{"id":18779,"date":"2019-03-27T13:52:12","date_gmt":"2019-03-27T13:52:12","guid":{"rendered":"https:\/\/revistaregional.com.br\/site\/?p=18779"},"modified":"2024-01-26T11:38:33","modified_gmt":"2024-01-26T14:38:33","slug":"os-ensinamentos-da-monja-coen","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revistaregional.com.br\/site\/2019\/03\/27\/os-ensinamentos-da-monja-coen\/","title":{"rendered":"Os ensinamentos da Monja Coen"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_18792\" aria-describedby=\"caption-attachment-18792\" style=\"width: 437px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/revistaregional.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/88888.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-18792\" src=\"https:\/\/revistaregional.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/88888.jpg\" alt=\"\" width=\"437\" height=\"307\" data-id=\"18792\" srcset=\"https:\/\/revistaregional.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/88888.jpg 3542w, https:\/\/revistaregional.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/88888-300x211.jpg 300w, https:\/\/revistaregional.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/88888-1024x719.jpg 1024w, https:\/\/revistaregional.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/88888-150x105.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 437px) 100vw, 437px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-18792\" class=\"wp-caption-text\">Monja Coen \u00e9 fundadora da Comunidade Zen Budista Zendo Brasil<\/figcaption><\/figure>\n<p>Confira a entrevista exclusiva da monja \u00e0 Revista Regional<\/p>\n<p>\u201cMuitas vezes nossas insatisfa\u00e7\u00f5es, decep\u00e7\u00f5es, tristezas nos levam a querer ter, a possuir, a acumular coisas materiais que nos satisfazem por alguns instantes\u201d. Essa \u00e9 a descri\u00e7\u00e3o de como a sociedade se comporta nos dias de hoje, mas calma, ainda temos tempo para consertar o que est\u00e1 errado. E para falar sobre esse e outros assuntos, conversamos com exclusividade com a fundadora da Comunidade Zen Budista Zendo Brasil, Monja Coen. Ali\u00e1s, seria f\u00e1cil ficarmos horas e horas conversando com essa senhora de 72 anos que viveu metade de sua vida dedicada ao Budismo. Seu interesse pela religi\u00e3o surgiu a partir da leitura de um livro sobre ondas mentais alfa. \u201cA rep\u00f3rter entrevistara v\u00e1rias pessoas, entre eles um monge zen. A fala desse monge foi o que me levou a procurar o Zen Budismo. A pergunta que ela fez era a seguinte: \u2018O que o senhor acha de usar eletrodos para induzir o estado alfa, que \u00e9 o mesmo estado de uma pessoa em medita\u00e7\u00e3o profunda?\u2019 E ele respondeu: \u2018Se a ci\u00eancia diz que \u00e9 poss\u00edvel, deve ser. Mas, por que entrar pela janela?\u2019 Fui procurar a porta, o Zen Center of Los Angeles. Entrei, iniciei as pr\u00e1ticas meditativas de Zazen e at\u00e9 hoje agrade\u00e7o a Buda, seus disc\u00edpulos e disc\u00edpulas e a este caminho de pr\u00e1tica\u201d, conta a Monja. Nesta entrevista especial, voc\u00ea ainda ter\u00e1 a oportunidade de saber sobre medita\u00e7\u00e3o, Nirvana, Zazen, autoconhecimento e o caminho para espiritualidade segundo a tradi\u00e7\u00e3o budista.<\/p>\n<p><strong>REVISTA REGIONAL: \u201cSer\u00e1 que um dia o consumismo vai consumir o nosso protesto ao consumismo?\u201d Essa frase foi dita durante uma entrevista sua em 2014, no programa \u2018The Noite\u2019, do SBT. Em 2019, como a senhora enxerga essa rela\u00e7\u00e3o humano versus consumismo? N\u00f3s precisamos desaprender a ideia de ter, possuir, querer, desejar para sermos mais felizes?<\/strong><\/p>\n<p>MONJA COEN: O consumismo j\u00e1 consumiu nosso protesto ao consumismo. Veja as cal\u00e7as jeans. Nosso protesto, no final dos anos 60, era termos apenas um par de cal\u00e7as. Por isso, elas acabavam rasgando, mudando de cor, sendo remendadas, cortadas. A minha depois de alguns anos, virou uma bermuda. Hoje, as pessoas compram por um valor mais elevado as cal\u00e7as desbotadas e rasgadas. E eu, agora, n\u00e3o uso cal\u00e7as desbotadas nem rasgadas. O estado de contentamento com a exist\u00eancia n\u00e3o pode ser comprado. Muitas vezes nossas insatisfa\u00e7\u00f5es, decep\u00e7\u00f5es, tristezas nos levam a querer ter, a possuir, a acumular coisas materiais que nos satisfazem por alguns instantes. Nosso anseio verdadeiro \u00e9 por um estado de completude, \u00e9 pelo prazer da vida em ser vivida. Mas somos provocados e estimulados a ter mais e mais, como se fosse o portal de uma vida feliz. H\u00e1 pessoas que dormindo no ch\u00e3o s\u00e3o felizes. Outras em pal\u00e1cios s\u00e3o infelizes. O que \u00e9 importante para voc\u00ea? Questione-se e procure mais ao inv\u00e9s de apenas ser manipulada pela propaganda e m\u00eddia.<\/p>\n<p><strong>A senhora morou 12 anos no Jap\u00e3o. Durante esse per\u00edodo, como foi essa experi\u00eancia, j\u00e1 que se trata de uma cultura completamente diferente da nossa, apesar de voc\u00eas estarem em busca do mesmo objetivo que \u00e9 se tornar um disc\u00edpulo de Buda?<\/strong><\/p>\n<p>Morar 12 anos no Jap\u00e3o foi compreender melhor a mim mesma e a cultura japonesa. Foi o processo de me tornar mon\u00e1stica e fortalecer meus votos e compromissos. Foi entender um pouco mais sobre o povo japon\u00eas.<\/p>\n<p><strong>Por ter muitos anos de pr\u00e1tica e sensibilidade, a senhora atrav\u00e9s da medita\u00e7\u00e3o j\u00e1 alcan\u00e7ou o Nirvana, assim como Buda. Com que frequ\u00eancia essa percep\u00e7\u00e3o acontece com a senhora e como as pessoas, que j\u00e1 meditam h\u00e1 um tempo, podem chegar ao \u00eaxtase?<\/strong><\/p>\n<p>Pr\u00e1tica meditativa, zazen, n\u00e3o \u00e9 para entrar em \u00eaxtase m\u00edstico apenas. \u00c9 autoconhecimento. Um autoconhecimento que transcende o eu. \u00c9 perceber-se interligada a tudo e a todas. A cada part\u00edcula e ao grande Cosmos. Experi\u00eancias de Nirvana, de Ilumina\u00e7\u00e3o, de paz e tranquilidade profundas podem acontecer em in\u00fameros momentos da vida. O zazen, o observar e profundidade, o transcender o pr\u00f3prio eu, \u00e9 um facilitador.<\/p>\n<p><strong>Eu tive a chance de entrevistar o escritor e psiquiatra Augusto Cury e ele comentou que n\u00f3s demos um passo importante na ci\u00eancia, mas m\u00ednimo no territ\u00f3rio da emo\u00e7\u00e3o e, por isso, intelectuais passam pelo caos da depress\u00e3o. Acompanhando a evolu\u00e7\u00e3o da esp\u00e9cie humana, a senhora acredita que esse seria um dos grandes males do s\u00e9culo?<\/strong><\/p>\n<p>A grande transforma\u00e7\u00e3o deste s\u00e9culo ser\u00e1 a de compreendermos como funciona a mente humana. N\u00e3o apenas do ponto de vista da mat\u00e9ria org\u00e2nica ou da psican\u00e1lise. Mas do pr\u00f3prio ser conhecer o pr\u00f3prio ser. Os sintomas desse desconhecimento s\u00e3o as tristezas, o afastamento do grupo, o distanciamento, a depress\u00e3o e as tend\u00eancias e tentativas suicidas. Que insatisfa\u00e7\u00e3o, que inadequa\u00e7\u00e3o \u00e9 essa? Que futilidade se tornou a vida? Se n\u00e3o est\u00e1 sendo como eu gostaria, eu me tranco, me fecho, sou uma v\u00edtima? Ou me mato? H\u00e1 programas induzindo crian\u00e7as ao enforcamento. \u00c9 necess\u00e1rio olhar em profundidade para a mente humana, conhecer seu funcionamento e auxiliar os que est\u00e3o se enredando para que se desvencilhem de seus pr\u00f3prios obst\u00e1culos para viver com plenitude cada instante sagrado e perene, que jamais se repete, da exist\u00eancia.<\/p>\n<p><strong>Hoje com a ajuda da tecnologia, e a senhora tem um canal no YouTube (MOVA), ficou mais f\u00e1cil as pessoas terem acesso a esse tipo de conte\u00fado? A senhora \u00e9 uma monja diferente do que estamos acostumados a ver, que tem um perfil mais acolhedor, sereno, maternal eu diria. Em que momento percebeu que poderia ajudar as pessoas usando essas ferramentas como a internet?<\/strong><\/p>\n<p>O Canal MOVA n\u00e3o \u00e9 o meu canal. Causas e condi\u00e7\u00f5es surgiram para que um dos diretores do Canal pedisse permiss\u00e3o para gravar minhas palestras e colocar no Youtube. Foi e continua sendo um grande sucesso, com milh\u00f5es de seguidores. Eu n\u00e3o pedi, eu n\u00e3o tive a inten\u00e7\u00e3o. Nem mesmo ele. Aconteceu. Aconteceu porque h\u00e1 necessidade. Falo o que sempre tenho falando h\u00e1 mais de 30 anos. A tecnologia apenas torna mais acess\u00edvel o maior n\u00famero de pessoas. Espero que todos se beneficiem e possam apreciar suas vidas. Acredito que a intelig\u00eancia artificial pode ser uma grande parceira para o despertar da humanidade. Basta saber utiliz\u00e1-la.<\/p>\n<p><strong>Esse autoconhecimento de reconhecer as nossas falhas e obter a capacidade de calar para ouvir e se colocar no lugar do outro \u00e9 um exerc\u00edcio um tanto dif\u00edcil, mas como a medita\u00e7\u00e3o ou outro m\u00e9todo pode nos ajudar a sermos melhores como pessoa?<\/strong><\/p>\n<p>O autoconhecimento, a possiblidade de perceber nossas falhas \u00e9 a possibilidade de corrigi-las, de fortalecer nossos pontos fracos. De nos acolhermos e nos aceitarmos em nossas mediocridades para almejarmos sair da \u00e1rea de conforto e viver uma vida significativa e brilhante.<\/p>\n<p><strong>Vivemos uma era em que fam\u00edlias que n\u00e3o est\u00e3o no padr\u00e3o tradicional, imposto por uma sociedade preconceituosa e machista, sofrem pelo fato de n\u00e3o corresponderem uma maioria. Como o Budismo enxerga os diferentes tipos de rela\u00e7\u00f5es humanas em sua forma de amar?<\/strong><\/p>\n<p>Sou contra toda e qualquer forma de preconceito e discrimina\u00e7\u00e3o social. Buda, no momento de sua ilumina\u00e7\u00e3o disse: \u201cEu, a Grande Terra e todos os seres, juntos, simultaneamente, nos tornamos o Caminho.\u201d Todos os seres, todos os seres humanos, todos os animais, plantas, todas as \u00e1guas, todos os ventos. Tudo que existe. Logo, inclus\u00e3o total.<\/p>\n<p><strong>A senhora sempre foi uma mulher de questionamentos como, por exemplo, qual o sentido da vida? O que estamos fazendo aqui na Terra? Para onde vamos? Diria que foi atrav\u00e9s do Zen Budismo que encontrou as respostas para todos esses conflitos? De que forma a religi\u00e3o conseguiu responder os seus questionamentos?<\/strong><\/p>\n<p>Questionar-se sobre a vida e a morte faz parte da natureza humana. O Zen Budismo \u00e9 um dos caminhos que nos leva a refletir profundamente e procurar mais e mais as respostas. O pr\u00f3prio Buda hist\u00f3rico dizia: \u201cSe o que eu digo for bom, use. Se n\u00e3o for, jogue fora.\u201d Assim, uma tradi\u00e7\u00e3o espiritual sem dogmas \u00e9 a que mais se assenta com minha compreens\u00e3o e que melhor responde \u00e0s minhas inquieta\u00e7\u00f5es. Cada pessoa deve procurar o seu pr\u00f3prio caminho espiritual, filos\u00f3fico. Mas n\u00e3o deixem de se questionar e de procurar os sentidos da vida.<\/p>\n<p><strong>Para conhecermos um pouco sobre a sua hist\u00f3ria, foi em 1983 que a senhora fez os votos mon\u00e1sticos e foi fundadora da Comunidade Zen Budista Zendo Brasil em 2001, mas como e em que momento o Budismo entrou na sua vida?<\/strong><\/p>\n<p>Li um livro sobre ondas mentais alfa. A rep\u00f3rter que o escreveu entrevistara v\u00e1rias pessoas, m\u00e9dicos, psiquiatras, especialistas em Neuroci\u00eancia e entre eles um monge zen. A fala desse monge foi o que me levou a procurar o Zen Budismo. A pergunta que ela fez era a seguinte: \u201cO que o senhor acha de usar eletrodos para induzir o estado alfa, que \u00e9 o mesmo estado de uma pessoa em medita\u00e7\u00e3o profunda?\u201d E ele respondeu: \u201cSe a Ci\u00eancia diz que \u00e9 poss\u00edvel, deve ser. Mas, por que entrar pela janela?\u201d Fui procurar a porta, o Zen Center of Los Angeles. Entrei, iniciei as pr\u00e1ticas meditativas de Zazen e at\u00e9 hoje agrade\u00e7o a Buda, seus disc\u00edpulos e disc\u00edpulas e a este caminho de pr\u00e1tica.<\/p>\n<p><strong>Seu \u00faltimo livro (Zen para distra\u00eddos \u2013 Princ\u00edpios para viver o presente com harmonia) fala sobre como desenvolver a t\u00e9cnica de medita\u00e7\u00e3o, entender o Nirvana, compreender o carma. De que maneira \u00e9 poss\u00edvel encontrarmos o nosso caminho, sermos mais assertivo e aprendermos a aplicar o Zen em todos as nossas atividades?<\/strong><\/p>\n<p>O livro Zen para Distra\u00eddos da Editora Planeta \u00e9 uma transcri\u00e7\u00e3o de perguntas que me fizeram durante o meu programa na R\u00e1dio Mundial, chamado Momento Zen (todas as segundas feiras das 19h30 \u00e0s 19h55). Ouvintes fizeram perguntas, eu respondi, meu genro e produtor do programa, Nilo Andr\u00e9 Cruz, transcreveu, pesquisou, melhorou e o livro est\u00e1 dispon\u00edvel nas livrarias. \u00c9 quase um manual do Zen Budismo e um convite \u00e0 pr\u00e1tica de Zazen. Como encontrar o seu caminho? Procure, seja esse caminho. N\u00e3o desista de voc\u00ea. Esse livro pode ser um manual, um guia, mas s\u00f3 voc\u00ea pode praticar o que \u00e9 sugerido. A pr\u00e1tica \u00e9 a realiza\u00e7\u00e3o. Somos o que praticamos. Pratique Buda e voc\u00ea despertar\u00e1 para a vida.<\/p>\n<p>texto: Ester Jacopetti<\/p>\n<p>foto: Jukai Christopher Zenyu<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Confira a entrevista exclusiva da monja \u00e0 Revista Regional \u201cMuitas vezes nossas insatisfa\u00e7\u00f5es, decep\u00e7\u00f5es, tristezas nos levam a querer ter, a possuir, a acumular coisas materiais que nos satisfazem por alguns instantes\u201d. 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