{"id":26350,"date":"2021-09-27T15:14:43","date_gmt":"2021-09-27T18:14:43","guid":{"rendered":"https:\/\/revistaregional.com.br\/site\/?p=26350"},"modified":"2024-01-26T12:25:35","modified_gmt":"2024-01-26T15:25:35","slug":"maria-angela-pimentel-mangeon-elias-a-dama-do-ensino","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revistaregional.com.br\/site\/2021\/09\/27\/maria-angela-pimentel-mangeon-elias-a-dama-do-ensino\/","title":{"rendered":"Maria \u00c2ngela Pimentel Mangeon Elias: \u2018A Dama do Ensino\u2019"},"content":{"rendered":"<p>A professora Maria \u00c2ngela Pimentel Mangeon Elias contribuiu ativamente 70 anos da sua vida para a educa\u00e7\u00e3o. Come\u00e7ou a dar aulas aos 19 e, em parceira com o professor Rubens Anganuzzi, transformou uma faculdade de Pedagogia e Letras em dois centros universit\u00e1rios. Hoje, aos 95 anos de idade, segue lendo e escrevendo todos os dias, se adequou \u00e0 tecnologia e n\u00e3o abre m\u00e3o de celular e computador. Nesta entrevista exclusiva concedida \u00e0 Revista Regional para este \u201cEspecial Educa\u00e7\u00e3o\u201d, Maria \u00c2ngela conta que est\u00e1 prestes a lan\u00e7ar seu primeiro livro, ser\u00e1 sobre sua conviv\u00eancia com as Irm\u00e3s de S\u00e3o Jos\u00e9, da Igreja Nossa Senhora do Patroc\u00ednio, em Itu.<\/p>\n<p><strong> <img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-26351 aligncenter\" src=\"https:\/\/revistaregional.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/capa-DIGITAL-ed02-scaled.jpg\" alt=\"\" width=\"636\" height=\"858\" data-id=\"26351\" srcset=\"https:\/\/revistaregional.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/capa-DIGITAL-ed02-scaled.jpg 1899w, https:\/\/revistaregional.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/capa-DIGITAL-ed02-223x300.jpg 223w, https:\/\/revistaregional.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/capa-DIGITAL-ed02-759x1024.jpg 759w, https:\/\/revistaregional.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/capa-DIGITAL-ed02-1139x1536.jpg 1139w, https:\/\/revistaregional.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/capa-DIGITAL-ed02-1519x2048.jpg 1519w, https:\/\/revistaregional.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/capa-DIGITAL-ed02-111x150.jpg 111w\" sizes=\"(max-width: 636px) 100vw, 636px\" \/><\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>REVISTA REGIONAL: A senhora come\u00e7ou sua carreira de professora aos 19 anos e seguiu trabalhando no Ceunsp (Centro Universit\u00e1rio Nossa Senhora do Patroc\u00ednio) at\u00e9 perto dos 90 anos. Qual foi a maior motiva\u00e7\u00e3o para a senhora seguir na profiss\u00e3o por tantos anos, contribuindo para um educar de qualidade?<\/strong><\/p>\n<p><strong>PROFESSORA MARIA \u00c2NGELA:<\/strong> O que motivou foi dar aulas para meus primos. Estud\u00e1vamos no Culto \u00e0 Ci\u00eancia em Campinas, eu era da turma mais avan\u00e7ada e eles n\u00e3o gostavam de estudar. E eles aprendiam comigo e n\u00e3o na escola. Dava aula de tudo para eles com 13 anos e ficava muito feliz de ensinar e eles entenderem. Ensinar me deixava feliz e motivada. Comecei a dar aulas em Cajuru. Sou de Amparo e minha fam\u00edlia morava em Campinas. Eu sempre quis estudar, meu sonho era estudar Ingl\u00eas nos EUA, mas meu pai n\u00e3o deixou. Naquela \u00e9poca, ele falava que filha dele n\u00e3o ia estudar fora do pa\u00eds n\u00e3o. USP (Universidade de S\u00e3o Paulo) ele tamb\u00e9m n\u00e3o me deixou fazer e, depois de muito insistir, ele me deixou cursar a PUC (Pontif\u00edcia Universidade Cat\u00f3lica), em Campinas. Eu fui para a primeira turma da faculdade e ele s\u00f3 deixou porque era na mesma cidade.<\/p>\n<p>&nbsp;Antes de me formar j\u00e1 comecei a falar em trabalhar e em estudar Ingl\u00eas na capital. Mas ele n\u00e3o deixava tamb\u00e9m. A\u00ed um dia falei que ia trabalhar e ele querendo que eu ficasse na fazenda, tocando piano com a minha m\u00e3e e esperando um namorado da \u00e9poca terminar os estudos dele para noivar e casar. Mas eu n\u00e3o queria isso n\u00e3o. Depois de muito insistir consegui algumas aulas em Cajuru. N\u00e3o havia convento para alugar moradia e minha m\u00e3e conseguiu uma casa de fam\u00edlia para me hospedar. E assim comecei a minha trajet\u00f3ria profissional na Educa\u00e7\u00e3o. Foi em Cajuru que tamb\u00e9m conheci meu marido (Lauro Elias), morei, tive filhos, at\u00e9 que decidimos nos mudar para perto de S\u00e3o Paulo. Meu marido estudou em S\u00e3o Paulo e n\u00e3o queria morar l\u00e1. Comecei a buscar aulas em cidades pr\u00f3ximas \u00e0 capital e a melhor op\u00e7\u00e3o era em Itu. E assim viemos parar aqui.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>E como foi chegar a uma cidade nova e lecionar?<\/strong><\/p>\n<p>Cheguei aqui com 33 anos. Fui dar aulas no Regente Feij\u00f3, na \u00e9poca o professor Jo\u00e3o Bispo era o diretor. Era outro tempo, todo mundo conhecia todo mundo e eu me apaixonei por esta cidade. Meus filhos ficavam nos col\u00e9gios e creches sob os cuidados das Irm\u00e3s do Patroc\u00ednio e assim eu comecei uma conviv\u00eancia com elas, que acabou impactando toda a minha vida profissional.<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Com o tempo, o professor Jo\u00e3o Bispo me convidou para assumir a vice-diretoria do Regente Feij\u00f3. Meio per\u00edodo eu dava aula e outro per\u00edodo o ajudava na dire\u00e7\u00e3o. Os alunos eram muitos bagunceiros, arteiros mesmo, mas a minha sala era comportada. Eu conseguia bom comportamento sendo amiga dos alunos, conversava muito com eles, os trazia para o meu lado. Na dire\u00e7\u00e3o da escola era a mesma coisa. Quando o aluno aprontava e ia para a diretoria, sempre conversava muito com ele para entender o comportamento e aconselh\u00e1-lo. Deu certo, porque at\u00e9 hoje tenho ex-alunos que s\u00e3o meus amigos e recordam com alegria toda sua trajet\u00f3ria escolar.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>A carreira da senhora na vida universit\u00e1ria teve in\u00edcio com a conviv\u00eancia com as Irm\u00e3s do Patroc\u00ednio?<\/strong><\/p>\n<p>Sim. O Col\u00e9gio do Patroc\u00ednio era uma coisa maravilhosa. Com a conviv\u00eancia di\u00e1ria fomos criando uma amizade e sempre conversamos muito. J\u00e1 existia a faculdade e elas pensavam em vender. Come\u00e7aram a receber muitas propostas e elas come\u00e7aram a se aconselhar com o meu marido, que era uma pessoa incr\u00edvel e as ajudava muito com os neg\u00f3cios. Um dia elas nos chamaram para ir a Braz Cubas, em Mogi das Cruzes, que era junto com a Faculdade S\u00e3o Marcos. Era um grupo mais moderno e a ideia era investir na educa\u00e7\u00e3o local mesmo, ent\u00e3o elas acabaram vendendo. Quando eles assumiram a faculdade em Itu pediram \u00e0s Irm\u00e3s algu\u00e9m que pudesse fazer um relacionamento com as pessoas da cidade e todos me escolheram.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_26352\" aria-describedby=\"caption-attachment-26352\" style=\"width: 504px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img decoding=\"async\" class=\" wp-image-26352\" src=\"https:\/\/revistaregional.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/MARIA-ANGELA-0621-scaled.jpg\" alt=\"\" width=\"504\" height=\"756\" data-id=\"26352\" srcset=\"https:\/\/revistaregional.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/MARIA-ANGELA-0621-scaled.jpg 1707w, https:\/\/revistaregional.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/MARIA-ANGELA-0621-200x300.jpg 200w, https:\/\/revistaregional.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/MARIA-ANGELA-0621-683x1024.jpg 683w, https:\/\/revistaregional.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/MARIA-ANGELA-0621-1024x1536.jpg 1024w, https:\/\/revistaregional.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/MARIA-ANGELA-0621-1365x2048.jpg 1365w, https:\/\/revistaregional.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/MARIA-ANGELA-0621-100x150.jpg 100w\" sizes=\"(max-width: 504px) 100vw, 504px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-26352\" class=\"wp-caption-text\">Maria \u00c2ngela, em seu apartamento, durante entrevista \u00e0 Regional<\/figcaption><\/figure>\n<p><strong>Ent\u00e3o a senhora passou de professora a Rela\u00e7\u00f5es P\u00fablicas da faculdade?<\/strong><\/p>\n<p>Sim. Eu fui contratada para ser Rela\u00e7\u00f5es P\u00fablicas e trabalhar das 14h \u00e0s 18h. Nunca fui Rela\u00e7\u00f5es P\u00fablicas e nunca trabalhei apenas neste per\u00edodo. Foi muito mais e foi maravilhoso.<\/p>\n<p>Em 1971 foi nosso primeiro ano na faculdade. O professor que veio tinha um ideal como eu, que era a educa\u00e7\u00e3o e, por isso, deu muito certo. Trabalhava at\u00e9 \u00e0 noite e aos finais de semana. Ele falava assim: \u2018na minha escola gente que n\u00e3o tem dinheiro n\u00e3o tem que ir embora, tem que ficar\u2019. E ficava mesmo! A gente dava um jeito, dava bolsa de estudo. Ningu\u00e9m ficava sem estudar porque n\u00e3o tinha dinheiro.<\/p>\n<p><strong>&nbsp;<\/strong><\/p>\n<p><strong>Como foi contribuir ativamente para a vida de tantos alunos que puderam fazer um curso superior gra\u00e7as ao Ceunsp, que de uma faculdade de Pedagogia e Letras se transformou em uma pot\u00eancia regional de educa\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p>O ideal da faculdade, desde o in\u00edcio, era o levantamento social da regi\u00e3o. \u00cdamos atr\u00e1s dos poss\u00edveis alunos em Porto Feliz, Salto, Cabre\u00fava. Com muito trabalho e com o passar dos anos, come\u00e7amos a ter mais cursos. \u00cdamos para Bras\u00edlia todo m\u00eas para buscar cursos, sent\u00e1vamos no Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o, faz\u00edamos processo. E foi crescendo. At\u00e9 que chegou a \u00e9poca do Centro Universit\u00e1rio, mas o professor Rubens (Anganuzzi, reitor da faculdade na \u00e9poca) queria que fossem dois centros, um em Itu e outro em Salto. A gente n\u00e3o tinha nenhum e ele queria os dois. E conseguimos! O Ceunsp foi o primeiro centro universit\u00e1rio com duas sedes, uma em cada cidade.<\/p>\n<p>Para isso, o professor Rubens negociou o pr\u00e9dio da antiga f\u00e1brica Brasital\/Santista em Salto. Ele queria expandir e teve que investir, mas j\u00e1 fez a aquisi\u00e7\u00e3o pensando na restaura\u00e7\u00e3o do pr\u00e9dio. Ele n\u00e3o demolia nada, muito pelo contr\u00e1rio, restaurava tudo e respeitava a hist\u00f3ria local. Por conta disso que eu fiquei 45 anos no Ceunsp, por conta desse ideal hist\u00f3rico e educacional.<\/p>\n<p>Quando o professor Rubens faleceu, ainda continuei na faculdade. Mas quando a fam\u00edlia vendeu, em 2015, a\u00ed chegou a minha hora de sair. Avisei que ficaria mais seis meses e que sairia, porque n\u00e3o queria que os novos donos chegassem, sugassem tudo da gente e depois nos dispensassem, como realmente fizeram com os profissionais que ficaram. Na \u00e9poca, deixamos o Ceunsp com mais de 80 cursos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>A senhora sente falta da sala de aula? <\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o sinto n\u00e3o! Porque na vida o educar sempre foi muito mais do que estar dentro da sala de aula. O meu ideal era levar a possibilidade de estudar, das pessoas terem uma profiss\u00e3o e dediquei 45 anos da minha vida para isso. Eu cuidava dos contratos dos professores, era a respons\u00e1vel por cada contrata\u00e7\u00e3o e sabe o que eu e o professor Rubens lev\u00e1vamos em considera\u00e7\u00e3o? N\u00e3o era t\u00edtulo, isso era o que menos nos importava, mas sim o que o professor tinha por dentro, a vontade de ensinar, o ideal dele. Tinha que ser um ideal de educa\u00e7\u00e3o igual ao nosso.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>A senhora vem de uma \u00e9poca em que professor era muito respeitado dentro e fora da sala de aula. Infelizmente hoje n\u00e3o vemos mais tanto respeito e admira\u00e7\u00e3o para muitos. O que atualmente temos de bom no mundo educacional e o que dever\u00edamos esquecer? <\/strong><\/p>\n<p>Eu comecei a dar aula em 1946, com 19 anos. Professor era uma sumidade. Respeitado e muito admirado. A gente ensinava porque as crian\u00e7as e pessoas queriam aprender. As fam\u00edlias confiavam demais no nosso trabalho. S\u00f3 para voc\u00ea ter uma ideia, quando eu comecei a dar aula, professor, juiz de direito e promotor p\u00fablico tinham o mesmo ordenado. E hoje? Quem quer ser professor hoje em dia e ganhar o que pagam?<\/p>\n<p>Era uma responsabilidade ser professor. Antes as pessoas lembravam o nome da primeira professora, agora nem lembram mais. Isso n\u00e3o \u00e9 falta de mem\u00f3ria, mas sim de educa\u00e7\u00e3o. Hoje em dia aluno bate em professor.<\/p>\n<p>N\u00f3s temos que lutar, porque o povo brasileiro precisa de educa\u00e7\u00e3o. A rede p\u00fablica tem que ser integral. Quem tem dinheiro paga escola, mas quem n\u00e3o tem? Precisamos educar, s\u00f3 isso vai melhorar nosso pa\u00eds. Mas infelizmente a educa\u00e7\u00e3o \u00e9 o primeiro setor a ser prejudicado em qualquer sinal de crise econ\u00f4mica, porque simplesmente tiram recursos e est\u00e1 tudo bem para quem faz isso. Aqui em Itu temos uma educa\u00e7\u00e3o boa, as escolas est\u00e3o passando aos poucos a ser integrais e isso \u00e9 muito bom. Aluno tem que ficar na escola! A escola forma a personalidade da crian\u00e7a.<\/p>\n<p>Hoje temos a tecnologia, que \u00e9 uma grande aliada, mas tamb\u00e9m virou um problema, porque atr\u00e1s dela precisa ter algo que chamamos de valores. Instruir \u00e9 uma coisa, mas educar \u00e9 outra. Respeitar o outro, entender o seu semelhante, n\u00e3o derrubar em cima do outro a sua frustra\u00e7\u00e3o, s\u00e3o valores que v\u00eam de casa, que as fam\u00edlias precisam ensinar e infelizmente n\u00e3o ensinam mais.<\/p>\n<p>Muito dif\u00edcil saber o col\u00e9gio ideal hoje em dia. Existem col\u00e9gios caros, mas nem sempre o mais caro \u00e9 o melhor, por conta de como se forma nele. O que e como ensinam para as crian\u00e7as.&nbsp; Professor n\u00e3o pode falar algo para a crian\u00e7a que o pai vai tomar satisfa\u00e7\u00e3o. Hoje em dia \u00e9 muito dif\u00edcil ser professor.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>A senhora sempre foi muito ativa e participativa em outros projetos como a Acadil (Academia Ituana de Letras), por exemplo. De onde vem tanta energia e disposi\u00e7\u00e3o? <\/strong><\/p>\n<p>Eu tenho 95 anos completos, trabalhei no Ceunsp at\u00e9 os 89 anos. Fa\u00e7o parte da Acadil ainda, j\u00e1 fui de tudo um pouco l\u00e1 e agora estou como secret\u00e1ria. Leio muito, escrevo, uso computador e celular. Eu vivo o mundo atual e jamais falo mal do tempo que estou vivendo, por que o que estou fazendo para melhorar o atual? Tenho que me adaptar, dar valor e colaborar com ele.<\/p>\n<p>Muita gente me pergunta o que eu fa\u00e7o o dia todo. Eu amo dormir e gra\u00e7as a Deus durmo muito bem, o que me garante um dia cheio de energias. Fa\u00e7o tric\u00f4, escrevo, leio e cuido muito da minha sa\u00fade e da minha alimenta\u00e7\u00e3o. Sempre fiz isso, a vida inteira e acho que \u00e9 importante a gente cuidar ao longo dos anos para manter quando estivermos mais velhos. A velhice n\u00e3o me assusta, muito pelo contr\u00e1rio. Tenho orgulho de tudo que vivi, minha vida \u00e9 e sempre foi muito boa, maravilhosa mesmo. Tenho lembran\u00e7as de tudo, at\u00e9 da Revolu\u00e7\u00e3o de 1932, quando eu tinha seis anos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>A senhora \u00e9 amante da escrita e da leitura. Dona de muitos contos, poesias e textos, que para um livro seria apenas mais um passo. Nunca foi prioridade escrever um? <\/strong><\/p>\n<p>A vida inteira eu escrevi. Tenho at\u00e9 uma hist\u00f3ria interessante que vou contar. Na minha inf\u00e2ncia era muito comum as pessoas nos visitarem em Amparo. Tinha umas primas que eram professoras e sempre iam na nossa casa e uma delas me ensinou escrever meu nome completo Maria \u00c2ngela Pimentel Mangeon. Quando fui para a escola, minha primeira professora que se chamava Eleonor me recebeu e apresentou para a turma de alunos. Ela me perguntou se eu sabia ler e eu rapidamente respondi: n\u00e3o sei ler, mas sei escrever. Todo mundo riu. A\u00ed ela me pediu para ir \u00e0 lousa e escrever. Fui l\u00e1 e escrevi o meu nome e ela fez todo mundo me aplaudir porque eu sabia escrever mesmo. Isso \u00e9 ser professora.<\/p>\n<p>Antigamente eu tinha aqueles caderninhos de capa preta e escrevia muito neles. Tenho muitos guardados, cheios de mem\u00f3rias, cr\u00f4nicas, afinal, eu amo escrever cr\u00f4nicas. Hoje eu sigo escrevendo. Escrevo a m\u00e3o e depois digito tudo no computador.<br \/>\nAt\u00e9 penso em coletar todo esse hist\u00f3rico e publicar, mas no momento estou no projeto do meu primeiro livro, que ser\u00e1 lan\u00e7ado at\u00e9 o final do ano. Vou lan\u00e7ar um livro sobre as Irm\u00e3s do Patroc\u00ednio e a minha conviv\u00eancia com elas. Uma vis\u00e3o carinhosa, pois \u00e9 a minha particular, social e educacional por tudo o que elas fizeram para as pessoas. Educar foi algo muito importante na minha vida e eu tentei passar isso para os outros. Aprendi muito com elas, tenho muito orgulho dos nossos caminhos terem se cruzado nesta vida. Tamb\u00e9m j\u00e1 comecei a escrever um livro de mem\u00f3rias da minha inf\u00e2ncia em Amparo, porque eu tive uma vida maravilhosa e preciso compartilhar isso com as pessoas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong><em>entrevista e fotos: Aline Queiroz<\/em><\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A professora Maria \u00c2ngela Pimentel Mangeon Elias contribuiu ativamente 70 anos da sua vida para a educa\u00e7\u00e3o. Come\u00e7ou a dar aulas aos 19 e, em parceira com o professor Rubens Anganuzzi, transformou uma faculdade de Pedagogia e Letras em dois centros universit\u00e1rios. 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