O brilho de Camila Queiroz

“Quero incentivar as pessoas a terem um estilo de vida melhor. Incentivá-las a serem mais reais, principalmente num mundo virtual”

Doce, pura e inocente. Assim foi a personagem que marcou a grande estreia de Camila Queiroz na dramaturgia, quando interpretou Angel em “Verdades Secretas”, a polêmica novela das 23h da TV Globo em 2015. Conquistando cada vez mais seu espaço, inclusive escritores consagrados, a atriz segue como protagonista em “Pega Pega”, atual trama das 19h da Globo. “Nós lutamos para conquistar, e quando acontece é por merecimento e porque realmente corremos atrás dos nossos sonhos. Eu acho que foi isso que aconteceu comigo. Nenhuma oportunidade que chegar até a mim vou deixar passar se eu não puder fazer o meu melhor”, enfatiza Camila. De volta aos holofotes da mídia, a atriz não esconde a insatisfação de ter a vida particular vasculhada por sites de fofocas. “Fácil não é, ainda mais eu que não tinha noção de como era esse mundo. Eu imaginava, como todo mundo em casa, mas não tinha noção da realidade. Daí a gente acaba conhecendo um pouco mais as dores e as delícias desse lugar que a gente vem ocupar, que é muito difícil. Nós temos que dar conta do recado. Eu sou muito nova, não cresci dentro disso, não estou acostumada com nada disso”, comenta a atriz, que pretende usar as redes sociais para incentivar as pessoas a serem mais felizes e cultivarem o bem. Confira a entrevista exclusiva que ela nos concedeu:
REVISTA REGIONAL: Sua nova personagem Luiza, em “Pega Pega” tem sotaque carioca, ou seja, bem diferente das suas últimas interpretações. O que foi essencial para você desenvolver esse sotaque?
CAMILA QUEIROZ: Comecei a estudar no começo de janeiro, bem antes de estrear a novela, então já tem um tempo que estou estudando. O sotaque é importante para a personagem, já que ela é carioca, mas não o essencial, dentro de todas as questões que ela vive, de falir, de ter que sair da casa dela, e ir morar na rua, porque ela não tem mais onde ficar. Eu acho que existem coisas que terminam sendo muito mais importantes para mim, que são outros desafios, do que o sotaque, no fim das contas.
E já que nós falamos sobre o sotaque da sua personagem, quais outras características foram necessárias para você compor a Luiza?
Ela tem 24 anos, carioca, fala seis línguas, e está na terceira faculdade, porém nunca trabalhou na vida, e nunca precisou correr atrás de nada. Uma menina que nasceu e foi criada dentro do “Carioca Palace” (o hotel fictício onde se passa a novela). Os pais dela morreram quando ela tinha três anos de idade, então ela foi criada pelo avô (Marcos Caruso) como uma princesa. Mora na suíte presidencial do hotel, cresceu com cerca de 20 pessoas a servindo por dia, arrumando a cama, servindo seu café da manhã… Ela realmente nunca precisou fazer nenhum tipo de serviço manual. Ela não tem noção de como é isso, até que a vida fala: ‘Oi querida, vamos lá. A vida não é assim” (risos). Mas isso não a faz uma patricinha idiota, sem noção que ostenta. As pessoas irão perceber que ela é uma menina simples, na hora de se vestir, simples de não ligar para joias. Ela tem duas bolsas e um óculos, e isso serve. O que ela realmente queria, antes do sonho dela ser destruído, era ter reformado o “Carioca Palace” para ajudar o avô a sair da crise, porque ele acabou com o dinheiro, e o hotel era tudo que ele tinha.
Falando então um pouco sobre esses desafios, quais foram as principais dificuldades que você encontrou?
É difícil porque esse não é o meu universo, e eu nunca passei por isso. Eu não sei como é comandar 20 empregados, ser patroa e ao mesmo tempo não ser caricata, de ser uma patroa ignorante, metida, que é o que nós estamos acostumadas a ver, mas tem a patroa gente boa, dentro do limite da hierarquia. Depois disso, eu acabo indo pra Tijuca procurar emprego. Ter a noção dessa realidade, que tem que ir para outro lugar, onde a personagem nunca passou, e recomeçar fazendo currículo, pedindo emprego, é algo que ela nunca fez, mesmo tendo todas faculdades, e falando todo tipo de língua. Ela nunca precisou realmente exercer, porque o sonho dela era reconstruir o “Carioca”. Esse é um desafio, porque entre aspas, você vai do ‘luxo ao lixo’. Da suíte presidencial para a calçada. Porque eu vou acabar morando no quartinho do hotel, porque não tenho para onde ir. É uma virada muito importante para a personagem, e isso é muito difícil de fazer.
Você saiu de duas novelas de grande sucesso (“Verdades Secretas” e “Eta Mundo Bom”), uma das onze, outra das seis, e agora das sete. Você se sente uma pessoa abençoada? Aliás, você parece ser bem estudiosa…
Como não ser? Você acha?! Não tem outra palavra, é abençoada com certeza! Porque sorte não existe. É tudo merecimento. Nós lutamos para conquistar e quando acontece é por merecimento, e porque realmente corremos atrás dos nossos sonhos. Eu acho que foi isso que aconteceu comigo. Nenhuma oportunidade que chegar até a mim vou deixar passar se eu não puder fazer o meu melhor.
Quando você estava fazendo “Êta Mundo Bom”, nós conversamos e você comentou sobre estar insegura para interpretar a Luiza. Por que?
Nesse período eu não tinha nem como dizer, porque não tinha tanta informação sobre ela, mas tem sido um processo. Eu comecei com a Angel (Verdades Secretas, 2015) que era uma menina do Interior, mas com outras escolhas de vida. Depois fiz Mafalda (Êta Mundo Bom, 2016) que era da década de 1940, 1950. Pura, uma menina inocente, que era mais velha que a Angel, mas não aparentava ser. E agora venho parar na Luiza. Eu acho que é disso que o ator gosta, desses desafios, porque até agora eu não fiz nada igual, nenhuma personagem é parecida com a outra, graças a Deus. Isso é bom, principalmente para mim que estou começando. Vou me descobrindo junto com as personagens, vou me redescobrindo a cada cena, explorando. Quando imaginei que eu fosse falar ‘carioques’?! (risos) Esse é um dos maiores lados do ator. É você poder ser mil e um.
Já faz dois anos que você foi a grande revelação na dramaturgia em “Verdades Secretas”. Como é ser reconhecida nas ruas?
Fácil não é, ainda mais eu que não tinha noção de como era esse mundo. Eu imaginava, como todo mundo em casa, mas não tinha noção da realidade. Daí a gente acaba conhecendo um pouco mais as dores e as delícias desse lugar que a gente vem ocupar, que é muito difícil. Uma manicure comentou comigo que acreditava que o nosso trabalho fosse fácil. Nós temos que dar conta do recado. Eu sou muito nova, não cresci dentro disso, não estou acostumada com nada disso, com as pessoas interessadas na minha vida pessoal. Então, eu queria sempre que eu pudesse falar só da profissão, porque realmente é isso que importa nesse ambiente de trabalho. Mas até eu entender que não era do jeito que eu queria…
A Luiza parece ser mais mulherão do que as outras personagens que você fez…
Ela é mais velha que todas as outras personagens e eu…
Em relação a mudança no visual, você gostou e já se acostumou com esse novo corte?
O cabelo acabou sendo uma proposta mesmo. E por ela ser uma menina nova, e carioca ficou mais prático, apesar de ser mais difícil de cuidar, porque preciso fazer hidratação, justamente porque clareamos um pouco na frente. Ele é mais difícil para pentearmos, porém, dependendo do penteado, acaba sendo mais prático para mim. Mas ele acaba ressecando mais e, por isso, tenho que ter mais cuidado. Eu adorava ter cabelos longos, porque ele estava sempre lindo, era mais fácil de cuidar, por incrível que pareça. Não sou muito de ir ao salão, cuido mais em casa mesmo. É só te respondendo uma coisa sobre a Luiza ser um mulherão, nós optamos na novela, ir mais para o grave e não para o agudo. Normalmente eu falo mais agudo, então acaba mudando o tom de voz. Eu acho que isso acaba dando mais maturidade para a personagem.
O visual dela é bem interessante, você curtiu?
Muito! As roupas são muito legais e normais. Muito parecida com as minhas. Ela é uma menina bilionária. Quem não vai querer ter o guarda-roupa da Luiza? Eu queria! (risos)
Na trama, são 40 milhões de dólares roubados. O que você faria com esse dinheiro?
Eu devolveria para o meu avô, para poder voltar a vida de conforto que a Luiza sempre teve, né?! Porque, coitada, ela vai ralar muito! Mas eu Camila, não tenho ideia do que eu faria com esse dinheiro, mas com certeza ajudaria muita gente, começando pela minha família. Não tem o que fazer sozinho com tanto dinheiro. Nem se eu for para o shopping consigo gastar esse dinheiro.
Você falou sobre as pessoas terem curiosidade sobre a sua vida, entretanto, vemos nas redes sociais, que elas torcem muito por você. Esse carinho te alimenta, principalmente porque são pessoas que você nunca viu?
Eu acho que as redes sociais, principalmente nos dias de hoje, é que nós podemos escolher vários pontos para serem seguidos. Há dois anos, eu tinha 7 mil seguidores, e hoje tenho 7 milhões. Se eu puder levar uma mensagem para essas pessoas… Às vezes, eu acabo sem querer falando alguma coisa, e um monte de gente me agradece. Isso me conforta, porque de nada adianta eu querer ser uma celebridade famosa, e não dar conta do recado, se não puder passar uma mensagem positiva, e mostrar o look do dia. Eu não quero ser essa pessoa. Quero ser quem possa incentivar a plantar uma árvore em frente de casa, porque essa atitude pode melhorar a sua, a minha, a nossa vida. Quero incentivar as pessoas a terem um estilo de vida melhor. Incentivá-las a serem mais reais, principalmente num mundo virtual. Eu tento não colocar tanto a minha vida ali. Embora a gente acabe postando quando está num lugar bonito, num dia agradável. Se eu quiser fazer uma foto e postar, é óbvio que farei, como qualquer pessoa normal. Mas tento manter um equilíbrio e primeiramente passar uma mensagem de otimismo, principalmente no mundo em que estamos vivendo. Como, por exemplo, amor ao próximo, porque não sabemos mais o que é isso. Acho que é tentar usar aqueles tantos seguidores em prol do bem. Alguma coisa deve importar no fim das contas. Não só postar uma foto de um anel que eu estou usando, porque vale a pena. Não vale!
Você comentou sobre incentivar as pessoas a terem um estilo de vida mais saudável, você costuma cuidar da sua alimentação ou vacila de vez em quando?
Nem quem jura que não tem, tem alguns vacilos de vez em quando! Tem um dia que a pessoa quer, e come um fast-food. Faço atividades físicas na medida do possível, porque nossa rotina de gravação é muito intensa. Eu consigo malhar três vezes por semana. Eu tenho um personal, e, às vezes, a gente faz algumas coisas juntos. Vamos encaixando conforme a agenda de gravações. Durante o trabalho, o nosso sono acaba ficando um pouco comprometido. O exercício físico não tem que ser só em prol do corpo bonito. Tem que ser para a saúde mental, principalmente.
Você é protagonista da trama, como tem administrado o seu tempo, e o que você não perde de jeito nenhum? Dá pra manter contato com a família morando no Rio de Janeiro?
Claro. Sem dúvida, a família vem sempre em primeiro lugar. Ela sempre será prioridade. Se não dá a gente tenta, se tem um dia ou dois, ou se não dá para ir, eles vêm. Vamos tentando encaixar. Em “Verdades Secretas”, fiquei sete meses sem ver a minha família, por causa de todo o processo. Então, aprendi que não dá, porque acabei sofrendo por ficar longe deles. Nós temos que aprender a separar e saber que tais dias são para eles.
O Klebber (Toledo, ator e namorado) te ajuda a decorar os textos?
Ele tem os dele para decorar (risos).

texto: Ester Jacopetti
fotos: Klebber Toledo/Arquivo pessoal

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