‘Quem te conhece, não esquece jamais!’

As igrejas de Ouro Preto são essenciais num passeio turístico: uma se destaca mais do que a outra seja em riqueza ou simplicidade

A cidade histórica de Ouro Preto é Patrimônio Cultural da Humanidade e isso é facilmente compreendido uma vez que se percorre as ruas da cidade mineira

Só quem pisa em terras mineiras entende o trecho do hino do Estado que diz: “quem te conhece, não esquece jamais”. Ouro Preto foi o destino escolhido para um break de apenas quatro dias. As ruas em paralelepípedos, o casario antigo, o sotaque arrastado e a gastronomia são ingredientes essenciais que fazem de uma visita a qualquer cidade histórica de Minas inesquecível.

Desde criança ouvia dizer que minha cidade, Itu, era a Ouro Preto Paulista e acho que a vontade de conhecer a cidade mineira foi crescendo com o passar dos anos. Escolhemos ir a Minas Gerais de avião para economizar tempo, já que ficaríamos apenas quatro dias viajando, tempo esse que foi gasto nas estradas para chegar até Ouro Preto. De Confins – onde fica localizado o aeroporto – a Belo Horizonte leva uma hora e depois mais uma hora e meia para chegar da capital a Ouro Preto. Atenção: quando disse “tempo gasto” e não “perdido”, pois a paisagem na estrada é um deleite.

Assim que colocamos os pés na cidade assustamos com a quantidade de ladeiras, já tínhamos ouvido falar, mas ver é totalmente diferente. Numa primeira olhada rápida pelos arredores do hotel, identificamos o casario antigo e super preservado. A todo instante nos pegávamos encantado com o centro histórico, e nos perguntando quem possivelmente poderia ter vivido naquelas casas, como a preservação é respeitada e adorada pela maioria e o que existe dentro de cada edificação. Placas pequenas dão um charme à cidade antiga e nos informam sobre o que o prédio abriga sem desrespeitá-lo. Ao passar pelas pequenas e grandes portas antigas, surpresas: restaurantes lindos, lojas modernas, cafés charmosos e até mesmo agencias bancárias.

Visitando uma cidade histórica o que não pode faltar são museus. Conhecemos o Museu da Inconfidência – onde pudemos apreciar uma exposição temporária sobre o artista mineiro Inimá de Paula, o Museu de Arte Sacra, o Museu Casa dos Contos – local onde antigamente se recolhia impostos e também serviu como prisão dos Inconfidentes, Museu Aleijadinho e Museu do Oratório. Claro que conhecer as igrejas de Ouro Preto (em sua maioria pagas para visitação) é algo sem escapatória. No nosso circuito passamos pelas Igrejas de São Francisco de Assis, Nossa Senhora do Pilar, Nossa Senhora do Carmo, Nossa Senhora das Mercês e Perdões e a mais encantadora, em nossa opinião, a Igreja de Nossa Senhora do Rosário. Sua planta em forma circular data de 1785 e seu interior é o mais simples e bonito das igrejas que conhecemos, mas faltaram algumas igrejas que não conhecemos por falta de tempo, e não deixei de fazer um pedido a cada igreja nova que entrava. Nessas andanças sem destino certo pela cidade, envolta de tanta história, conhecemos, sem querer, a Casa da Ópera ou Teatro Municipal, onde descobrimos que é o teatro mais antigo em funcionamento das Américas, inaugurado em 1770.

Trenzinho caipira

Comer em Ouro Preto não é nada difícil. Muitos restaurantes podem ser encontrados, já que a cidade recebe todo tipo de turista, como percebemos. Nos pontos turísticos como museus e igrejas, identificávamos vários idiomas, na maioria europeus, ora italiano, ora francês, ora alemão.

Em nosso último passeio, não conseguimos conter a curiosidade de fazer o circuito de trem Ouro Preto/Mariana. Fomos de ônibus até Mariana e enquanto esperávamos o horário do trem, andamos um pouco pela cidade que é muito diferente de sua vizinha. A primeira capital do Estado mineiro está ligada desde 2006 a Ouro Preto, pelo Trem da Vale, que reativou o trecho rodoviário de 18km para fins culturais e turísticos. A construção da ferrovia foi iniciada em 1883 e seu trecho até Mariana foi finalizado apenas em 1914 devido às dificuldades pelas condições dos terrenos e topografia da região. Infelizmente, no final de semana em que fomos para Minas, o vagão que contém visão panorâmica estava sendo consertado, e fizemos o trecho de volta a Ouro Preto no vagão simples mesmo. O passeio tem duração de uma hora e durante todo o trecho podemos desfrutar das belezas naturais entre as cidades, passando pela mata, cachoeiras e túneis. Passeio indispensável!

Uma vez em Ouro Preto não deixe de subir e descer ladeiras, as dores nas pernas são essenciais. Vá aos museus, pois o Estado é fundamental na história de nosso país. Entre nas igrejas, uma se destaca mais do que a outra seja em riqueza ou simplicidade. Coma os pratos típicos como feijão tropeiro, tutu à mineira, rabada, torresmo, bolo de fubá, doce de leite e é claro, pão de queijo. Preste atenção aos detalhes e entenderá porque Ouro Preto foi o primeiro local brasileiro a receber o título de Patrimônio Cultural da Humanidade.

texto e fotos Gisele Scaravelli

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