL-ed03-ok2-223x300.jpg 223w, https:\/\/revistaregional.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/capa-DIGITAL-ed03-ok2-1139x1536.jpg 1139w, https:\/\/revistaregional.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/capa-DIGITAL-ed03-ok2-1519x2048.jpg 1519w, https:\/\/revistaregional.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/capa-DIGITAL-ed03-ok2-111x150.jpg 111w, https:\/\/revistaregional.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/capa-DIGITAL-ed03-ok2-scaled.jpg 1899w\" sizes=\"(max-width: 623px) 100vw, 623px\" \/><\/p>\n<p><strong>&nbsp;<\/strong><\/p>\n<p><strong>REVISTA REGIONAL: Em 1954 teve in\u00edcio a hist\u00f3ria da padaria Alian\u00e7a. Como foi esse come\u00e7o?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Dona Alice:<\/strong> Foi em 1954, com o meu pai (sr. Ernesto Bethiol). Era uma padaria na rua Monsenhor Couto, uma quadra antes da igreja (Matriz de Nossa Senhora do Monte Serrat). Era papai, eu e meus dois irm\u00e3os. Na \u00e9poca, eu tinha 15 anos, trabalhava na Brasital e meu pai acabou comprando a padaria que estava \u00e0 venda. A ideia do meu pai era ter um com\u00e9rcio para colocar os filhos para trabalhar.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Os senhores tinham algum conhecimento de padaria e como funcionava o dia a dia deste com\u00e9rcio?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Dona Alice:<\/strong> N\u00e3o t\u00ednhamos nenhum conhecimento e aprendemos tudo trabalhando no dia a dia, afinal a padaria precisava produzir e atender os clientes. Foi um tempo bem dif\u00edcil e todos n\u00f3s trabalhamos muito. Meus irm\u00e3os entregavam p\u00e3o com a carrocinha (na Casa Alian\u00e7a h\u00e1 um painel com a foto de um dos irm\u00e3os da dona Alice fazendo a entrega). Em 1959 meu pai construiu o pr\u00e9dio da rua Rui Barbosa. Eu e meu pai continuamos tomando conta da loja da Monsenhor Couto. Em 1961, eu e o Zito (como o senhor Luiz \u00e9 chamado) nos casamos e logo depois papai vendeu a padaria da Monsenhor Couto e ficamos apenas com a da rua Rui Barbosa. Como me casei, fiquei alguns anos fora da padaria, pois morava em Itu. Quando voltamos para Salto, em 1964, o Zito voltou a trabalhar na padaria e eu, automaticamente, fui junto. Trabalhava de balconista naquela \u00e9poca.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>E o senhor, Seu Zito, trabalhava com o que antes da padaria?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Seu Zito:<\/strong> Eu era do s\u00edtio, ent\u00e3o fazia de tudo um pouco, porque tinha que ajudar meus irm\u00e3os. Sou o ca\u00e7ula de 12 irm\u00e3os. Entregava leite e depois tinha um a\u00e7ougue por conta. Na \u00e9poca em que casamos, eu tinha esse a\u00e7ougue. Comprei-o sem ter dinheiro, mas o antigo dono quis vend\u00ea-lo para mim. Vendeu fiado, sem documento, tudo na amizade e no dia 10 de cada m\u00eas eu pagava. Fiz um cofrinho e todo dia colocava uma moedinha e quando tinha uma nota, ia para l\u00e1. Todo dia 10 contava o dinheiro para ver se conseguia pagar a presta\u00e7\u00e3o -e sempre tinha! At\u00e9 que viemos para Salto e fomos trabalhar na padaria. A Alice trabalhou at\u00e9 nascer nossa primeira filha, a Ana Claudia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>A senhora se ausentou por um tempo por conta dos filhos pequenos?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Dona Alice:<\/strong> Sim, fiquei dona de casa. Depois que nasceram os outros filhos, retornei para a padaria, at\u00e9 que meus irm\u00e3os quiseram vend\u00ea-la e n\u00f3s, ent\u00e3o, assumimos. Faz mais ou menos 40 anos que a padaria est\u00e1 na nossa fam\u00edlia e \u00e9 nossa. Foi a\u00ed que eu fui trabalhar de verdade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>E o que a senhora chama de \u201ctrabalhar de verdade\u201d? <\/strong><\/p>\n<p><strong>Dona Alice:<\/strong> Uma mulher com quatro filhos pequenos ajudando na padaria! A\u00ed uma vez foi um profissional de confeitaria dar uma aula e meu marido disse assim: \u2018os funcion\u00e1rios est\u00e3o aprendendo, aproveite, vai l\u00e1 aprender tamb\u00e9m; assim, futuramente, voc\u00ea passa para os que n\u00e3o sabem\u2019. E eu fui. Fui e fiquei! Eu me apaixonei pela confeitaria. Antigamente todos os doces, p\u00e3es e bolos eram feitos pelos padeiros. N\u00e3o tinha ningu\u00e9m especializado na produ\u00e7\u00e3o de bolo n\u00e3o. Eu fui para a confeitaria e fiquei!<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Qual a idade da senhora nesta \u00e9poca?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Dona Alice: <\/strong>Eu tinha 43 anos. E hoje tem gente que com 40 anos fala que n\u00e3o se pode mais trabalhar. Os bolos que hoje s\u00e3o feitos nas nossas duas unidades s\u00e3o as minhas receitas que fazia l\u00e1 no come\u00e7o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Mas em casa, a senhora j\u00e1 fazia seus bolos?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Dona Alice:<\/strong> Se eu contar que eu n\u00e3o fazia bolo em casa voc\u00ea acredita? N\u00e3o dava certo. Tinha caderno de receitas e tudo (caderno que est\u00e1 exposto no novo espa\u00e7o da Casa Alian\u00e7a que em breve ser\u00e1 inaugurado), muitas eram de uma prima minha de Curitiba, mas meus bolos n\u00e3o davam certo, n\u00e3o cresciam. Fazia tudo que me ensinavam, testava todas as receitas e nada! Bolos de anivers\u00e1rio dos meus filhos eram feitos por uma amiga que era boleira. A\u00ed quando o Zito me falou para fazer a aula de confeitaria, as coisas come\u00e7aram a mudar. Trocamos o forno e come\u00e7ou a dar certo. Tanto que os bolos caseiros que vendia na padaria eu comecei a fazer em casa. Fazia, embalava e o Zito ia levar na padaria. E eram uns bolos bonitos, viu? E era um tempo dif\u00edcil, pouca gente trabalhando, muito trabalho, aquele tanto de panela para lavar. O servi\u00e7o n\u00e3o acabava. Trabalhava praticamente sozinha. A gente foi enfrentando tudo. Deus existe e est\u00e1 sempre perto da gente e quando eu lembro de toda a nossa jornada eu me indago: como conseguimos dar conta de tudo? Foi Deus me ajudando!<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>A senhora aos 43 anos, com quatro filhos, se dedicou \u00e0 confeitaria. Como foi isso no seu dia a dia?<\/strong><\/p>\n<figure id=\"attachment_26600\" aria-describedby=\"caption-attachment-26600\" style=\"width: 438px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img decoding=\"async\" class=\" wp-image-26600\" src=\"https:\/\/revistaregional.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/LUIZ-E-ALICE-BORDIBI-2173-200x300.jpg\" alt=\"\" width=\"438\" height=\"658\" data-id=\"26600\" srcset=\"https:\/\/revistaregional.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/LUIZ-E-ALICE-BORDIBI-2173-200x300.jpg 200w, https:\/\/revistaregional.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/LUIZ-E-ALICE-BORDIBI-2173-683x1024.jpg 683w, https:\/\/revistaregional.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/LUIZ-E-ALICE-BORDIBI-2173-1024x1536.jpg 1024w, https:\/\/revistaregional.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/LUIZ-E-ALICE-BORDIBI-2173-1365x2048.jpg 1365w, https:\/\/revistaregional.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/LUIZ-E-ALICE-BORDIBI-2173-100x150.jpg 100w, https:\/\/revistaregional.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/LUIZ-E-ALICE-BORDIBI-2173-scaled.jpg 1707w\" sizes=\"(max-width: 438px) 100vw, 438px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-26600\" class=\"wp-caption-text\">Seu Zito e Dona Alice, durante entrevista na Casa Alian\u00e7a<\/figcaption><\/figure>\n<p><strong>Dona Alice:<\/strong> Na \u00e9poca, a Ana L\u00facia e o Marcos (dois de seus filhos) eram pequenos, com 3 e 5 anos, respectivamente. Tinha que levar e buscar na escola, ir para casa terminar o almo\u00e7o que estava come\u00e7ado, voltar para a padaria (&#8230;), afinal era s\u00f3 nossa e a gente tinha que fazer tudo. Quando meus irm\u00e3os decidiram vender a padaria, j\u00e1 tinha at\u00e9 comprador, mas a gente quis assumir e manter o neg\u00f3cio na pr\u00f3pria fam\u00edlia, afinal j\u00e1 est\u00e1vamos l\u00e1 dentro, trabalhando e a\u00ed a gente pensou o que faria ap\u00f3s a padaria ser vendida. O Zito estudou, fez Senai, mas na \u00e9poca entregava p\u00e3o de Kombi. Os finais de semana ele tamb\u00e9m ia para a produ\u00e7\u00e3o e tinha algumas coisas que s\u00f3 ele fazia, como as roscas de coco, bem pequenas e molhadinhas; o p\u00e3o de mandioca; de mandioquinha; p\u00e3o caseiro \u2013 que at\u00e9 hoje est\u00e3o no card\u00e1pio, com uma adapta\u00e7\u00e3o na receita.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Seu Zito:<\/strong> Era tudo pesadinho, certinho. Hoje eu vejo eles na produ\u00e7\u00e3o e percebo que trabalham de uma forma totalmente diferente. Pesam, mas completamente diferente de como eu fazia l\u00e1 atr\u00e1s. Eu fazia tudo bem certinho e a Alice me ajudava. De madrugada fervia o leite, fazia o creme, misturava o coco e enquanto esfriava ia fazer entrega. Quando eu voltava, tomava um cafezinho correndo e em p\u00e9, com pressa, para come\u00e7ar a rosca. A\u00ed a Alice ia me ajudar a colocar os p\u00e3ezinhos na forma. Eram 72 p\u00e3ezinhos na forma. Eles tinham que ficar todos perfeitinhos, virados do mesmo lado, para nenhum abrir e n\u00e3o ter desperd\u00edcio. Tamb\u00e9m comecei a fazer panetone. N\u00e3o tinha ningu\u00e9m aqui em Salto que fazia, ent\u00e3o tentei at\u00e9 acertar a receita e hoje os panetones doces e salgados s\u00e3o uma refer\u00eancia nossa.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Antes existe o h\u00e1bito e ir \u00e0 padaria apenas para buscar o p\u00e3o e o leite, mas durante a semana era comum que passasse na rua a Kombi da padaria que j\u00e1 entregava ali na porta de casa, muitas vezes para receber no final do m\u00eas. O conceito de padaria mudou muito ao longo dos anos, n\u00e3o \u00e9? <\/strong><\/p>\n<p><strong>Dona Alice<\/strong>: Ah, hoje \u00e9 totalmente diferente. As pessoas v\u00e3o ao mercado e compram uma caixa de leite que n\u00e3o estraga e que tem de tudo dentro, menos leite. As padarias se tornaram quase uma extens\u00e3o das casas, devido aos produtos que oferecem e da maneira que oferecem.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>O pai da senhora, o senhor Ernesto, comprou a padaria pensando nos filhos e os senhores querendo ou n\u00e3o seguiram esse mesmo caminho, colocando os seus \u00e0 frente da empresa. Foi algo pensado da mesma forma?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Dona Alice:<\/strong> N\u00e3o foi nem tanto querer coloc\u00e1-los na padaria, mas foi algo autom\u00e1tico. Chegavam da escola e iam para a padaria, me ajudavam no caixa para eu fazer algum servi\u00e7o externo. A Ana, com 15 anos, a mesma idade que eu comecei na padaria do meu pai, e o Luiz, com 13. Hoje, o Luiz fala que n\u00e3o fica sem padaria, tanto que ele sempre est\u00e1 aqui. O Luiz na Casa Alian\u00e7a e a Ana Claudia na Padaria Alian\u00e7a. A\u00ed depois que a Ana vai para casa, o Luiz sempre passa na padaria para ver como as coisas est\u00e3o. O Marcos tamb\u00e9m sempre na Casa. S\u00f3 a Ana L\u00facia que seguiu outra profiss\u00e3o (tamb\u00e9m na \u00e1rea de alimenta\u00e7\u00e3o, ela \u00e9 nutricionista), mas sempre est\u00e1 presente tamb\u00e9m.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Atualmente quais produtos comercializados foram criados pelos senhores? <\/strong><\/p>\n<p><strong>Dona Alice:<\/strong> Os bolos decorados, os bolos caseiros como cenoura e laranja, os p\u00e3es do Zito que j\u00e1 falamos, os doces como bombas de chocolate, a ca\u00e7arola, os pudins. A\u00ed foram entrando novas op\u00e7\u00f5es como o fu\u00e1-fu\u00e1, que quem inventou a receita foi o nosso primeiro confeiteiro. \u00c9 uma massa de rocambole bem fininha, igual de rocambole de rolo. E o rocambole original tamb\u00e9m \u00e9 minha receita, que eu fiz tanto que n\u00e3o sai da cabe\u00e7a (risos).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Quando voc\u00eas resolveram que era a hora de se desligarem da padaria e deixarem que os filhos assumissem de vez?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Dona Alice:<\/strong> O Zito precisou fazer uma cirurgia card\u00edaca, que era de risco e, gra\u00e7as a Deus, foi um sucesso. N\u00f3s ent\u00e3o nos ausentamos e resolvemos sair, mas sempre estamos nas duas padarias tamb\u00e9m.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Ao longo dessa jornada, quais foram as principais dificuldades enfrentadas?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Dona Alice:<\/strong> Quando come\u00e7amos, queimava a lenha dentro do forno, retirava e assava o p\u00e3o. Tanto que n\u00e3o se fazia p\u00e3o muitas vezes por dia. Depois vieram os fornos a g\u00e1s, el\u00e9trico. O tanto que trocamos de forno! Hoje tudo tem m\u00e1quina para fazer, tem o ultracongelamento que facilita demais a vida de toda padaria. \u00c9 tudo muito mais r\u00e1pido. Sem contar os ingredientes, que s\u00e3o importantes, como farinha, que precisa ser de qualidade inquestion\u00e1vel. E pensar que teve uma \u00e9poca que nem farinha tinha. Agora est\u00e1 tudo muito bom, muita gente reclama da atualidade, mas j\u00e1 tivemos tempos bem dif\u00edceis.<\/p>\n<p><strong>&nbsp;<\/strong><\/p>\n<p><strong>Seu Zito:<\/strong> Faltava farinha e sal. Tinha gente que falava para a gente usar aquele sal que d\u00e1 para gado, grosseiro, que precisava ficar de molho. Mas a farinha era o pior. Como que faz p\u00e3o sem farinha? Teve uma \u00e9poca que eu terminava as entregas e sa\u00eda procurando farinha. Ia para Itu, Campinas, S\u00e3o Paulo e comprava a farinha que tinha e encontrava. Tinha que ter farinha para bater a massa \u00e0 noite, ter p\u00e3o para entregar de manh\u00e3, porque o cliente j\u00e1 estava esperando e n\u00e3o queria nem saber se tinha ingredientes ou n\u00e3o, mas o p\u00e3o tinha que estar ali, pronto e entregue. Ent\u00e3o a gente comprava a farinha para a produ\u00e7\u00e3o daquele dia e para o outro ia atr\u00e1s depois das entregas. Hoje j\u00e1 tem farinha de todos os tipos, mais fina, grossa&#8230;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Como foi chegar ao conceito da Casa Alian\u00e7a Gourmet? Voc\u00eas participaram de toda a transforma\u00e7\u00e3o da padaria para a Casa?<\/strong><\/p>\n<figure id=\"attachment_26601\" aria-describedby=\"caption-attachment-26601\" style=\"width: 439px\" class=\"wp-caption alignright\"><img decoding=\"async\" class=\" wp-image-26601\" src=\"https:\/\/revistaregional.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/LUIZ-E-ALICE-BORDIBI-2187-200x300.jpg\" alt=\"\" width=\"439\" height=\"659\" data-id=\"26601\" srcset=\"https:\/\/revistaregional.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/LUIZ-E-ALICE-BORDIBI-2187-200x300.jpg 200w, https:\/\/revistaregional.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/LUIZ-E-ALICE-BORDIBI-2187-683x1024.jpg 683w, https:\/\/revistaregional.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/LUIZ-E-ALICE-BORDIBI-2187-1024x1536.jpg 1024w, https:\/\/revistaregional.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/LUIZ-E-ALICE-BORDIBI-2187-1365x2048.jpg 1365w, https:\/\/revistaregional.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/LUIZ-E-ALICE-BORDIBI-2187-100x150.jpg 100w, https:\/\/revistaregional.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/LUIZ-E-ALICE-BORDIBI-2187-scaled.jpg 1707w\" sizes=\"(max-width: 439px) 100vw, 439px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-26601\" class=\"wp-caption-text\">Seu Zito e Dona Alice no balc\u00e3o da padaria<\/figcaption><\/figure>\n<p><strong>Dona Alice:<\/strong> Sim! Casa Alian\u00e7a \u00e9 porque era a nossa casa mesmo. Tanto que a casa ainda est\u00e1 no espa\u00e7o, bem no meio da constru\u00e7\u00e3o comercial. A casa foi comprada com o dinheiro da heran\u00e7a do s\u00edtio da fam\u00edlia do Zito e ele chama de casa de estima\u00e7\u00e3o. O conceito era trazer para Salto um estabelecimento como as padarias de S\u00e3o Paulo, Bella Paulista, Galeria dos P\u00e3es, que atendem o cliente de forma geral, desde o p\u00e3o e leite para consumir em casa no caf\u00e9 da manh\u00e3, at\u00e9 refei\u00e7\u00f5es no local. Foi algo muito bem estudado, planejado e, enfim, executado. E quando o Luiz me falou que ia servir almo\u00e7o na Casa Alian\u00e7a? Eu quase fiquei doida pensando em como fazer isso e n\u00e3o ter problemas, porque restaurante \u00e9 uma opera\u00e7\u00e3o totalmente diferente de uma padaria.<\/p>\n<p><strong>&nbsp;<\/strong><\/p>\n<p><strong>Seu Zito: <\/strong>Eu olhava para a planta do projeto e nem acreditava que ia virar tudo isso aqui. A gente sempre fez coisas simplesinhas e a\u00ed veio algo enorme assim. O Luiz \u00e9 o idealizador de tudo, ele enxerga bem mais al\u00e9m de n\u00f3s dois e hoje temos muito orgulho de tudo isso. Os filhos deram continuidade ao nosso trabalho, s\u00e3o honestos, trabalham direito. Meu medo era de a gente dar um passo que n\u00e3o podia em rela\u00e7\u00e3o a investimento, tanto que falava para ele ter cuidado, porque eu tinha medo de ficarmos devendo. Mas foi feito tudo com muito cuidado e dentro do que a gente podia fazer, tanto que a obra demorou mais de dez anos. Ele sempre fez tudo certo, dando os passos de acordo com o que podia. E tudo deu certo! A Casa Alian\u00e7a j\u00e1 tem quase oito anos e \u00e9 um sucesso!<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Vamos falar de lembran\u00e7as? Gostaria de saber algumas.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Dona Alice:<\/strong> Quando Salto fez 300 anos fizemos um bolo de 300 quilos e, para isso, tivemos que fazer 350 quilos. N\u00f3s nos perdemos na hora de montar, era um bolo imenso. Ontem mesmo estava vendo o recorte de jornal com a not\u00edcia desse bolo. Nossa, levamos batedeira, tudo, menos o forno. Foi um tal de bater bolo e correr para assar na padaria. Temos muitas hist\u00f3rias. E o dia em que esquecemos de buscar a Ana L\u00facia na escola? Era eu ou ele que ia buscar e esqueci. A\u00ed a professora ligou e falou que a levou para a casa dela. A gente morrendo de culpa e vergonha e a Ana L\u00facia feliz, comendo p\u00e3o com maionese na casa da professora (risos). At\u00e9 hoje ela lembra disso e eu tamb\u00e9m.<\/p>\n<p><strong>&nbsp;<\/strong><\/p>\n<p><strong>Seu Zito:<\/strong> Eu lembro do bolo da minha m\u00e3e que nunca ningu\u00e9m fez igual e isso impacta toda a minha jornada de vida (seu Zito ficou muito emocionado e sua emo\u00e7\u00e3o contagiou a todos na mesa). Somos em 12 irm\u00e3os, era tudo muito dif\u00edcil e sofrido, tudo contadinho para dar para todos. Trabalhamos muito, aprendemos muito e tudo deu certo. Outra hist\u00f3ria que eu gosto \u00e9 de uma premia\u00e7\u00e3o que fomos receber da revista Padaria 2000, uma publica\u00e7\u00e3o segmentada que sempre faz um ranking das melhores padarias do Brasil. N\u00f3s sempre estamos entre os melhores e somos premiados. A\u00ed na cerim\u00f4nia de entrega do pr\u00eamio das cem melhores padarias do Brasil chamavam os premiados no palco e eu adorava ouvir as hist\u00f3rias deles. A\u00ed chegou a vez do Luiz receber o pr\u00eamio e ele me levou junto com ele. O Luiz agradeceu, falou um monte e depois me deu o microfone. Falei, falei, falei um monte e, no final, eu ressaltei: padeiro tem que ser teimoso, porque teve uma \u00e9poca em que eu estava quase desistindo de tudo, n\u00e3o queria mais saber de s\u00f3 trabalhar, sair de madrugada, chegar tarde da noite. E hoje, por causa da minha teimosia, estamos com duas padarias com quase cem pessoas trabalhando com a gente. Quando terminei de falar, me aplaudiram, todo mundo ficou em p\u00e9.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>E qual o sentimento que voc\u00eas t\u00eam hoje em rela\u00e7\u00e3o a tudo o que passaram e viveram?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Dona Alice: <\/strong>Orgulho e agradecimento por tudo o que vivemos, passamos, constru\u00edmos e conquistamos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Entrevista e fotos: ALINE QUEIROZ<\/strong><\/p>\n<p><strong>Foto da capa digital: CHARLES PIRES<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A trajet\u00f3ria do casal Luiz (Zito) Bordini e Alice Bethiol Bordini \u00e9 repleta de sucesso e de hist\u00f3rias que nos enchem de emo\u00e7\u00e3o e alegria. 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