{"id":16481,"date":"2018-08-29T16:57:39","date_gmt":"2018-08-29T16:57:39","guid":{"rendered":"http:\/\/revistaregional.com.br\/site\/?p=16481"},"modified":"2024-01-26T11:38:42","modified_gmt":"2024-01-26T14:38:42","slug":"jo-um-icone-da-tv-na-regional","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revistaregional.com.br\/site\/2018\/08\/29\/jo-um-icone-da-tv-na-regional\/","title":{"rendered":"J\u00f4, um \u00edcone da TV na REGIONAL"},"content":{"rendered":"<figure id=\"attachment_16483\" aria-describedby=\"caption-attachment-16483\" style=\"width: 301px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/revistaregional.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/218663.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-16483\" src=\"http:\/\/revistaregional.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/218663.jpg\" alt=\"\" width=\"301\" height=\"200\" data-id=\"16483\" srcset=\"https:\/\/revistaregional.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/218663.jpg 4928w, https:\/\/revistaregional.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/218663-300x200.jpg 300w, https:\/\/revistaregional.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/218663-1024x682.jpg 1024w, https:\/\/revistaregional.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/218663-150x100.jpg 150w, https:\/\/revistaregional.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/218663-272x182.jpg 272w\" sizes=\"(max-width: 301px) 100vw, 301px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-16483\" class=\"wp-caption-text\">J\u00f4 volta ao teatro como ator, ap\u00f3s anos como apresentador de talk show na Globo<\/figcaption><\/figure>\n<p><em>Ele dirige as coxias, o palco, e a plateia vai \u00e0 loucura! Em entrevista especial, J\u00f4 Soares fala sobre seu retorno ao teatro como ator<\/em><\/p>\n<p>Nascido em 1938 no Rio de Janeiro, J\u00f4 Soares \u00e9 considerado um dos \u00edcones da cultura brasileira, n\u00e3o s\u00f3 como entrevistador, mas humorista, escritor, dramaturgo, diretor teatral, ator e artista pl\u00e1stico. Ainda na juventude e com uma carreira promissora ao seu alcance, cogitou ser diplomata. \u00c9 dif\u00edcil imaginar um homem como J\u00f4 Soares num cargo de tanta seriedade, j\u00e1 que sua figura sempre foi ligada ao humor, mas com uma dose de sarcasmo. De classe m\u00e9dia alta, estudou em excelentes escolas, e de quebra fala seis idiomas, mas nem sempre sua posi\u00e7\u00e3o social lhe favoreceu. Quando necess\u00e1rio, chegou a trabalhar de office boy e at\u00e9 vendedor, mas sua rela\u00e7\u00e3o com o teatro foi mais forte. \u201cAs minhas \u00faltimas op\u00e7\u00f5es era ser motorista de pra\u00e7a, porque eu poderia escolher os hor\u00e1rios e conseguiria ir ao teatro. Eu tenho duas paix\u00f5es, a televis\u00e3o e o teatro. Elas s\u00e3o sempre bem balanceadas na minha vida. Estou fazendo as duas e de vez em quando paro para escrever um livro ou fazer uma exposi\u00e7\u00e3o de artes pl\u00e1sticas. \u00c9 como se diz no sul: \u2018Quando se \u00e9 mordido por cachorro louco, n\u00e3o se cura nunca.\u2019. \u00c9 uma paix\u00e3o e acima de tudo acredito que tenho sorte de fazer o que gosto. A minha profiss\u00e3o \u00e9 de risco e, por isso, vale muito a pena. O desafio me interessa\u201d, revela ele que, embora tenha dado adeus ao seu programa de entrevistas, dedicou-se ao canal Fox Sports, fazendo coment\u00e1rios sobre a Copa do Mundo. De volta aos palcos em \u201cA Noite de 16 de Janeiro\u201d, J\u00f4 fala com desenvoltura sobre o espet\u00e1culo, e aproveita para deixar claro o seu posicionamento pol\u00edtico, j\u00e1 que a pe\u00e7a tem tudo a ver, e se passa num tribunal. \u201cN\u00e3o existe esquerda ou direita, e sim posi\u00e7\u00f5es. Eu digo que sou intelectualmente um anarquista, porque se tem um governo, sou contra, estou criticando\u201d, argumenta.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>REVISTA REGIONAL: Quando jovem, o senhor pensou em seguir a carreira de diplomata, mas terminou desistindo. O que aconteceu durante esse per\u00edodo?<\/strong><\/p>\n<p>J\u00d4 SOARES: A carreira de diplomata surgiu, no sentindo do que eu poderia ser, e na \u00e9poca eu estava pensando no Itamaraty, mas n\u00e3o sabia se era bem isso que eu queria. Eu tinha diplomas para entrar em Oxford, mas n\u00e3o entrei. Voltei da Europa, e meu pai havia perdido tudo, eu tive que trabalhar como office boy numa empresa de exporta\u00e7\u00e3o de caf\u00e9. Depois fui trabalhar numa empresa de turismo, que eram as \u00fanicas profiss\u00f5es que me vinham \u00e0 cabe\u00e7a, pelo fato de eu falar seis l\u00ednguas, por isso, pensei na \u00e1rea de turismo, mas s\u00f3 consegui vender duas passagens para Belo Horizonte de trem. Ent\u00e3o, eu digo que realmente n\u00e3o \u00e9 por a\u00ed, mas as minhas \u00faltimas op\u00e7\u00f5es era ser motorista de pra\u00e7a, porque eu poderia escolher os hor\u00e1rios e conseguiria ir ao teatro. Eu tenho duas paix\u00f5es, a televis\u00e3o e o teatro. Elas s\u00e3o sempre bem balanceadas na minha vida. Estou fazendo as duas, e de vez em quando paro para escrever um livro ou fazer uma exposi\u00e7\u00e3o de artes pl\u00e1sticas. \u00c9 como se diz no sul: \u201cQuando se \u00e9 mordido por cachorro louco, n\u00e3o se cura nunca.\u201d. \u00c9 uma paix\u00e3o e acima de tudo acredito que tenho sorte de fazer o que gosto. N\u00e3o sei de onde \u00e9 a frase, mas ela diz que se voc\u00ea escolher o trabalho que mais ama, n\u00e3o ir\u00e1 trabalhar um dia sequer. A minha profiss\u00e3o \u00e9 de risco e, por isso, vale muito a pena. O desafio me interessa. Ali\u00e1s, foi por isso que eu aceitei o convite da FOX Sports. Eu n\u00e3o consigo dispensar um convite para falar sobre um assunto que sempre me fascinou com a possibilidade de errar. Tudo isso, me divertindo muito.<\/p>\n<p><strong>De volta aos palcos, o senhor est\u00e1 interpretando e dirigindo a pe\u00e7a \u201cA Noite de 16 Janeiro\u201d da fil\u00f3sofa russo-americana Ayn Rand (1905-1982). A primeira quest\u00e3o \u00e9 que tipo de diretor o senhor costuma ser? E como chegou a esse texto?<\/strong><\/p>\n<p>Respondendo a primeira pergunta, eu acredito que escutar faz parte de um respeito que sempre deve existir. Eu n\u00e3o dirijo na base da tirania e sim do convencimento, de saber ouvir. \u00c9 claro que \u00e0s vezes a pessoa fala sobre algo que talvez n\u00e3o d\u00ea certo. Voc\u00ea espera, escuta, pensa e diz n\u00e3o! Odeio diretor tirano. Quando isso acontece pode ter certeza de que ap\u00f3s um m\u00eas, o ator estar\u00e1 fazendo do jeito dele. N\u00e3o podemos impor tirania no teatro. Se fizer, fa\u00e7a em curto prazo porque depois \u00e9 imposs\u00edvel. O ator tem um tigre dentro dele que n\u00e3o podemos domesticar. O que podemos fazer \u00e9 ensinar o caminho, do contr\u00e1rio ele te come. Sobre a pe\u00e7a, eu estava procurando uma que falasse de tribunal e, de repente, encontro \u201cA Noite de 16 de Janeiro\u201d. \u00c9 o dia do meu anivers\u00e1rio. Eu fui ler mais sobre a Ayn e ela se tornou uma inc\u00f3gnita. Considerada a musa dos conservadores americanos, ao mesmo tempo, que Rodrigo Janot abre a condena\u00e7\u00e3o contra A\u00e9cio Neves, com um texto dela, que \u00e9 de esquerda. Ali\u00e1s, n\u00e3o existe mais esse neg\u00f3cio de esquerda e direita, e sim posi\u00e7\u00f5es. Eu digo que sou intelectualmente um anarquista, porque se tem um governo, sou contra, estou criticando. Agora ent\u00e3o, que eu n\u00e3o preciso mais votar, p*** que pariu. A Ayn n\u00e3o pode ser chamada de mulher de direita ou esquerda, ela segue a filosofia que se chama objetivismo, onde ela coloca o ser humano em primeiro lugar. Ela n\u00e3o acreditava em Deus, quer dizer, n\u00e3o sei se ela n\u00e3o acreditava em Deus, mas n\u00e3o acreditava nas religi\u00f5es estabelecidas, porque achava que era hipocrisia. As pessoas n\u00e3o conseguem rotul\u00e1-la.<\/p>\n<p><strong>O senhor ficou um per\u00edodo longe dos palcos e agora retorna com um elenco enorme, e interpretando um juiz. Como tem sido essa experi\u00eancia?<\/strong><\/p>\n<p>Maravilhoso! Por isso, decidi fazer esse espet\u00e1culo com essas pessoas, porque eu fiz oito pe\u00e7as solos, que n\u00e3o eram stand up, era uma apresenta\u00e7\u00e3o que chegava a ter uma hora e vinte, o primeiro chegou a ter dois atos com duas horas. Uma vez o Paulo Autran foi assistir a um espet\u00e1culo que eu fazia, preciso falar sobre isso, depois ele passou no camarim me disse: \u201cVoc\u00ea consegue experimentar o palet\u00f3 de mil maneiras, em frente a um espelho imagin\u00e1rio. Esse \u00e9 o maior n\u00famero que eu j\u00e1 vi na minha vida.\u201d Isso dito pelo Paulo Autran. Dava para ver que era um trabalho de ator. Depois eu fui fazer Fernando Pessoa (Remix de Pessoa, 2007), dirigido pela Bete Coelho, eu disse a ela que amava o Fernando, e no dia seguinte ao convite, eu j\u00e1 estava com o cen\u00e1rio todo pronto. E a Bete al\u00e9m de ser uma atriz extraordin\u00e1ria, \u00e9 uma amiga maravilhosa, e uma diretora espantosa. Eu fui para Portugal e eles amaram a ideia de eu fazer Fernando Pessoa na terra deles, foi extremamente gratificante. O Toninho que sempre me acompanha no som e na imagem, cronometrou no Centro Cultural do Bel\u00e9m, algo que eu nunca tinha visto, ali\u00e1s, n\u00e3o acontece muito no Brasil, a n\u00e3o ser nos musicais, n\u00f3s somos meio avarentos de aplausos. Eu tamb\u00e9m sou. Ele cronometrou e foram seis minutos de aplausos. Eu n\u00e3o sabia mais o que fazer, desci as escadas, abracei as pessoas, porque eu estava sozinho, n\u00e3o tinha atores pra dividir a cena. S\u00e3o experi\u00eancias que eu considero como de um homem de teatro. Fizeram uma tese sobre mim. Por que eu? Um trabalho extraordin\u00e1rio.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n<p><strong>O Matinas (Suzuki Jr.) escreveu \u201cO Livro de J\u00f4 \u2013 Uma Autobiografia Desautorizada\u201d e voc\u00eas fizeram uma parceria muito bacana, mas n\u00e3o s\u00f3 para o livro, como para o teatro tamb\u00e9m.<\/strong><\/p>\n<p>Eu tenho um entrosamento de alma com o Matinas que vem de anos. Eu tenho a impress\u00e3o de que nunca aconteceu t\u00e3o plenamente. Ele estava me atazanando para escrever esse livro h\u00e1 anos, a partir da\u00ed acredito que s\u00e3o planos m\u00edsticos. Houve um entrosamento em que era eu e ele, ele e eu. Ele \u00e9 de teatro tamb\u00e9m, o chamei para fazer a adapta\u00e7\u00e3o comigo, e ele me deu dicas preciosas, mas n\u00e3o de jornalista, nem de escritor, mas teatrais. N\u00f3s precisamos viver dos nossos mist\u00e9rios, porque cada dia voc\u00ea \u00e9 um. Esse livro s\u00f3 saiu porque ele topou fazer comigo, e eu aprendi muito com ele, e eu acho que ele tamb\u00e9m aprendeu muito comigo. Existe uma inser\u00e7\u00e3o de di\u00e1logos, que \u00e9 muito dif\u00edcil de um jornalista assimilar, e que ele entendeu e conseguiu dar flexibilidade \u00e0 hist\u00f3ria. Uma coisa \u00e9 voc\u00ea contar, outra \u00e9 colocar um di\u00e1logo como aconteceu, que s\u00e3o engra\u00e7ados. Eu falo essas coisas, mas n\u00e3o \u00e9 pra me gabar, mas tamb\u00e9m \u00e9. Eu fui acordado com um telefonema do Jos\u00e9 Alberto Aguiar, extraordin\u00e1rio artista pl\u00e1stico, para dizer o seguinte: \u201cAcabei de ler o seu livro. \u00c9 o livro da justi\u00e7a\u201d. Eu nunca tinha visto sobre esse \u00e2ngulo, e aos poucos fui entendendo o que ele queria dizer, que eu estava fazendo justi\u00e7a para as pessoas esquecidas, enfim, isso pra mim foi um elogio gigantesco. Ele me disse: \u201cvoc\u00ea \u00e9 a \u00fanica pessoa que nunca se incomodou em ser chamado de gordo, pelo contr\u00e1rio. S\u00e3o descobertas que n\u00f3s fazemos todos os dias das nossas vidas.\u201d<\/p>\n<p><strong>Normalmente, o que um bom texto precisa ter para que o senhor tenha vontade de lev\u00e1-lo para os palcos?<\/strong><\/p>\n<p>Serei absolutamente sincero! Nunca sei o que me atrai porque as minhas escolhas s\u00e3o feitas muito mais pelo irracional do que cerebral. Vejo e digo se quero fazer. N\u00e3o estou inventando, mas n\u00e3o sei explicar. Eu acredito ser muito mais pela empatia pessoal de quem me convida. J\u00e1 recusei trabalhos de pe\u00e7as \u00f3timas, com atores excelentes, mas na hora n\u00e3o bateu. \u00c9 uma loucura! Gostaria de ter uma escolha intelectual, mas este lado est\u00e1 a servi\u00e7o dos artistas. Nunca fa\u00e7o nada extremamente racional e a minha cria\u00e7\u00e3o \u00e9 sempre irracional e vem naturalmente. O ser humano sempre teve dificuldade de se comunicar. Mas o que eu queria dizer \u00e9 que para qualquer espet\u00e1culo, o ensaio de mesa \u00e9 fundamental porque a pe\u00e7a nasce e cresce dessa forma. O teatro foi feito para ser lido em p\u00e9. Esse \u00e9 o momento de parar a mesa. Eu sou muito minucioso neste trabalho. Eu dirigi \u201cTr\u00f3ilo e Cr\u00e9ssida\u201d (2016) com praticamente todos os atores que est\u00e3o nessa pe\u00e7a. Eu tenho um produtor maluco, que \u00e9 o Rodrigo (Velloni), que topa tudo. \u00c9 uma motiva\u00e7\u00e3o extraordin\u00e1ria, um cara que topa lidar com uma produ\u00e7\u00e3o desse tamanho, e ainda ser s\u00e9rio. Ele cobra que eu mande as notas, mas eu n\u00e3o mando, s\u00e3o bobagens, besteiras. Quero continuar com esse grupo, e realizar assim como Fagundes (Ant\u00f4nio) que chegou na loucura de ter 38 pessoas, sem patroc\u00ednio. Eu n\u00e3o quero mais sair do teatro, porque \u00e9 uma maneira de eu estar integrado, de estar no elenco, porque n\u00e3o h\u00e1 nada melhor para mim. Estou com 80 anos, e pretendo trabalhar at\u00e9 os 90, pelo menos. Outro dia um rapaz me perguntou o que eu pretendia fazer nos pr\u00f3ximos dez anos, eu respondi: \u201c90 anos\u201d.<\/p>\n<p><strong>O senhor acredita que buscar autores estrangeiros faz com que o teatro brasileiro tenha a oportunidade de navegar por outras \u00e1guas?<\/strong><\/p>\n<p>Da minha parte espero que sim. Existe teatro bom e ruim e \u00e0s vezes vejo espet\u00e1culos absolutamente caretas, como concep\u00e7\u00e3o de vanguarda, \u00f3timo, mas com atores que n\u00e3o conseguem realizar adequadamente. \u00c9 fundamental ter conex\u00e3o com a plateia. Eu acredito que exista uma confus\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o ao realismo naturalista, com naturalista das novelas, inclusive pelo tempo que se tem pra fazer. O ator \u00e9 o menos favorecido numa produ\u00e7\u00e3o, porque ele precisa ler seis cap\u00edtulos e matar em uma semana. N\u00e3o d\u00e1 pra se aprofundar em nenhum realismo, porque geralmente aparenta um naturalismo bem feito. Existem personagens bons, mas s\u00e3o bem delineados que se repetem atrav\u00e9s das novelas. Essa confus\u00e3o atrapalha um pouco a vis\u00e3o que se tem sobre o teatro. O Victor Garcia era um craque, ele contava com um elenco que sabia o que queria dizer. Quando falo em com\u00e9dia quero dizer que \u00e9 muito mais uma quest\u00e3o de humor do que com\u00e9dia propriamente dita. \u00c9 uma maneira de avaliar a vida com humor, inclusive os tr\u00e1gicos como Dostoi\u00e9vski, que tem cenas engra\u00e7ad\u00edssimas, porque do contr\u00e1rio ningu\u00e9m suportaria. O pr\u00f3prio \u201cRicardo III\u201d \u00e9 um buf\u00e3o de humor negro do Skakespeare. Eu sempre falo muito mais do humor do que da com\u00e9dia. Os espet\u00e1culos de vanguarda t\u00eam que ter essa vis\u00e3o de mundo, por mais cruel que seja, tem que haver um afastamento.<\/p>\n<p><strong>No in\u00edcio da sua carreira o senhor interpretava muito personagens humor\u00edsticos, atrav\u00e9s dos seus quadros. Em algum momento bate saudades desses personagens?<\/strong><\/p>\n<p>Dos personagens eu n\u00e3o sinto falta, sinto saudades, mas acho que eles n\u00e3o morreram, est\u00e3o hibernando. N\u00e3o sinto vontade, e n\u00e3o tenho nenhum comich\u00e3o de fazer quadro de humor. O humor continua presenta na minha vida. Quando fico muito tempo longe dos palcos eu sinto falta, tantos os espet\u00e1culos solos ou quando estou contracenando com outras pessoas. Cada vez que subo no palco, bate uma saudade e at\u00e9 fico arrepiado. N\u00e3o sou um ator frustrado porque fiz uma s\u00e9rie de coisas que queria fazer.<\/p>\n<p><strong>No humor tudo \u00e9 v\u00e1lido?<\/strong><\/p>\n<p>Depende da vis\u00e3o e do crit\u00e9rio de cada um. Para mim, vale tudo, mas o meu \u00e9 diferente de outros comediantes. \u00c9 muito pessoal. Em princ\u00edpio vale tudo, porque quando deixa de valer, \u00e9 a postura conservadora, logo reacion\u00e1ria. \u00c9 claro que tem coisas que eu vejo e n\u00e3o acho a menor gra\u00e7a, mas n\u00e3o \u00e9 o fato de ficar indignado.<\/p>\n<p><em>texto: Ester Jacopetti<\/em><\/p>\n<p><em>foto: Pri Prade<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ele dirige as coxias, o palco, e a plateia vai \u00e0 loucura! 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