{"id":19276,"date":"2019-05-10T13:15:28","date_gmt":"2019-05-10T13:15:28","guid":{"rendered":"https:\/\/revistaregional.com.br\/site\/?p=19276"},"modified":"2024-01-26T10:11:47","modified_gmt":"2024-01-26T13:11:47","slug":"especial-o-direito-a-maternidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revistaregional.com.br\/site\/2019\/05\/10\/especial-o-direito-a-maternidade\/","title":{"rendered":"Especial: o direito \u00e0 maternidade"},"content":{"rendered":"<figure id=\"attachment_19277\" aria-describedby=\"caption-attachment-19277\" style=\"width: 254px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"https:\/\/revistaregional.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/1-1.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-19277\" src=\"https:\/\/revistaregional.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/1-1.jpg\" alt=\"\" width=\"254\" height=\"347\" data-id=\"19277\" srcset=\"https:\/\/revistaregional.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/1-1.jpg 3072w, https:\/\/revistaregional.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/1-1-219x300.jpg 219w, https:\/\/revistaregional.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/1-1-749x1024.jpg 749w, https:\/\/revistaregional.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/1-1-110x150.jpg 110w\" sizes=\"(max-width: 254px) 100vw, 254px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-19277\" class=\"wp-caption-text\">M\u00f4nica e Pedro<\/figcaption><\/figure>\n<p>No m\u00eas em que se comemora o Dia das M\u00e3es e o Dia Nacional da Ado\u00e7\u00e3o, REVISTA REGIONAL apresenta hist\u00f3rias de m\u00e3es em nossa regi\u00e3o que passaram pelo processo de ado\u00e7\u00e3o para realizar o sonho da maternidade<\/p>\n<p>O Conselho Nacional de Justi\u00e7a (CNJ) contabiliza mais de 9 mil ado\u00e7\u00f5es realizadas na \u00faltima d\u00e9cada no Brasil. H\u00e1 um ano, os mesmos dados apontavam que ainda havia quase 8 mil crian\u00e7as e adolescentes em todo o territ\u00f3rio nacional aguardando uma fam\u00edlia. H\u00e1 apenas dez anos, o cadastro de pretendentes \u00e0 ado\u00e7\u00e3o tornou-se eletr\u00f4nico, facilitando a comunica\u00e7\u00e3o de Varas da Inf\u00e2ncia em todo o pa\u00eds e agilizando, assim, as ado\u00e7\u00f5es interestaduais.<\/p>\n<p>A realidade no Brasil \u00e9 cruel para as crian\u00e7as. Hoje s\u00e3o mais de 45 mil menores em abrigos, mas pouco menos de 8 mil aptos para serem adotados judicialmente e, por outro lado, mais de 30 mil pessoas habilitadas a adotar, segundo dados do Cadastro Nacional de Ado\u00e7\u00e3o (CNA).<\/p>\n<p>A prefer\u00eancia por beb\u00eas e a burocracia fazem com que muitas crian\u00e7as saiam do perfil mais procurado pelas fam\u00edlias, que \u00e9 o de beb\u00eas de at\u00e9 tr\u00eas anos, brancos e sem doen\u00e7as cong\u00eanitas. Apenas 50% das fam\u00edlias do Cadastro Nacional aceitam adotar crian\u00e7as negras, e somente 6% est\u00e3o dispostos a adotar crian\u00e7as com oito anos de idade ou mais.<\/p>\n<p>M\u00f4nica + Pedro<\/p>\n<p>A advogada M\u00f4nica Brunetto se tornou m\u00e3e h\u00e1 quase 11 anos. Pedro chegou ainda pequeno, com apenas dois meses e mudou sua vida para sempre. Ela lembra rindo que quando era mais nova pensava que j\u00e1 havia muita crian\u00e7a abandonada no mundo para gerar outra. Adulta e casada, passou por um processo com v\u00e1rias tentativas de engravidar e n\u00e3o conseguiu. \u201cTentei engravidar para depois partir para a ado\u00e7\u00e3o. Eu nunca tinha pensado muito em ser m\u00e3e at\u00e9 chegar aos quase 40 anos\u201d, conta.<\/p>\n<p>A adapta\u00e7\u00e3o aconteceu dos dois lados, n\u00e3o apenas Pedro, mesmo t\u00e3o novinho, teve que se adequar ao novo lar, rotinas e aos pais, como ela e o ex-marido, na \u00e9poca casados, tiveram que se adaptarem a uma nova realidade: a constru\u00e7\u00e3o di\u00e1ria de uma nova rela\u00e7\u00e3o e um novo amor familiar. \u201cNa \u00e9poca parei de trabalhar para dar conta daquele bebezinho de dois meses e meio de idade. Apesar de ter certa estrutura, um<\/p>\n<p>beb\u00ea requer aten\u00e7\u00e3o quase que em tempo integral, entre mamadeiras, fraldas, fazer dormir e etc\u201d, lembra a advogada.<\/p>\n<p>Diferente de uma gravidez, onde a m\u00e3e e a fam\u00edlia, geralmente, t\u00eam nove meses para entender a chegada de um novo membro na fam\u00edlia e a rela\u00e7\u00e3o de amor que vai se construindo, a ado\u00e7\u00e3o pode acontecer de uma hora para a outra depois de esperas e processos judiciais a serem enfrentados pelos casais e fam\u00edlias. \u201cS\u00f3 tive sossego mesmo sobre esta quest\u00e3o depois que saiu a ado\u00e7\u00e3o e pude ir ao cart\u00f3rio e tirar a certid\u00e3o de nascimento nova dele. Ali caiu a ficha e me senti m\u00e3e de verdade. Foi um momento maravilhoso. Ali\u00e1s, foram dois momentos maravilhosos: receber a not\u00edcia por telefone da decis\u00e3o judicial atrav\u00e9s do meu cunhado e depois ir ao cart\u00f3rio tirar a certid\u00e3o\u201d, detalha M\u00f4nica.<\/p>\n<p>H\u00e1 poucos anos, M\u00f4nica passou por uma separa\u00e7\u00e3o conjugal e o menino enfrentou uma nova adapta\u00e7\u00e3o, j\u00e1 que lhe faltava um pouco de compreens\u00e3o, at\u00e9 mesmo pela idade. \u201cEm pouco tempo ele conseguiu observar que melhorou para n\u00f3s tr\u00eas. Uns dois meses atr\u00e1s, ele comentou com minha m\u00e3e que est\u00e1 bem melhor agora depois da separa\u00e7\u00e3o do que antes e observou com certo espanto que eu e o pai dele somos amigos\u201d, conta rindo.<\/p>\n<p>M\u00f4nica ressalta que, apesar de tudo e anos depois, possui algumas ressalvas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 ado\u00e7\u00e3o. O processo, que n\u00e3o costuma ser f\u00e1cil, gera muita ang\u00fastia no casal que se prop\u00f5e a adotar e o medo de perder a crian\u00e7a \u00e9 constante. \u201cIsso acontece por conta de uma atua\u00e7\u00e3o do Minist\u00e9rio P\u00fablico e do Judici\u00e1rio que critico muito, mas se a pessoa est\u00e1 disposta a enfrentar isso, vale muito a pena. Porque pra mim \u00e9 assim, o Pedro \u00e9 meu filho e acabou. Tem uma m\u00e3e biol\u00f3gica? Sim! N\u00e3o tem meu sangue? N\u00e3o! Mas tem minha alma e \u00e9 isso o que importa!\u201d, finaliza.<\/p>\n<p>D\u00e9bora + Mait\u00ea + Luan<\/p>\n<p>A hist\u00f3ria de D\u00e9bora Melecardi e seus dois filhos \u00e9 um pouco mais complicada do que as hist\u00f3rias de ado\u00e7\u00e3o convencionais. Ela e seu marido, Nelson Melecardi, se cadastraram normalmente para adotarem crian\u00e7as e tr\u00eas anos depois receberam a Mait\u00ea. A menina, natural de Indaiatuba, chegou para o casal com apenas 28 dias de vida, depois de ser abandonada num local p\u00fablico da cidade. Assim, D\u00e9bora e Nelson continuaram na fila de ado\u00e7\u00e3o e, quando a garotinha tinha dois anos, o Luan chegou, natural de Monte Santo, na Bahia. Mait\u00ea e Luan t\u00eam praticamente a mesma idade e s\u00e3o extremamente parecidos fisicamente.<\/p>\n<p>O caso da fam\u00edlia ficou conhecido nacionalmente, depois de o \u201cFant\u00e1stico\u201d, revista dominical da TV Globo, fazer uma acusa\u00e7\u00e3o de que D\u00e9bora e Nelson, assim como a fam\u00edlia que adotou os outros dois irm\u00e3os de Luan em Campinas, teriam traficado os meninos do sert\u00e3o da Bahia. Luan, assim como dois irm\u00e3os biol\u00f3gicos que foram adotados por uma fam\u00edlia de Campinas, s\u00f3 veio para nossa regi\u00e3o, pois outra irm\u00e3 deles tinha sido adotada por uma fam\u00edlia daqui e o juiz de Monte Santo achou por bem mant\u00ea-los pr\u00f3ximos para n\u00e3o perderem o v\u00ednculo biol\u00f3gico. Assim, as fam\u00edlias cadastradas daqui foram acionadas para receber as crian\u00e7as, tudo dentro da lei. \u201cMuitas pessoas nos condenaram e at\u00e9 grupos de ado\u00e7\u00e3o pr\u00e9-julgaram a gente. Eu n\u00e3o tive apoio nenhum. Foram poucas pessoas que nos deram apoio porque elas tinham medo de se envolver. Ningu\u00e9m queria ouvir a hist\u00f3ria real e \u00e9 uma pena, porque eu sinto que se grupos de ado\u00e7\u00e3o e toda essa milit\u00e2ncia tivessem nos ajudado, poder\u00edamos ter conseguido mais\u201d, revela D\u00e9bora.<\/p>\n<figure id=\"attachment_19279\" aria-describedby=\"caption-attachment-19279\" style=\"width: 289px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"https:\/\/revistaregional.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/2.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-19279\" src=\"https:\/\/revistaregional.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/2.jpg\" alt=\"\" width=\"289\" height=\"429\" data-id=\"19279\" srcset=\"https:\/\/revistaregional.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/2.jpg 2597w, https:\/\/revistaregional.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/2-202x300.jpg 202w, https:\/\/revistaregional.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/2-690x1024.jpg 690w, https:\/\/revistaregional.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/2-101x150.jpg 101w\" sizes=\"(max-width: 289px) 100vw, 289px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-19279\" class=\"wp-caption-text\">D\u00e9bora e os filhos Mait\u00ea e Luan<\/figcaption><\/figure>\n<p>Entre idas e vindas foram oito anos de luta para manter a fam\u00edlia unida. O Luan chegou em 2011 e apenas agora, no \u00faltimo m\u00eas de mar\u00e7o, \u00e9 que a decis\u00e3o de que ele ficaria com a fam\u00edlia de Indaiatuba saiu. \u201cForam oito anos de discuss\u00e3o e briga com uma emissora fazendo a revers\u00e3o da hist\u00f3ria verdadeira para promover uma novela, \u201cSalve Jorge\u201d. O pano de fundo real dessa hist\u00f3ria \u00e9 esse. Eles passaram a hist\u00f3ria deles, filmando a casa das fam\u00edlias, acusando-as de tr\u00e1fico de crian\u00e7as, por sete semanas. As fam\u00edlias perderam o direito de ir e vir, foram amea\u00e7adas e nunca pararam para ouvir a verdade. Quando eles (emissora) vieram a Indaiatuba, eu fui at\u00e9 eles, eles gravaram mais de uma hora comigo e usaram apenas sete segundos de forma distorcida\u201d, explica a advogada das fam\u00edlias, Lenora Tha\u00eds Steffen Todt Panzetti.<\/p>\n<p>Em outubro de 2012 come\u00e7ou a hist\u00f3ria com o \u201cFant\u00e1stico\u201d e dois meses depois, as crian\u00e7as foram devolvidas para a m\u00e3e biol\u00f3gica na Bahia. \u201cEntrei com recurso, agravo, tudo, ningu\u00e9m queria julgar esse processo. Foram 31 desembargadores que passaram pelo processo e ningu\u00e9m queria julgar. Com tudo isso, as crian\u00e7as ficaram mais tr\u00eas anos na Bahia, entre dezembro de 2012 e maio de 2015, de volta a uma situa\u00e7\u00e3o de risco. Depois de um tempo, a m\u00e3e biol\u00f3gica entrou em contato falando que queria devolv\u00ea-los para as fam\u00edlias de S\u00e3o Paulo. S\u00f3 ent\u00e3o, depois de tr\u00eas anos, essas crian\u00e7as retornaram para as fam\u00edlias daqui. Nesses tr\u00eas anos eles n\u00e3o se desenvolveram e vieram uma outra hist\u00f3ria, uma outra vida e um outro mundo\u201d, explica Dra. Lenora.<\/p>\n<p>No \u00faltimo m\u00eas de mar\u00e7o, saiu a decis\u00e3o definitiva que concedeu a ado\u00e7\u00e3o das tr\u00eas crian\u00e7as \u00e0s duas fam\u00edlias adotivas. \u201cFoi a pior \u00e9poca das nossas vidas e piorou tudo quando tiraram o Luan de mim. Eles n\u00e3o pensaram em nada, nem no Luan e nem em nenhuma das crian\u00e7as, mas eu faria tudo de novo, por eles, porque filho \u00e9 filho independentemente de sangue. A ado\u00e7\u00e3o foi a maneira que Deus escolheu para que eu fosse m\u00e3e e eu n\u00e3o trocaria por nada. Foram tr\u00eas anos de espera pela Mait\u00ea que me ensinou a ser m\u00e3e e depois para complementar nossa vida, nossa hist\u00f3ria e nossos sonhos, chegou o Luan\u201d, finaliza D\u00e9bora.<\/p>\n<p>texto e fotos: Gisele Scaravelli<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No m\u00eas em que se comemora o Dia das M\u00e3es e o Dia Nacional da Ado\u00e7\u00e3o, REVISTA REGIONAL apresenta hist\u00f3rias de m\u00e3es em nossa regi\u00e3o que passaram pelo processo de ado\u00e7\u00e3o para realizar o sonho da maternidade O Conselho Nacional de Justi\u00e7a (CNJ) contabiliza mais de 9 mil ado\u00e7\u00f5es realizadas na \u00faltima d\u00e9cada no Brasil. 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