Natália Larangeira: a música como missão

A maestrina Natália Larangeira está à frente da Camerata Filarmônica de Indaiatuba, que nasceu há quatro anos, com a vontade dela e amigos de aumentar a oportunidade para músicos profissionais. A proposta é que todos os músicos participantes tenham voz ativa nas decisões da orquestra e trabalhem também na produção dos concertos. “Todos os músicos têm a oportunidade de realizar solos à frente da orquestra. Iniciamos nossas atividades na Igreja Candelária e fomos atrás de patrocinadores para conseguir pagar os custos da realização dos concertos”, explica. Há três anos, o grupo se estruturou como Associação sem fins lucrativos, a Acafi, e vem realizando concertos em Indaiatuba e região. Natália é formada em Música, tem bacharel em Regência e atua como maestrina há dez anos. Embora não seja de uma família de músicos, ela conta que a música sempre esteve presente em sua vida e contou com grande influência de seu avô. “Ele adorava passar as tardes comigo ouvindo músicas para big band e orquestra. Tive também excelentes professores na época do Conservatório [de Osasco] que cobravam relatórios de concertos, e logo, assistir a concertos tornou-se um programa de família”, lembra a maestrina e explica que foi exatamente nesses concertos que a figura do maestro lhe chamou atenção. “Um dia marcante foi quando eu vi pela primeira vez uma mulher regente, a maestrina Ligia Amadio. Este momento me fez pensar que seria possível seguir uma carreira que ainda é vista como masculina. Os desafios foram grandes por ser nova e mulher, mas está dando certo”, conta. Além de regência, Natália toca piano, flauta doce, percussão sinfônica e canta. Começou na música atuando como professora de música. Lecionava piano, teoria, história da música e regência. Já teve oportunidade de reger orquestras em São Paulo, Curitiba, Belo Horizonte e em cidades da Europa. Hoje, é regente convidada de projetos mantidos pelo Guri Santa Marcelina em São Paulo, como a Banda Sinfônica Infanto-Juvenil, Banda Sinfônica Juvenil e Orquestra de Cordas Infanto-Juvenil. “Sou regente assistente da Orquestra Sinfônica de Santo André (OSSA), também uma das dez melhores do nosso país. É muito gratificante poder fazer as grandes sinfonias e concertos com grandes solistas nacionais e internacionais. Como o estudo da música é eterno, mantenho aulas regulares de regência com o maestro Claudio Cruz. Acho que a música deve se aproximar das pessoas e gosto muito da interação com outras artes”, detalha a maestrina. Focada e amante da música, Natália sonha em criar orquestras, bandas sinfônicas e corais para aumentar a oferta de emprego para músicos profissionais, pois explica que o difícil, hoje, é o mercado para eles. “O mercado enfrenta uma grande crise e os grupos musicais profissionais estão sendo extintos. Preciso convencer e mostrar a importância de se manter e criar novos grupos musicais. Temos que remunerar da forma correta nossos músicos que se dedicam a vida inteira e não submetê-los a subempregos. Enxergo a música como missão. Claro que tenho pretensões de reger grandes orquestras, com repertórios complexos, mas peço para vida me levar onde o meu trabalho é mais necessário”, finaliza.

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Para inscrições na Camerata Filarmônica de Indaiatuba ou para ajudar, acesse www.camerataindaiatuba.wixsite.com/acafi/apoio. O grupo conta com uma página no Facebook e contatos podem ser feitos pelo camerataindaiatuba@gmail.com ou pelo telefone (19) 9 9798-8642.

texto: Gisele Scaravelli

foto: Lillian Larangeira 

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