{"id":25434,"date":"2021-05-19T09:15:08","date_gmt":"2021-05-19T12:15:08","guid":{"rendered":"https:\/\/revistaregional.com.br\/site\/?p=25434"},"modified":"2024-01-26T11:38:07","modified_gmt":"2024-01-26T14:38:07","slug":"a-pluralidade-de-carolina-ferraz","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revistaregional.com.br\/site\/2021\/05\/19\/a-pluralidade-de-carolina-ferraz\/","title":{"rendered":"A pluralidade de Carolina Ferraz"},"content":{"rendered":"<figure id=\"attachment_25435\" aria-describedby=\"caption-attachment-25435\" style=\"width: 500px\" class=\"wp-caption alignright\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-25435 \" src=\"https:\/\/revistaregional.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/IMG_6297-copy.final_-200x300.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"750\" data-id=\"25435\" srcset=\"https:\/\/revistaregional.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/IMG_6297-copy.final_-200x300.jpg 200w, https:\/\/revistaregional.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/IMG_6297-copy.final_-100x150.jpg 100w, https:\/\/revistaregional.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/IMG_6297-copy.final_.jpg 682w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-25435\" class=\"wp-caption-text\">Carolina em ensaio fotogr\u00e1fico realizado em sua casa, em S\u00e3o Paulo<\/figcaption><\/figure>\n<p><em><strong>Produtora, apresentadora, jornalista, atriz e chef de cozinha, Carolina Ferraz gosta de um bom desafio; Nesta entrevista exclusiva, ela revela estar num processo profissional \u201ccriativo, interessante e plural\u201d<\/strong><\/em><\/p>\n<p>Maio \u00e9 um m\u00eas especial n\u00e3o s\u00f3 para as m\u00e3es, mas para todas as mulheres que exercem a maternidade e ainda d\u00e3o conta de muito mais. Elas n\u00e3o se resumem a uma coisa s\u00f3, s\u00e3o guerreiras, determinadas, intuitivas, sens\u00edveis e maduras. Escolhida a dedo para esta edi\u00e7\u00e3o, Carolina Ferraz \u00e9 uma delas. Al\u00e9m de produtora, apresentadora, jornalista, atriz e chef de cozinha, ela gosta de um bom desafio: \u201cNunca estive num processo profissional t\u00e3o criativo, interessante e plural como neste momento\u201d, revelou, em entrevista exclusiva \u00e0 Revista Regional. \u00c0 frente do programa \u201cDomingo Espetacular\u201d, na RecordTV, a apresentadora, que \u00e9 m\u00e3e da pequena Isabel, 5 anos, e de Valentina, 26, fala sobre a cria\u00e7\u00e3o das filhas: \u201cN\u00f3s temos sim que preservar valores b\u00e1sicos.\u201d Consciente do seu papel na sociedade, Carolina \u00e9 a favor do amor livre, do grito de liberdade, mas sabe que para isso acontecer \u00e9 preciso mudan\u00e7a: \u201cCabe a n\u00f3s mesmos, individualmente como cidad\u00e3os, legitimar esse grito de liberdade de todos e todas\u201d.<\/p>\n<p><strong>REVISTA REGIONAL: Sua estreia no \u201cDomingo Espetacular\u201d aconteceu h\u00e1 mais ou menos nove meses. Desde ent\u00e3o, muita coisa mudou. Como voc\u00ea avalia sua evolu\u00e7\u00e3o no programa, costuma fazer autocr\u00edtica e assistir \u00e0s edi\u00e7\u00f5es para analisar o que poderia mudar ou n\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p>CAROLINA FERRAZ: O tempo passa r\u00e1pido, n\u00e9? O tempo realmente passa muito r\u00e1pido. Eu estou muito feliz, fui muito bem recebida pela emissora, a Record sempre me tratou com muita aten\u00e7\u00e3o e carinho. Tenho desenvolvido um trabalho bastante s\u00f3lido, s\u00e9rio, \u00e0 frente do programa, como apresentadora. Toda a minha experi\u00eancia ao longo de mais de 30 anos de carreira, como atriz e apresentadora, s\u00f3 contribu\u00edram para que a minha performance acontecesse da forma mais madura poss\u00edvel. Evidente que eu fa\u00e7o muita autocr\u00edtica, sou muito exigente com a minha performance. Eu tenho certeza absoluta de que sempre podemos melhorar, fazer o melhor, eu n\u00e3o espero outra coisa de mim. Se eu me comportei bem, se eu tive um bom desempenho, estou sempre torcendo para que eu consiga evoluir e me tornar uma profissional melhor no que eu fa\u00e7o. \u00c9 um processo evolutivo, para mim, nunca acabado, mas estou muito feliz, porque tudo tem evolu\u00eddo de uma maneira bacana, tanto a minha rela\u00e7\u00e3o com toda a equipe, quanto com a galera que est\u00e1 dentro do est\u00fadio comigo o tempo todo. Eu gosto muito do Eduardo Ribeiro (apresentador), ele \u00e9 o meu companheiro. A minha evolu\u00e7\u00e3o tem acontecido de maneira muito s\u00f3lida e madura. Estou muito feliz com a minha experi\u00eancia como apresentadora e tamb\u00e9m fazendo mat\u00e9rias para o \u201cDomingo Espetacular\u201d.<\/p>\n<p><strong>Em meio \u00e0 pandemia, que j\u00e1 dura um ano, como voc\u00ea mant\u00e9m a mente s\u00e3? O que normalmente te tira do eixo? Faz alguma terapia?<\/strong><\/p>\n<p>Sou filha da Psican\u00e1lise, j\u00e1 fiz terapia ao longo de toda a minha vida, comecei na adolesc\u00eancia. A terapia \u00e9 fundamental. Sou f\u00e3 de carteirinha e todo mundo deveria fazer, claro que n\u00e3o o tempo todo, cada um sabe de si, mas em algum momento da vida, \u00e9 sempre muito bem-vindo. H\u00e1 pelo menos uns cinco anos que eu n\u00e3o tenho feito, mas sempre fiz com muito prazer. Eu tive a sorte de sempre encontrar profissionais muito inteligentes que contribu\u00edram para o meu crescimento, meu autoconhecimento. O autoconhecimento \u00e9 sempre uma liberta\u00e7\u00e3o, e nos ajuda a comunicar melhor, a nos colocar melhor, a olhar para n\u00f3s mesmos de uma maneira mais madura, conscienciosa, e, portanto, evolu\u00edmos e criamos uma rela\u00e7\u00e3o saud\u00e1vel com a gente mesmo. Sempre achei fundamental buscar o autoconhecimento e, atrav\u00e9s dele, chegar a um bem-estar, talvez por isso ao longo dessa pandemia, realmente, falando francamente, est\u00e1 dific\u00edlima de administrar em todos os aspectos. Eu fico pensando nas crian\u00e7as, a perda para elas \u00e9 irrepar\u00e1vel academicamente; socialmente, em termos de amadurecimento, elas precisam uma das outras, do conv\u00edvio no coletivo para que amadure\u00e7am, n\u00e3o tendo esse contato social, essa conviv\u00eancia escolar, tem sido muito sofrido para elas. Para os idosos tamb\u00e9m, porque est\u00e3o isolados, est\u00e3o sempre sozinhos, n\u00e3o podem dar suas caminhadas, tem sido dif\u00edcil. A minha m\u00e3e tem 83 anos e, logo no in\u00edcio, ficamos tr\u00eas meses sem nos encontrar, foi muito sofrido, tanto que resolvemos nos rever a partir daquela data. Eu percebi que ela estava muito triste, e n\u00f3s fizemos o confinamento com a maior seriedade poss\u00edvel, nos protegendo. N\u00f3s passamos um m\u00eas juntas num s\u00edtio. De l\u00e1 pra c\u00e1, eu fa\u00e7o o teste semanalmente por causa do trabalho, o que n\u00e3o \u00e9 nenhuma garantia, n\u00f3s sabemos disso, eu posso estar confinada e receber um delivery que infelizmente pode chegar contaminado, mas o que est\u00e1 ao meu alcance e tudo que eu posso fazer para manter a mim e a minha fam\u00edlia segura, eu definitivamente tenho feito. \u00c9 o m\u00ednimo que eu posso fazer, porque se tem uma coisa que essa pandemia tornou clara, \u00e9 que o bem e a seguran\u00e7a de um s\u00e3o de fato a seguran\u00e7a de todos!<\/p>\n<p><strong>Vivemos num mundo contempor\u00e2neo, onde queremos tudo ao mesmo tempo e agora, mas voc\u00ea acredita que a pandemia possa ter freado essa velocidade? Como voc\u00ea lida com o tempo?<\/strong><\/p>\n<p>Com as plataformas digitais e o acesso que todos temos online ao mundo l\u00e1 fora, a nossa rela\u00e7\u00e3o com o consumo mudou de uma maneira violenta, mas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 pandemia, talvez tenha trazido um fator positivo porque nunca antes ficou t\u00e3o evidente o que de fato \u00e9 sup\u00e9rfluo e essencial. Eu n\u00e3o vejo pessoas perdendo tempo ou gastando dinheiro com coisas que n\u00e3o s\u00e3o importantes ou relevantes pra ela ou pra fam\u00edlia naquele momento. Os crit\u00e9rios mudaram, a maneira como a pessoa gasta o dinheiro mudou. Eu n\u00e3o sei o que vai acontecer quando a pandemia acabar, se as pessoas ir\u00e3o viajar ou gastar fortunas renovando o guarda-roupa. Eu espero que n\u00e3o. Espero que elas aproveitem essa experi\u00eancia t\u00e3o dif\u00edcil que estamos todos atravessando para que voltem a valorizar realmente o que \u00e9 essencial, o que \u00e9 importante. Eu n\u00e3o compro uma roupa h\u00e1 anos, antes mesmo da pandemia eu j\u00e1 estava vindo de uma fase muito pouco consumista, agora com a pandemia n\u00e3o tenho comprado nada, comprei um aparelho de gin\u00e1stica, alguns cadernos e umas agendas, pra poder seguir escrevendo, elaborando os meus projetos, n\u00e3o gosto de escrever no computador, prefiro papel. O meu consumo mudou, estou gastando mais dinheiro com alimentos. Um dia eu encontro um peixe bonito, levo pra casa porque quero fazer uma refei\u00e7\u00e3o, quero cozinhar, fazer um prato diferente, encontrar um tempero diferente. O meu consumo, e eu acho que isso reflete no consumo da maioria, voltou para o que me d\u00e1 bem-estar a mim e a minha fam\u00edlia. Eu tenho investido muito mais dinheiro comprando um bom tempero, uma ervinha fresca pra fazer a diferen\u00e7a no meu almo\u00e7o para as minhas filhas, do que sapato e bolsa, isso passou a ser absolutamente irrelevante.<\/p>\n<p><strong>Falando um pouco sobre os padr\u00f5es de beleza, apesar de as revistas de moda estarem mudando esse conceito, ainda estamos longe da evolu\u00e7\u00e3o neste sentido. Ao acompanhar todas essas transforma\u00e7\u00f5es que esse mercado vem passando, como \u00e9 a sua rela\u00e7\u00e3o em frente ao espelho?<\/strong><\/p>\n<p>O mercado vem mudando de v\u00e1rias formas, ainda estamos longe, sem d\u00favida, do que a gente considera ideal, afinal, preconceito e sexismo, infelizmente, est\u00e3o presentes. Voc\u00ea veja, no mercado internacional, as grandes campanhas publicit\u00e1rias s\u00e3o feitas com mulheres de 50 ou at\u00e9 mais, Julianne Moore, Julia Roberts, Nicole Kidman, Jennifer Lopez, Demi Moore estampando capas de revistas, al\u00e9m de Jennifer Aniston e tantas outras. Eu me lembrei de algumas, mas existem outros exemplos que s\u00e3o bem diferentes.<\/p>\n<p><strong>Discutir sobre envelhecer ainda est\u00e1 em pauta, mas voc\u00ea se cansa em ter que falar sobre este assunto? Acredita que \u00e9 uma forma de opress\u00e3o \u00e0s mulheres que est\u00e3o sendo questionadas o tempo todo sobre a velhice?<\/strong><\/p>\n<p>Eu jamais me canso de falar sobre envelhecimento porque faz parte da nossa vida. A gente vai envelhecendo, mas as quest\u00f5es b\u00e1sicas do dia a dia seguem exatamente iguais, envelhecer \u00e9 isso, uma ordem natural das coisas, dos fatos, a gente tem que simplesmente abra\u00e7ar o passar dos anos, e viver bem com isso. Eu sou muito feliz envelhecendo. Estou muito tranquila com o que a velhice tem feito por mim, inclusive ela tem me ajudado em muitas coisas, nunca estive num processo profissional t\u00e3o criativo, interessante e plural como neste momento atual.<\/p>\n<p><strong>Voc\u00ea construiu uma carreira, casou, teve uma filha, e ap\u00f3s alguns anos decidiu engravidar novamente. Essa \u00e9 uma decis\u00e3o cada vez mais comum entre as mulheres: a maternidade tardia. Como voc\u00ea trabalhou sua mente quando decidiu tomar essa decis\u00e3o pela segunda gesta\u00e7\u00e3o? <img decoding=\"async\" class=\" wp-image-25439 alignleft\" src=\"https:\/\/revistaregional.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/IMG_6381-300x200.jpg\" alt=\"\" width=\"647\" height=\"431\" data-id=\"25439\" srcset=\"https:\/\/revistaregional.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/IMG_6381-300x200.jpg 300w, https:\/\/revistaregional.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/IMG_6381-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/revistaregional.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/IMG_6381-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/revistaregional.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/IMG_6381-2048x1365.jpg 2048w, https:\/\/revistaregional.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/IMG_6381-150x100.jpg 150w, https:\/\/revistaregional.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/IMG_6381-272x182.jpg 272w\" sizes=\"(max-width: 647px) 100vw, 647px\" \/><\/strong><\/p>\n<p>Olha, eu sempre quis ter outro filho, mas acabei me separando do meu primeiro marido antes da oportunidade de t\u00ea-lo. Depois, eu me casei com o pai da Isabel (filha de 5 anos), que queria ter filhos e n\u00e3o tinha. Quando voc\u00ea se casa com algu\u00e9m que n\u00e3o tem filhos e se essa pessoa quer ter, a gente tem que pelo menos tentar, faz parte do pacote, e eu j\u00e1 tinha o mesmo desejo, juntou a fome com a vontade. Decidimos ter a Isabel e foi um presente pra n\u00f3s dois. O Marcelo (marido) \u00e9 um \u00f3timo companheiro, \u00e9 um \u00f3timo pai, a Isabel \u00e9 um presente, uma luz nas nossas vidas, n\u00e3o precisou nem fazer a minha cabe\u00e7a, s\u00f3 fiquei feliz e curti bastante.<\/p>\n<p><strong>De uma filha pra outra s\u00e3o 20 anos de diferen\u00e7a, Izabel, 5 anos (Gera\u00e7\u00e3o Alpha), Valentina, 26 anos (Gera\u00e7\u00e3o Z), como tem sido pra voc\u00ea ser m\u00e3e de duas meninas que cresceram em gera\u00e7\u00f5es diferentes, e ter\u00e3o suas identidades influenciadas pelas redes sociais, internet, cultura do cancelamento?<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 uma barra pensar nisso, ali\u00e1s, quanto mais a gente se informa a respeito mais em p\u00e2nico ficamos. Pelo menos eu, cada vez mais tenho tido uma s\u00e9rie de ressalvas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s m\u00eddias sociais, e ao impacto da internet na nossa vida no dia a dia, de todos n\u00f3s como sociedade. Existem coisas maravilhosas. O futuro j\u00e1 come\u00e7ou, as pessoas dizem quando o futuro chegar, mas ele j\u00e1 est\u00e1 aqui. O futuro chegou h\u00e1 15 anos quando surgiu a oportunidade de te conectar com qualquer outra pessoa em qualquer outro lugar do mundo. A revolu\u00e7\u00e3o come\u00e7ou neste momento. O grande desafio sempre ser\u00e1 preparar o seu filho da melhor maneira poss\u00edvel, pra que ele consiga se relacionar no mundo que ele vive, no momento que ele vive. A Isabel, 5 anos, nasceu e com certeza est\u00e1 crescendo num ambiente diferente do que foi a Valentina, 26, mas dada as devidas propor\u00e7\u00f5es. A Valentina foi a primeira crian\u00e7a que cresceu com a gera\u00e7\u00e3o do celular, que tamb\u00e9m \u00e9 outra revolu\u00e7\u00e3o, \u00e9 muito interessante observar, mas a gente tem que entender que os processos v\u00e3o acontecer de moderniza\u00e7\u00e3o cada vez mais r\u00e1pido, e cada vez mais violento. N\u00f3s temos, sim, que preservar valores b\u00e1sicos, porque intelig\u00eancia, nada disso adianta se voc\u00ea n\u00e3o tem \u00e9tica, \u00e9tica inclusive para a intelig\u00eancia artificial tamb\u00e9m. Esse \u00e9 um grande debate dos mais pertinentes e interessantes da nossa \u00e9poca, do nosso tempo, as quest\u00f5es sociais passam, sem sombra de d\u00favida, por absorver toda essa evolu\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica que nos \u00e9 oferecida, mas principalmente por como controlar eticamente, pra que n\u00e3o nos tornemos escravos disso tudo. \u00c9 um desafio, mas a gente vive os desafios dia a dia, sempre com a melhor inten\u00e7\u00e3o, torcendo pra que a gente consiga fazer o melhor, mas n\u00e3o sei mesmo, porque garantia n\u00f3s n\u00e3o temos de nada.<\/p>\n<p><strong>E por falar em meninas, entrando um pouco na quest\u00e3o sobre feminismo, diante das desigualdades sociais, voc\u00ea acredita que o empoderamento pode ser considerado essencialmente burgu\u00eas e elitista? Como voc\u00ea acredita ser poss\u00edvel chegar \u00e0s classes menos favorecidas, nestas mulheres que realmente precisam entoar o grito de liberdade?<\/strong><\/p>\n<p>Primeiro que empoderamento \u00e9 uma palavra chata, eu j\u00e1 n\u00e3o gosto de usar empoderamento, mas toda forma de amor vale a pena, todo grito de liberdade \u00e9 leg\u00edtimo. N\u00f3s temos, sim, como sociedade, ter de fato e de uma vez por todas, uma consci\u00eancia social que nunca tivemos, como povo, como na\u00e7\u00e3o. N\u00f3s vivemos num pa\u00eds onde a maioria das pessoas vive em situa\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade, vive em situa\u00e7\u00e3o de car\u00eancia, e temos que entender que uma sociedade evolu\u00edda n\u00e3o deixa espa\u00e7o para as desigualdades. A discrep\u00e2ncia social no Brasil \u00e9 muito dif\u00edcil. \u00c9 complicado algu\u00e9m conseguir sair de uma classe desfavorecida, onde ela n\u00e3o tem recursos, n\u00e3o tem acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o, conseguir transcender, fazer a virada e se formar, exercer uma profiss\u00e3o. A sociedade foi feita e constru\u00edda de uma maneira muito opressora, e as dist\u00e2ncias sociais cumprem com esse papel cada vez mais com efici\u00eancia. Cabe a n\u00f3s mesmos, individualmente como cidad\u00e3os, legitimar esse grito de liberdade de todos e todas, n\u00e3o s\u00f3 das mulheres, mas das crian\u00e7as, dos pretos, dos pobres, todos n\u00f3s precisamos nos unir e entender que o bem de um \u00e9 o bem de todos. Parece muito ut\u00f3pico o que eu estou falando, mas existem comprova\u00e7\u00f5es cient\u00edficas, estudos de v\u00e1rias ordens de universidades, de mat\u00e9rias publicadas, que realmente reafirmam que uma sociedade evolu\u00edda funciona melhor. Ela tem um cidad\u00e3o mais feliz, \u00e9 uma sociedade mais equilibrada a partir do momento que, de fato, as oportunidades existam com mais igualdade para todos. N\u00f3s temos que lutar para isso.<\/p>\n<p><strong>Ali\u00e1s, eu n\u00e3o sei se voc\u00ea tem acompanhado, mas os atores est\u00e3o se reinventando na pandemia, e apresentando espet\u00e1culos em formato de teatro-cinema, e isso levantou uma discuss\u00e3o sobre ser teatro ou audiovisual. Voc\u00ea j\u00e1 parou para refletir sobre este assunto?<\/strong><\/p>\n<p>Uma coisa que todo artista quer \u00e9 estar trabalhando. N\u00f3s ficamos loucos se n\u00e3o estamos trabalhando, se n\u00e3o estamos inventando, se n\u00e3o estamos no palco; se n\u00e3o estamos produzindo alguma coisa. A gente quer ser artista, quer fazer arte. \u00c9 maravilhoso essa busca por novos recursos, novas maneiras art\u00edsticas, porque diante de tanta coisa ruim que tem acontecido, diante de tanta dificuldade que os artistas t\u00eam enfrentado, os teatros, os cinemas, todos fechados, o artista precisa do contato com o p\u00fablico para poder exercer o seu of\u00edcio, n\u00e3o d\u00e1 para fazer online, algumas poucas produ\u00e7\u00f5es, inclusive, nos surpreenderam. Foram feitas online e s\u00e3o maravilhosas. Eu vi a pe\u00e7a da Mari (Mariana) Ximenes e adorei, da D\u00e9bora Falabella tamb\u00e9m, adorei a Mait\u00ea Proen\u00e7a, vi alguns projetos, n\u00e3o consegui ver muita coisa. Muitos amigos fizeram e eu tenho certeza de que foram bem interessantes. Essas eu consegui assistir, e que legal, que del\u00edcia ver o artista se reinventar dessa forma. A gente quer encontrar novas maneiras de seguir trabalhando, se sustentar e nos manter como classe. \u00c9 importante pra todos n\u00f3s, a cultura \u00e9 muito importante como na\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Durante a pandemia voc\u00ea conseguiu filmar \u201cOs Pand\u00eamicos\u201d, uma produ\u00e7\u00e3o independente, mas como foi essa experi\u00eancia dada a situa\u00e7\u00e3o que todos n\u00f3s estamos vivendo neste momento?<\/strong><\/p>\n<p>Eu, conversando com o Ot\u00e1vio Martins e o Juliano Araripe, e o nosso desejo enfurecedor de criar, inventar alguma coisa, nos impeliu a produzir \u201cPand\u00eamicos\u201d. N\u00f3s fizemos uma a\u00e7\u00e3o comunit\u00e1ria, todos somos coprodutores, trabalhamos sem nenhum cach\u00ea, sem nenhuma lei de apoio ou incentivo cultural, investimos o nosso pr\u00f3prio dinheiro, eu, o Ot\u00e1vio Martins, e o Peu Lima, nosso diretor e coprodutor, que entrou com toda parte de p\u00f3s-produ\u00e7\u00e3o. Sem isso, jamais ter\u00edamos conseguido. Foi maravilhoso. N\u00f3s filmamos em nove dias, com uma equipe reduzida, e gra\u00e7as a Deus deu tudo certo. Foi uma experi\u00eancia despretensiosa, feita com baixo or\u00e7amento para o youtube, e hoje em dia, estamos em 70 plataformas ao redor do mundo, realmente foi um presente maravilhoso.<\/p>\n<p><strong>Em janeiro, voc\u00ea come\u00e7ou o curso na tradicional escola de culin\u00e1ria francesa \u201cLe Cordon Bleu\u201d, desde quando voc\u00ea tinha esse desejo?<\/strong><\/p>\n<p>Ter entrado no \u201cLe Cordon Bleu\u201d foi uma das decis\u00f5es mais s\u00e1bias que eu j\u00e1 tomei, tem me feito um bem espiritual, tem alimentado a minha alma. Eu chego para as minhas aulas, feliz da vida, eu me desconecto de tudo que h\u00e1 em torno, e s\u00f3 penso em cozinhar. Estou na metade do primeiro m\u00f3dulo, que \u00e9 dividido em tr\u00eas, e estamos aprendendo as t\u00e9cnicas de cortes, de cultura, como tratar os alimentos. \u00c9 do b\u00e1sico, do b\u00e1sico, do b\u00e1sico. Tem sido muito interessante, despeito de eu j\u00e1 ter experi\u00eancia e j\u00e1 cozinhar, estou aprendendo t\u00e9cnicas cl\u00e1ssicas que existem desde o s\u00e9culo 19, algumas at\u00e9 anteriores a isso. Est\u00e1 sendo muito enriquecedor. Foi um presente que eu me dei, imagina, al\u00e9m de tudo, fazendo faculdade de culin\u00e1ria, realmente sou muito animada, n\u00e9? (risos).<\/p>\n<p><strong>Carolina, eu gostaria de conhecer a sua hist\u00f3ria com a gastronomia, porque normalmente remete aos momentos em fam\u00edlia, que algu\u00e9m serviu de inspira\u00e7\u00e3o&#8230; Voc\u00ea sempre gostou de cozinhar para os familiares e amigos?<\/strong><\/p>\n<p>Desde pequena eu sempre gostei de cozinhar, a minha m\u00e3e \u00e9 uma grande cozinheira, a minha casa sempre foi o quartel general de todos os amigos. Os amigos do meu pai frequentavam a minha casa, os amigos do meu irm\u00e3o, os meus amigos, sempre foi um encontro de gera\u00e7\u00f5es e o pretexto era estar ali todos ao redor da mesa, conversando, trocando conversas, jogando conversas fora, batendo papo&#8230; Eu sempre associei a culin\u00e1ria ao afeto, sempre associei a culin\u00e1ria ao coletivo, s\u00f3 depois de adulta que eu passei a cozinhar pra mim mesma, at\u00e9 pra liberar o estresse, porque em alguns momentos eu chegava de uma grava\u00e7\u00e3o de 15 horas, exausta, eu tinha gravado 30 cenas, trocava de roupa v\u00e1rias vezes&#8230; Eu voltava e cozinhava, ou uma massa, \u00e0s vezes uma omelete, e isso me desconectava e me fazia entrar num processo de relaxamento, me fazia muito bem, era quase como um autocuidado, e a minha vontade de cozinhar, surgiu meio que aventureira. Eu gostava de ir aos lugares, provar a comida, e atrav\u00e9s do paladar descobrir os ingredientes, voltar pra casa e cozinhar, tentar reproduzir a receita. Eu consegui v\u00e1rias vezes, tive sucesso em algumas e outras n\u00e3o, e a\u00ed foi&#8230; Realmente \u00e9 muito genu\u00edno, tanto que quando eu escrevi o meu primeiro livro, foi muito despretensioso, eu n\u00e3o esperava o sucesso que teve. Eu escrevi para os meus amigos, de tanto que eles me disseram: \u201cvoc\u00ea tem que escrever um livro\u201d, e assim come\u00e7ou a hist\u00f3ria e o resto voc\u00ea j\u00e1 sabe.<\/p>\n<p><em>entrevista: Ester Jacopetti<\/em><\/p>\n<p><em>fotos: Nicole Gomes<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Produtora, apresentadora, jornalista, atriz e chef de cozinha, Carolina Ferraz gosta de um bom desafio; Nesta entrevista exclusiva, ela revela estar num processo profissional \u201ccriativo, interessante e plural\u201d Maio \u00e9 um m\u00eas especial n\u00e3o s\u00f3 para as m\u00e3es, mas para todas as mulheres que exercem a maternidade e ainda d\u00e3o conta de muito mais. 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